Confira nossa crítica de Doutor Sono, a continuação de O Iluminado de Stephen King com batalhas no plano astral e a volta do assombrado Hotel Overlook!

CRÍTICA | Doutor Sono – Será que a continuação de ‘O Iluminado’ funciona?

Confira nossa crítica de Doutor Sono, a continuação de O Iluminado de Stephen King com batalhas no plano astral e a volta do assombrado Hotel Overlook!...

Doutor Sono continua a saga de O Iluminado e expande o universo criado por Stephen King de forma interessante

É muita presunção assumir que existem obras de arte perfeitas. Mas se existe algo que se aproxima muito de ser uma obra absoluta do gênero de terror, é o filme O Iluminado (1980) dirigido pelo mitológico diretor Stanley Kubrick. O ambiente opressor do Hotel Overlook, a direção ao mesmo tempo complexa e minimalista, a ambiguidade da premissa… Para quem nunca viu, vejam. É uma dos filmes mais fascinantes já feitos e certamente é merecedor do adjetivo “perturbador”.

O autor do livro, Stephen King, detestou a obra e nunca mais quis saber de Kubrick. Alguns anos depois, uma adaptação mais fiel ao livro seria lançada no formato de minissérie. Uma obra consideravelmente inferior de um ponto de vista técnico e de sustos, mas com alguns apoiadores, especialmente aqueles que acreditam que uma adaptação de King precisa ter o máximo possível da obra do diretor traduzida em outro formato.

Em 2013, o autor lançou Doutor Sono, uma continuação de seu livro, que em 2019, ganha uma adaptação que funciona parte como adaptação da obra e parte continuação de O Iluminado de Kubrick.

Doutor Sono

Dan “Danny” Torrance (Ewan McGregor) levou muito tempo para se recuperar dos eventos traumáticos de sua infância no Overlook Hotel. Ter o “brilho”, um conjunto de habilidades paranormais e psíquicas não ajuda. Depois de anos de alcoolismo e negligência, ele se recupera em uma pequena cidade e trabalha como enfermeiro de uma casa de repouso para pacientes terminais. Seu brilho é capaz de detectar quando um paciente está prestes a falecer e ele usa sua telepatia para facilitar a transição para o plano astral. Assim, ganha o apelido de Doutor Sono entre os pacientes.

Do outro lado dos EUA, um culto de pessoas aparentemente paranormais chamados O Verdadeiro Nó caçam crianças com o Brilho para devorar sua essência e prolongar sua vida. A líder do grupo, Rosa Cartola (Rebecca Ferguson) detecta a presença de Abra Stone (Kyllegh Curran), uma jovem garota extremamente poderosa com o Brilho. Abra, por sua vez, mantém contato com Dan. Aos poucos tanto no plano astral quanto no plano físico, os dois lados começam a duelar.

O que Rosa não sabe é que ela não é a única criatura que se alimenta do Brilho, e Dan já se deparou com estes monstros antes.

A continuação funciona!

Quem diria! Doutor Sono funciona! Quando o assunto é dar continuidade à uma obra celebrada a margem de acerto de Hollywood é baixíssima. Quer dizer que a sequencia está no mesmo nível da obra prima de Kubrick? Claro que não, aí é forçar a barra. Mas pelo menos o longa traz novas ideias e um elenco extremamente competente.

Doutor Sono não é um filme particularmente assustador, sua trama remete mais à uma fantasia sombria do que um filme de terror propriamente dito. E com isso, o roteiro e a direção são bastante criativos, especialmente nos combates psíquicos entre os personagens.

Telepatia visualmente tem muito potencial. Qualquer leitor de quadrinhos já viu em X-Men ou Doutor Estranho como este tipo de habilidade paranormal só é limitada pela criatividade do criador. Desde Cidade das Sombras de 1998, nenhum outro filme soube usar isso de forma interessante. Doutor Sono brinca bastante com a falta de limite da mente e os poderes derivados do Brilho para criar o que provavelmente serão as sequencias mais marcantes e memoráveis da continuação.

E é claro, não podemos ignorar a volta ao Hotel Overlook, aqui reconstruído minuciosamente conforme as plantas elaboradas para O Iluminado. Não se preocupem, a presença do local assombrado de fato tem importância para a trama. Seria fácil esperar que a volta do local seria apenas um fan service banal, mas existe um propósito, tanto para o confronto com os vilões quanto para a própria paz de espírito de Danny, cuja presença maligna do hotel assombra seu consciente até os dias atuais do filme.

Vale a pena? Com certeza! Naturalmente, nunca estaria a altura do antecessor, afinal são poucos filmes que conseguem. Mas como proposta para expandir os aspectos mais fascinantes da obra e trazer uma boa dose de criatividade para a trama, com certeza Doutor Sono sai ganhando.

O filme estreia nos cinemas dia 7 de novembro de 2019.

Até a próxima!

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Nota:
7.5
Nota:
O bom
  • Rosa Cartola é uma boa antagonista.
O ruim
  • Pelo excesso de mitologia explicada o filme se arrasta um pouco.
  • Direção
    7
  • Roteiro
    8
  • Elenco
    8
  • Enredo
    7
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CriticasFilmes

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