[CRÍTICA + ENTREVISTA] Westworld: Nova série de ficção da HBO

Ousamos dizer: Westworld será seu próximo vício na televisão No dia 2 de outubro de 2016, às 23h, todos os assinantes de tv a cabo poderão conferir a estreia...

Ousamos dizer: Westworld será seu próximo vício na televisão

westworld-hbo-primeiro-episodio-hbo-1No dia 2 de outubro de 2016, às 23h, todos os assinantes de tv a cabo poderão conferir a estreia da nova superprodução da HBO chamada Westworld. A série não é um remake ou adaptação para tv do filme de 1973, dirigido por Michael Crichton: a Westworld da HBO é inspirada no conceito apresentado no longa e, por isso, meus caros, vocês precisam se preparar para algo nunca visto.

A primeira imagem do episódio piloto já pincela o que vem por aí. A androide Dolores Abernathy (Evan Rachel Wood) está sentada, nua e desligada enquanto uma narrativa nos introduz ao laboratório do Dr. Robert Ford (Anthony Hopkins), criador de Westworld, um parque onde os humanos podem imersar em uma fantasia para fazer o que quiserem e totalmente sem limites. Este ambiente permitem-os explorar todo e qualquer desejo humano, seja nobre ou depravado. Em Westworld não há julgamento e tudo é perdoado.

Lisa Joy, a cocriadora da série, afirma que “nós também quisemos explorar o que significa ser humano do ponto de vista externo, por meio dos olhos dos ‘hóspedes’: os personagens realistas com inteligência artificial que são as principais atrações do parque. É uma meditação sobre a consciência – a benção e o peso dela – retratada lindamente pelo nosso excelente elenco.”.

Com 10 episódios de uma hora cada, a série vai explorar o despertar da consciência artificial, já que todos os androides viveram em outros lugares e outras histórias e, mesmo com suas memórias diariamente deletadas, algo permanece na “mente” dos robôs. No primeiro episódio, conhecemos Teddy Flood (James Mardsen), um jovem viajante que retorna ao vilarejo e reencontra Dolores, sua paixão proibida. A jovem, que todos os dias “acorda”, cumprimenta seu pai na varanda do rancho, cavalga até a cidade para buscar mantimentos e se depara com o rapaz, passa a viver “versões” de sua rotina quando os humanos do parque interferem neste roteiro pré-definido. Como expectadores, acompanhamos as mudanças de comportamento, falas e reações dos androides conforme comandos do laboratório. Em um determinado momento, Dolores é recolhida, justamente por questionar sua realidade – que também é posta em prova pelos dirigentes do parque por meio de testes. Além disso, um misterioso “Homem de Preto” (Ed Harris) consegue influenciar a narrativa prevista no parque sem que a central de controle o veja. Seria ele um humano ou androide desconectado de Westworld?

Confuso e intrigante, certo? Pois é. A primeira hora dessa jornada já deixa um “gostinho de quero mais” com tamanha complexidade de sua trama. São tantos fatores, elementos e peculiaridades em torno dos androides e humanos que é possível ter empatia por ambos. E a forma como os robôs são manipulados talvez seja a ferramenta que fará a audiência questionar a existência e índole humanas. Um prato cheio de psicologia, domínio e manipulação em um mundo sem regras.

Ainda há muito o que ser descoberto desta produção criada por Jonathan Nolan (Interestelar), que também assina a direção, e Lisa Joy, ambos roteiristas e produtores executivos ao lado de J.J. Abrams, Jerry Weintraub e Bryan Burk. Entre os personagens que estão no piloto temos: Bernard Low (Jeffrey Wright) como o programador dos androides, Elsie King (Shannon Woodward) como uma analista de danos e programadora,  Clementine Pennyfeather (Angela Sarafyan) como uma androide prostituta do bar de Westworld, Virginia Pittman (Sidse Babett Knudsen) como a comandante do laboratório – uma mulher inescrupulosa, aparentemente -, Maeve Millay (Thandie Newton) como a chefe das prostitutas do bordel/bar e Harlan Bell (Rodrigo Santoro) como ladrão que rouba o cofre do bordel e que tem duas introduções diferentes de seu personagem ao som de Rolling Stones e Soundgarden e MUITA, mas MUITA ação.

Crédito: divulgação

Crédito: divulgação

A convite da HBO, a Freakpop pode conversar com Rodrigo Santoro, o nosso querido brasileiro que vem ampliando suas experiências no exterior e que, em Westworld, é um personagem recorrente. Infelizmente ele não pode comentar absolutamente nada sobre o enredo da série, o que nos deixou triste já que Harlan Bell parece ser uma figura importante dentro do roteiro do parque.

Logo de cara Santoro foi questionado sobre as músicas escolhidas para suas aparições no piloto e o ator nos contou que não assistiu ao corte final do episódio perguntando, inclusive, se a música dos Stones havia sido mantida. Em seguida comentou que do que ele já tinha assistido, tinha gostado muito da escolha musical e que acha o compositor um “gêniozinho”, e achou uma grande sacada ele ter usado Painted in Black no corte final.

Em seguida conversamos sobre a criação da série e do “universo” inventado em Westworld e o quanto que ele estava familiarizado com o que iria encarar ao ser um dos personagens:

A gente sabe muito pouco, sabe o básico, sabe o essencial para poder fazer o nosso trabalho. Nós não temos as informações completas das personagens,eu tenho uma ideia do que seria minha personagem, mesmo depois de ter filmado 10 episódios. Mas acho que isso é a ideia desta experiência. Não sei porque exatamente, acho que é uma pergunta para ser feita para o showrunner (…) e perguntar qual é [a ideia]. Talvez [seja] pra que a gente tenha uma experiência mais visceral, pra que a gente não passe muito tempo com o material, ao mesmo tempo eles trabalham polindo o roteiro, constantemente, porque esta é a diferença de trabalhar com o criador do show, o cara tá reescrevendo no set, ele está o tempo todo aperfeiçoando. Ele tem a imagem, ele tem a ideia do que ele quer na cabeça dele, e ele vai trabalhando, ele tem autonomia pra fazer as mudanças que ele precisa, que ele acha que são convenientes, que acontecem no set, ou seja: existe também um espaço para colaboração do ator, onde a gente improvisa um pouquinho, onde a gente sugere uma coisa.”

Ainda sobre a complexidade do mundo criado para Westworld, Santoro não pode responder se a audiência verá outras cidades/ambientações do parque, mas disse que não é para pensarmos em cenários e sim em camadas e em seguida falou que “essa série convida o expectador a se envolver, não só intelectualmente, mas emocionalmente, mas principalmente psicologicamente. É uma série que trabalha com muita metáfora, muitas analogias, com um estudo mesmo da natureza humana no seu sentido mais complexo. Ela não vai te dar as respostas, mas ela vai questionar e te oferecer um material, alimento pra mente e pro cérebro para você questionar. É um entretenimento, vocês viram que é muito bem filmado, então você está recebendo um entretenimento mas cheio de entrelinhas, sub textos, esta é a a especialidade deste criador.”

Sobre o conceito criado para a série, o ator falou que é “um parque temático para satisfazer desejos, fantasias de seres humanos. Então a gente tá (sic) na verdade trabalhando com um mundo onde não existem regras para os seres humanos e não há consequências para as suas ações. O que faz a gente entrar no (sic) lugar muito interessante, assustador e ao mesmo tempo necessário porque as pessoas fazem análise a vida inteira para entender as coisas que estão “adormecidas” – como os analistas costumam dizer – coisas que a gente não coloca pra fora, e que tá (sic) tudo dentro da gente (…) que na vida social a gente externaliza por “n” razões. Este [o parque] é um lugar que não só te convida, mas que te incentiva a colocar essas coisas para fora. É maravilhoso!”.

Em seguida comenta sua experiência em set e seu segundo trabalho com J.J.Abrams como produtor, falando que cada “nó” do roteiro era um processo de “desatar”: o trabalho foi em conjunto para desenrolar os personagens, cenas e o andar da trama e que, para saber mais da série, “só assistindo”.

Perguntamos sobre a composição do seu personagem, aquele pistoleiro fora da lei, que tem toda uma caracterização própria, uma voz diferente, uma cicatriz e um comportamento bem definido e questionador. Santoro respondeu que não teve muito tempo de preparo e que “as coisas foram acontecendo no set. Eu não tive como me preparar muito, até porque eu tinha o piloto (em mãos), e a cada episódio eu ia recebendo [as novas informações].” Ele ainda brincou que adoraria ser como a Netflix, que você recebe o “pacote completo”, mas não, e que entre um episódio e outro é que ele “se virava nos 30” para compor o personagem, definir atuação e etc, e acabou definindo sua preparação como “me preparar para estar preparado (risos).”.

Por fim, agora só assistindo a série da HBO para compreender a magnitude deste projeto que, certamente, atrairá muitos fãs. Recapitulando: Westworld estreia dia 2 de outubro, às 23h e a partir do dia 16 a exibição será a partir da meia-noite e, obviamente, todas as novidades você encontrará aqui na Freakpop.

Küsses,

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“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

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