Crítica de Era Uma Vez um Deadpool

CRÍTICA | Era Uma Vez um Deadpool - Deadpool 2 para crianças e caridade

Será que deu certo?

Era Uma Vez um Deadpool é Deadpool 2 para menores de 18 anos

Nos EUA, filmes com classificação R são aqueles mais violentos, cheios de palavrão, nudez e outras coisas excelentes. Tipicamente, estúdios têm receio de produzir filmes nesta faixa porque correm o risco de perder fatias importantes do mercado, como adolescentes e crianças. Inclusive, alguns países como a China nem autorizam a distribuição deste tipo de longa em seu território. Filmes de super-herói, que contam com uma gorda fatia de seu faturamento total vinda de produtos licenciados como brinquedos, tendem a habitar a classificação PG-13, que permite violência, contudo que não seja excessiva ou visceral, e alguns palavrões.

Ryan Reynolds, mesmo antes do lançamento do primeiro Deadpool, brigou com unhas e dentes para manter a classificação R no personagem. Ele aceitou trabalhar com um orçamento reduzido, cobriu despesas do próprio bolso, enfrentou pressão dos estúdios e até mesmo aguentou mães nas redes sociais reclamando que seus preciosos anjinhos queriam muito ver o filme. Com Deadpool 2 foi a mesma coisa.

É claro que, os tempos mudam. A Fox foi adquirida pela Disney, o mercado chines se tornou um dos mais cruciais para garantir o sucesso de bilheteria de um filme e, provavelmente, mães que não sabem dizer não aos filhos não vão parar de atazanar o pobre Reynolds nas redes sociais. Sob as condições de fazer uma parceria com uma entidade caridosa, o ator e produtor topou lançar uma versão editada e limpinha de Deadpool 2 para a temporada de Natal. Assim surge, Era Uma Vez Um Deadpool.

Era Uma Vez um Deadpool

Deadpool sequestra Fred Savage (Anos Incríveis), para recriar a narrativa moldura de A Princesa Prometida*. Wade faz o papel de Peter Falk no filme clássico, lendo a história de Deadpool 2, mas tirando as partes mais pesadas. De resto, a trama é a mesma da versão R.

Bom, relembrando a trama: após a morte de Vanessa (Morena Baccarin), Wade Wilson (Ryan Reynolds) se recupera na Mansão X com a ajuda de Colosso (Stefan Kapičić). Uma missão dos X-Men coloca ele cara a cara com Russell (Julian Dennison), um jovem mutante com poderes de fogo que é torturado em um instituto. Deadpool tenta libertar o garoto de forma violenta, o que resulta em sua expulsão dos X-Men e uma ida para a Geladeira, uma prisão de segurança máxima para mutantes.

Tudo se complica quando surge Cable (Josh Brolin), um super soldado do futuro que quer eliminar Russell antes que este vire um monstro no futuro. Para impedi-lo, Wade monta a X-Force e parte pra porrada.

Limpar a sujeira é mais difícil que parece

Relançar um filme como Deadpool 2 sem as profanidades não é uma tarefa fácil. O diálogo até funciona, fora os momentos de absurdismos pansexuais do protagonista, boa parte da comédia do filme vem dos meta-comentários e observações bizarras, não muito dependentes de palavrões – apesar da equipe de legendagem brasileira se divertir com a ideia e deixar o diálogo ainda mais inofensivos ao salpicar as conversas com “boboca” e “meleca”.

Mas o que realmente f%de são as cenas de ação. Ao remover todas as mutilações, decapitações, sangue e morte, elas ficam péssimas. Não só porque perdem o impacto, mas todos os momentos mais intensos foram cortados, deixando elas com problemas sérios de continuísmo. Quem assistiu a versão original vai ficar incomodado/a com o volume de cortes nestas cenas e quem nunca assistiu simplesmente vai ficar confuso/a com a incoerência da montagem.

A cena da Dominó (Zazie Beetz) manipulando a sorte para chegar no caminhão saiu relativamente intacta. A batalha final é uma bagunça incoerente faltando 80% dos planos.

Nem tudo é ruim. As intercalações da narrativa com Savage são hilárias e ajudam a compensar a falta de alguns momentos importantes na trama. Inclusive, nestes momentos, nossos narradores comentam sobre alguns pontos problemáticos do roteiro de Deadpool 2 de uma forma hilária.

No fim

Apesar do produto final deixar a desejar, Era Uma Vez um Deadpool chega aos cinemas por uma boa causa. Para cada ingresso vendido nos cinemas, 1 dólar será doado para a instituição Fuck Cancer que faz um trabalho muito bacana com iniciativas digitais de apoio para pacientes com câncer.

Era Uma Vez um Deadpool estreia nos cinemas brasileiros dia 27 de Dezembro no Brasil.

Até a próxima!

*Como assim você nunca assistiu A Princesa Prometida? POR ACASO VOCÊ NÃO TEM CORAÇÃO?!
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Nota
7
Nota
O bom
  • Tudo que lembra A Princesa Prometida tem seu mérito
  • Projeto tem uma proposta bacana
O ruim
  • Cenas de ação mutiladas.
  • Algumas mudanças de diálogo nos personagens digitais ficaram preguiçosas e mal dubladas (no áudio original)
  • Direção
    4
  • Roteiro
    7
  • Elenco
    10
  • Enredo
    7
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