[CRÍTICA] Esquadrão Suicida – É bom ser mau!

Esquadrão Suicida diverte mostrando o lado sombrio do Universo DC Entre trancos e barrancos, a DC entrou no cinema com seu universo expandido. Em Esquadrão Suicida a já tradicional receita...

Esquadrão Suicida diverte mostrando o lado sombrio do Universo DC

esquadrão-suicida-03Entre trancos e barrancos, a DC entrou no cinema com seu universo expandido. Em Esquadrão Suicida a já tradicional receita de bolo do super herói movido por uma história trágica e acesso a um bom costureiro é deixada de lado para explorar o lado sujo, criminoso e necessário para dar aos fantasiados algo para vencer: os vilões.

Em um mundo pós-morte do Superman, a maquiavélica agente do governo Amanda Waller (Viola Fucking Davis) questiona o que acontecerá se o próximo meta-humano ultrapoderoso que aparecer não ser um escoteiro interessado em defender a verdade, a justiça e o modo de vida americano. Para tal, decide fazer uso da crescente população super-humana que decidiu levar uma vida mais lucrativa infernizando os pobres cidadãos do bem. Sua “Força Tarefa X” reúne o Pistoleiro (Will Smith), um assassino de aluguel com mira infalível; a Arlequina (Margot Robbie) a psicótica amante do Coringa; El Diablo (Jay Hernandez) um gangster latino com poderes de fogo; Crocodilo Assassino (Adewale Akinnuoye-Agbaje) um monstruoso semi-réptil canibal; Slipknot (Adam Beach) um expert em nós e o Capitão Bumerangue (Jai Courtney), um hooligan beberrão australiano que rouba bancos, assassina pessoas com bumerangues ultra-afiados e deixa fãs dos quadrinhos atentos para qual é a participação surpresa de um certo membro da Liga da Justiça. Para controlar este sanguinário grupo, Waller conta com a ajuda de Rick Flag (Joel Kinnaman) um condecorado soldado das forças especiais especializado em missões de cunho questionável, a vigilante Katana (Karen Fukuhara) e June Moone (Cara Delevigne), uma pacata arqueóloga que se torna hospedeira de Magia, uma feiticeira milenar extremamente poderosa e candidata a ser a nova “Superman” do complexo industrial militar americano.

Quando Magia foge das amarras de Waller e começa a construir um artefato de destruição em massa em Midway City – transformando boa parte da população da cidade em soldados autômatos e libertando seu irmão Incubus do cativeiro – cabe aos bandidões juntarem suas forças para uma missão de resgate por trás das linhas inimigas. Isto é, com uma bela garantia de bom comportamento na forma de um nano-explosivo que convenientemente remove a cabeça de qualquer “herói” do esquadrão.

Existe algo belo em Esquadrão Suicida em meio ao caos, a sujeira e toneladas de ambiguidade moral: a DC Entertainment acerta em cheio na hora de contar esta história e fazer seu universo cinematográfico crescer de forma rápida e orgânica. Não é uma história de personagens arrependidos em busca da redenção, não são foras da lei que pretendem fazer o bem (como uma certa história envolvendo árvores carismáticas e guaxinins falantes) – é uma história de vilões pura e simples. Existe um cinismo corporativo que permeia todo o tecido que sustenta o longa, desde uma sensacional Amanda Waller que está disposta a tudo para manter a segurança na terra do vermelho, branco e azul, até mesmo aos vilões que em nenhum momento fazem mais que o necessário para reduzir um pouco de tempo de suas extremamente longas sentenças.

Durante a missão, o Coringa (Jared Leto) gradualmente se aproxima de Midway City para resgatar Harley. Longe do bufão assassino de Jack Nicholson e do terrorista anarquista de Heath Ledger, o palhaço do crime de Leto é um verdadeiro chefe do submundo ilegal, inspirado na série Coringa de Brian Azarello e Lee Bermejo. Sua relação com Harley Quinn é, ao mesmo tempo, doentia e fascinante: um é obcecado pelo outro e ambos vivem uma espécie de casamento Bonnie & Clyde à la Gotham City. Sim, bat-maníacos, o sorridente arqui-inimigo do Homem Morcego é um homem apaixonado. Se nesta violenta Commedia dell’Arte, o Coringa é o Pierrot, Harley é a Columbina, fazendo uso de sua sensualidade, desejo que invoca nos homens e até mesmo de sua postura de garotinha inocente para manipular as pilhas de testosterona ao seu redor antes de afundar seus crânios com taco de baseball. Durante o filme, quem rouba a cena é o Pistoleiro de Will Smith, mas garantimos que quando Robbie pega emprestada, é difícil prestar atenção em outra coisa.

É claro que não existe Coringa sem Batman e ele marca sua presença no longa, porém, ambos permanecem de plano de fundo, dando a sensação que o mundo da DC Comics nos cinemas já é bem desenvolvido e nós só acompanhamos um pequeno trecho de suas ocorrências nos últimos filmes. Uma jogada ousada da Warner Bros. ao colocar dois dos seus maiores personagens como coadjuvantes. Fiquem atentos a uma bela homenagem à arte de Alex Ross quando o Coringa e a Arlequina (com seu uniforme clássico) aparecem juntos.

David Ayer trabalha muito bem na direção do filme e, mesmo no tom cinzento dos demais filmes da DC no cinema, traz uma intensidade visual e jogadas de cores que tornam o filme muito rico. Até mesmo o terceiro ato, que peca um pouco por ter mais uma cena de um pilar de energia rasgando os céus, o diretor faz bom uso de fumaça e sombras para criar uma batalha final verdadeiramente memorável.

Vale a pena? Se a ambiguidade moral e a clandestinidade suja do militarismo americano que marcaram a fase Chuck Dixon do Esquadrão Suicida te conquistou, então este filme é para você. Se você quer deixar de lado o bom mocismo dos rapazes de collants coloridos e mensagens positivas para a garotada para assistir alguns mal caráteres descerem tiro, porrada e bomba sem um pingo de arrependimento, você está mais que convidado para curtir Esquadrão Suicida.

Até a próxima!

Comente via Facebook!

Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

Categories
Criticas

RELATED BY