CRÍTICA | Estrelas Além do Tempo | Preconceito X Necessidade

Estrelas Além do Tempo conta como três mulheres negras salvaram o rabo da NASA em plena década de 60 Hollywood costuma ser assertiva ao escolher tramas desconhecidas/esquecidas que são...

Estrelas Além do Tempo conta como três mulheres negras
salvaram o rabo da NASA em plena década de 60

Hollywood costuma ser assertiva ao escolher tramas desconhecidas/esquecidas que são baseadas em fatos reais. Nos últimos anos tivemos O Jogo da Imitação, Um Homem Entre Gigantes e Sniper Americano, todos focados em personas importantes que fizeram algo pela Segunda Guerra Mundial,  pelo Futebol Americano e pelos traumas de veteranos sobreviventes da Guerra do Iraque, respectivamente.

Em Estrelas Além do Tempo não é diferente. O longa dirigido por Theodore Malfi relembra a jornada de três cientistas afrodescendentes que colocaram a NASA a frente na corrida espacial. Isso em plena época onde os negros não tinham os mesmos direitos dos brancos.

Aqui, viajamos para o início da década de 60, onde a intolerância e o preconceito racial ainda eram catalisadores de muitas discussões sociais e políticas. Até a homologação dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos em 1964, a inclusão era uma pauta quente. Cidades, comércios, bancos, lojas e faculdades se adaptaram para que os negros “pudessem” ter os “mesmos” direitos dos brancos. Na teoria, parece funcionar, na prática, o cenário era bem diferente.

É nesta fase que conhecemos três matemáticas responsáveis por um passo muito importante dentro da NASA. Eles precisavam superar os russos e enviar o astronauta John Glenn (Glen Powell) em órbita. Com poucas estratégias para arrecadar mais dinheiro aos departamentos de desenvolvimento espacial, as equipes de cálculos, computação e de engenharia precisam trabalhar com recursos internos. Leia-se: usar um departamento de computação formado só por mulheres negras.

Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughn (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monae) eram matemáticas brilhantes de um seleto e excluído grupo de cientistas. Seleto por serem em minoria quantitativa, excluído por trabalharem em uma área denominada “para pessoas de cor” e tratadas com bastante intolerância.

Johnson é a primeira a ser alocada em uma grupo de matemáticos. Ela revisa as contas e acaba idealizando uma nova forma de por Glenn em órbita. Vaughn é a líder do grupo da equipe de “Computação de Cor”, ou seja, funcionárias negras que trabalham em uma sala separada fazendo o trabalho de muita gente. Jackson é uma engenheira auto ditada alocada em uma vaga na área de otimização dos foguetes.

Enquanto acompanhamos a corrida contra o tempo das equipes, somos impactados com os duelos sociais e pessoais das funcionárias. Johson foi parar em uma sala super distante do “banheiro para mulheres de cor”, tendo que se ausentar por 1h para ir e voltar. Jackson teve que entrar com um pedido no tribunal para poder estudar a noite em uma faculdade de engenharia. E Vaughn dribla os olhares e despeitos de Vivian Mitchell (Kirsten Dunst) que não se esforça muito para conseguir recursos, salários e promoções para a equipe de computação.

Além das divisões raciais internas da NASA, ainda temos muitos momentos onde as situações da trama frisam as dificuldades de ser uma pessoa negra em Hampton, Virgínia. E a forma como nossas protagonistas lidam com o preconceito, é um dos elementos mais interessantes do filme.

As três personagens dividem suas horas de trabalhos com suas vidas pessoais. Vidas que envolvem filhos, tarefas domésticas, atividades religiosas e o uma ida no banco, no mercado, nas lojas. Além de serem alvos de olhares julgadores dentro da NASA, elas ainda peitavam uma sociedade que não estava pronta, e muito menos aberta, para recebe-las como iguais.

O longa é um retrato verossímil da época e uma obra muito gostosa de ser assistida. O filme não é pedante em seu enredo, oferece um entendimento bem claro das profissionais por trás das três mulheres e encanta por tamanha humanidade na resolução final. É muito fácil pegar uma proposta polêmica e criar um alvoroço em cima na intenção de chamar a atenção. Aqui o relato é quase documental, com problemáticas plausíveis e ainda deixa uma positiva mensagem sobre respeito, profissionalismo e esperança por uma sociedade mais diversa e tolerante.

Vale a pena conferir?  Sem dúvida. Em tempos atuais onde há muito o que protestar a favor da diversidade, Estrelas Além do Tempo surge como um chute no traseiro dos mais “Trumpdicionais” e reforça que Hollywood tem força para sustentar uma voz contra o preconceito e levar ensinamentos valiosos por meio do entretenimento.

Estrelas Além do Tempo concorre em três categorias no Oscar 2017, estreia dia 2 de fevereiro no Brasil e ainda conta com duas atuações fortes: Kevin Costner como o líder da equipe de cálculos e Mahershala Ali como um dos envolvimentos amorosos.

Küsses,

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Tatá Snow

“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

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