[CRÍTICA] Ex_Machina: Instinto Artificial – Como sobreviver a qualquer custo

Ex_Machina: Instinto Artificial associa o surgimento da inteligência cibernética com o instinto de sobrevivência O teste de Turing é usado para avaliar se uma inteligência artificial consegue convencer um...

Ex_Machina: Instinto Artificial associa o surgimento da inteligência
cibernética com o instinto de sobrevivência

ex-machina-instinto-artificial-01O teste de Turing é usado para avaliar se uma inteligência artificial consegue convencer um humano que ele não está interagindo com uma máquina, mas sim, com outro humano. Em Ex_Machina: Instinto Artificial acompanhamos uma visão de um possível futuro próximo onde o desenvolvimento tecnológico está consideravelmente perto do desenvolvimento de uma inteligência artificial perfeita.

Nathan Bateman (Oscar Isaac) é o proprietário bilionário de um gigantesco conglomerado de serviços de internet. Ele convida um de seus funcionários, o programador Caleb Smith (Domhnall Gleeson) para passar uma semana em sua gigantesca e reclusa mansão no meio da floresta pra cumprir uma tarefa especial. Bateman criou Ava (Alicia Vikander), um robô com corpo mecânico e rosto feminino e precisa que Smith avalie se Ava é capaz de passar no teste de Turing. É meio a rica flora que cerca a reclusa mansão que estes dois indivíduos avaliam se os primeiros passos para a criação de uma forma de vida inteiramente nova foram dados.

Em conversas diárias, o relacionamento de Smith e Ava começa a aflorar e surgem suspeitas que Bateman não é exatamente uma figura do bem. Ambos homens são contrastes completos: Nathan tem uma presença dominante, luta boxe, bebe, fala palavrão e gosta de se posicionar como o “macho alfa”.  Caleb é pacato, sonhador e tímido, um rapaz carente e solitário que vê em Ava uma igual.

Ex_Machina: Instinto Artificial é brilhante. Não só a visão futurista que o filme proporciona é crível, baseada em tecnologias ainda em desenvolvimento e o turbilhão informacional que surgiu após a ascensão das redes sociais e o comportamento humano monitorado via meios digitais. Aqui vemos um futuro possível, mas a qualidade da trama não acaba por aí. O filme faz uma desconstrução do arquétipo de cada personagem, brinca com a expectativa da audiência e surpreende ao subverter as mesmas. É fácil acreditar que Nathan é o vilão devido à sua postura agressiva e é possível imaginar que Ava seja a donzela em apuros já que é a única figura feminina da trama.

O filme explora e busca entender não só o que compõe a natureza humana, mas como ela nos impulsiona a entender o mundo ao nosso redor e refletir nossa própria existência, anseios e desejos nas pessoas em nosso redor. Vemos o mundo como ele realmente é ou como desejamos que ele seja? Ex_Machina usa de forma fantástica o prelúdio do surgimento de uma nova forma de vida inteligente, uma que pode sobrepujar a inadequada humanidade como espécie dominante do planeta, para explorar como, no centro da possibilidade de tudo dar errado, simplesmente nós existimos e nossa incansável capacidade de sobrevivência e autopreservação, características que, em típica tradição de Mary Shelley e seu monstro de Frankenstein, os criadores transmitiram à sua “filha”.

Vale a pena? Com certeza! Um filme minimalista, com trilha sonora e efeitos visuais praticamente inexistentes, com diálogo inteligente, uma premissa sensível e uma inteligência rara em um gênero cinematográfico que há muito tempo não trazia algo tão inovador. Recomendamos uma sessão para assistir tanto este longa quanto Soldado do Futuro, filme de ficção futurista de 2013, que aborda temáticas semelhantes, porém com um enfase maior em militarização, escravidão e os direitos da humanidade de comandar inteligências artificiais, mesmo estas sendo criaturas tão livres quanto seus subjugadores.

Ex_Machina: Instinto Artificial concorre em duas categorias no Oscar 2016: Melhor Roteiro Original e Efeitos Visuais. A Freakpop fará a cobertura completa pelo Facebook e Twitter a partir das 21h.

Até a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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