Fyre Festival: Fiasco no Caribe na Netflix

CRÍTICA | Fyre Festival - Fiasco no Caribe é uma excelente experiência

A melhor festa que nunca aconteceu chegou na Netflix!

Fyre Festival – Fiasco no Caribe é um delicioso exercício de exagero e consequências trágicas

Muitos documentários servem para explorar o lado verdadeiro de uma história. Trazendo à tona todos os elementos da narrativa de forma objetiva para que o público tire suas próprias conclusões. Muitos deles nos forçam a repensar nossa posição sobre certos temas. Todo mundo conhece alguém que não parava de falar sobre comer carne por causa daquele documentário da indústria pecuária. Ou aquele seu amiguinho que decidiu virar moralista por causa do Hot Girls Wanted? Graças aos Deuses, surge Fyre Festival – Fiasco no Caribe, um documentário que explora uma história trágica, mas com personagens que não merecem redenção. Ou seja, uma deliciosa experiência para ver quem merece se f*der… se f*der.

Fyre Festival

Para entender o documentário, é importante entender o que foi o Fyre Festival. Um belo dia, o milionário Billy McFarland virou amigo do rapper Ja Rule. Ambos pegaram um voo particular e foram parar na ilha particular de Pablo Escobar no Bahamas. De lá, tiveram a ideia de criar o festival de música mais luxuoso e exclusivo do mundo.

Chamam as maiores modelos do mundo, uma equipe de filmagem e passam dias filmando as beldades de bikini na praia, iates, aviões particulares. Aos poucos, as redes sociais começam a bombar e todo mundo quer saber que catzo é Fyre Festival. Até a Kendall Jenner, cobrando humildes 250 mil dólares, comenta do tal festival no seu Instagram.

Por um tempo, até os donos do Coachella ficam preocupados. Esse tal festival está contratando talentos pagando o dobro de valor do mercado. Quando sai para o público, parece coisa de outro mundo. Convidados serão levados para a ilha via jato particular, o ingresso oferece acesso à uma cabana villa exclusiva, a única água servida será Evian e o buffet mais exclusivo de Los Angeles vai oferecer alimentação. Imagine o Valhalla para gente americana mimada insuportável, esse é o Fyre Festival.

Porém…

Os “organizadores” nunca haviam feito um festival de música. Uma coisa que já é extremamente difícil de realizar em uma região com infraestrutura é significativamente pior em uma ilha sem saneamento, internet, ou estrutura mínima. Eles se mudam para uma ilha maior, que está totalmente ocupada por causa de um campeonato esportivo. O dinheiro vai sumindo, o tempo vai acabando e tudo indica que esse festival não vai acontecer, ou no mínimo, se tornar um pesadelo.

E no fim

É exatamente isso que acompanhamos. O hype desenfreado, a euforia que só poderia surgir de um grupo de babacas tentando impressionar pessoas nas redes sociais, e a inexistência de alguém que teria capacidade de dizer “não”. O eventual desastre é delicioso de acompanhar.

Os alemães tem uma palavra, “schadenfreude“. É a sensação de prazer ou alegria sobre o infortúnio alheio. E não existe palavra que descreve melhor a experiência de assistir Fyre Festival – Fiasco no Caribe. Não existe nenhum arco de redenção nessa história. Até mesmo os convidados, quando chegam à ilha, você se diverte ao ver um monte de paparicados surtando ao chegar no “vilarejo exclusivo” e verem que não passa de um campo de refugiados reapropriado.

Fyre Festival - Fiasco no Caribe

Apesar de todas as fotos de influencers e modelos, a foto que marcou o festival foi de um cara com quase nenhum seguidor no Twitter que publicou a foto desse sanduíche de queijo, a única coisa que foi oferecida para os convidados comerem na ilha. Longe dos exóticos sushi bars e comida indiana que havia sido prometido.

As consequências são desastrosas. Incontáveis trabalhadores caribenhos que se mataram para construir a área do festival começam a caçar os organizadores por não terem sido pagos. O FBI começa a investigar. Os funcionários, talvez os únicos inocentes da história, ficam meses sem receber salários. A parte mais estranha é que em nenhum momento você vai sentir pena de ninguém envolvido com essa história. Ao longo da narrativa, vemos a quantidade alarmante de sinais que existe algo de errado com o projeto, não é possível que ninguém teve culhão de discutir com essas pessoas.

Se existe algum tipo de lição a ser tirada do documentário envolve o desespero das pessoas viverem uma imagem fictícia e fabricada. No fim do dia, um bando de mimados e loucos, sem dinheiro algum, levaram um monte de gente na conversa porque o apelo de participar de algo assim, com fotos em uma praia paradisíaca ou fazendo caras cretinas segurando uma garrafa de vodka cara é impossível de ignorar. O documentário mostra empresas que ganham dinheiro explorando facetas do que o o Fyre Festival tentou criar.

De qualquer forma, Fyre Festival – Fiasco no Caribe é um documentário fantástico. Sem grandes surpresas, o documentário é uma bela demonstração de um tonel enchendo de gasolina com alguém se aproximando com um fósforo aceso.

O documentário já está disponível na Netflix.

Até a próxima!

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Nota
9.3
Nota
O bom
  • Você sabe que o documentário promete quando um executivo precisa oferecer sexo oral para um agente alfandegário.
  • Direção
    8
  • Elenco
    10
  • Enredo
    10
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CriticasFilmes

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