[CRÍTICA] Game of Thrones – T06E01 – “The Red Woman”

Game of Thrones ruma à águas não exploradas “E agora?” Uma pergunta bastante recorrente para a audiência de Game of Thrones que sempre surgia após grandes eventos, como a...

Game of Thrones ruma à águas não exploradas

“E agora?”

Uma pergunta bastante recorrente para a audiência de Game of Thrones que sempre surgia após grandes eventos, como a morte de Ned Stark, a Batalha de Blackwater, o Casamento Vermelho, a morte de Jon Snow etc. Naturalmente, havia aquela parcela minoritária de leitores das Crônicas de Gelo e Fogo que sempre tinha a resposta na ponta da língua. A quinta temporada foi a última da série que ainda se manteve ancorada ao material já publicado de George R.R. Martin. Pela primeira vez, tanto leitores quanto leigos se reúnem em uma só voz para bradar…

“E agora?”

No Castelo Negro…

Jon Snow – até o momento – jaz morto. Alguns poucos amigos, seu lobo e Davos Seaworth recolhem seu corpo e se refugiam em uma câmara do Castelo Negro e tentam elaborar um plano contra Aliser Thorne. Ele já admitiu seu envolvimento na morte de Snow e conseguiu convencer uma boa parcela da Patrulha da Noite que seu ato, por mais contra as leis da ordem, era o correto. A morte de Jon Snow abre algumas possibilidades sobre o destino do herói: será que ele migrou sua consciência para dentro de Ghost? Será que a presença de Melisandre, consternada pela visão de Jon na batalha de Winterfell que não viria a se cumprir, o trará de volta a vida? Sabemos que há pelo menos um sacerdote de R’hllor em Westeros que tem os poderes para ressuscitar os mortos…

Em Dorne…

Falando em morte, Dorne passa por uma pesada revolução. Doran é assassinado por Ellaria e as filhas de Oberyn, Areo Hotah e Trystane Martell também perdem suas vidas. Aparentemente, a frágil aliança entre Oberyn Martell e as Cobras de Areia presentes no livro e o envio de seu filho Quentyn para cortejar Daenarys Targaryen foram descartados em troca de um desfecho mais simples. Com a morte de Myrcella Baratheon, tudo indica que ainda haverá um conflito com Cersei no futuro, mas uma grande parte das reviravoltas e intrigas políticas foram jogadas de lado. Um desperdício, pois tudo indicava que Dorne era a única província que enxergava o tabuleiro inteiro e estava disposta a apostar em jogadas ousadas para vencer o jogo.

Em Essos…

Daenarys é encontrada e levada como escrava pelo Kahlasar de Khal Moro, outra parte que já navega além das páginas publicadas. Após algumas trocas de farpas e mais um discurso inflamado de durona, finalmente Moro descobre que ela, como a viúva de um Khal, pertence ao templo de Vaes Dothrak junto com as demais ex-Khaleesi. Esta cena, em particular, é disjuntada demais para funcionar com Daenarys estufando o peito e listando sua lista de supermercado de títulos e nomes enquanto os capitães de Moro fazem comentários sobre o que é melhor que uma mulher nua. Tudo apresentado como um sketch de Monty Python.

Em Winterfell…

Algumas tramas da série, já bem afastadas do proposto nos romances, continuam a trilhar caminhos novos. Sansa e Theon fogem de Winterfell, mas são rapidamente rastreados pelos cães de Ramsay Bolton. O que seria mais um traumático episódio em uma longa série de tormentos aparentemente desnecessários é sanada com o surgimento de Brienne. Com os caçadores derrotados, ela finalmente conquista um de seus sonhos, se tornar Espada Jurada de uma das filhas de Catelyn Stark em uma cena muito forte que reflete o juramento feito tantos anos atrás para a matriarca dos Stark. Nos livros, Sansa nunca vai para Winterfell, permanecendo no Vale de Arryn onde ajuda Paetyr Baelish a consolidar seu poder político aprendendo a se tornar uma hábil manipuladora. A “Sansa” que se casa com Ramsay é Jeyne Poole, melhor amiga da filha de Ned. Como inúmeros personagens envolvidos neste momento de Winterfell ou estão mortos, ou não foram introduzidos na série, fica difícil entender onde exatamente a história de Sansa Stark irá se encerrar.

Em Braavos…

Arya, ainda em Braavos, continua sua vida como uma mendiga cega nas ruas. Esta etapa de seu treinamento como “Homem sem Rosto”, envolve aprimorar seus sentidos. Para tal, periodicamente ela treina com sua colega assassina com bastões, faltando apenas um diploma em advocacia e uma ardente culpa católica para se tornar uma certa série bastante popular envolvendo cegos que lutam artes marciais.

E o desfecho chocante obrigatório.

Finalmente, chegamos no momento discussão obrigatório. Game of Thrones passa por um sério síndrome de Casamento Vermelho, onde cada episódio se encerra de forma chocante para provocar o burburinho das redes sociais até o domingo seguinte. Apesar de não ser tão estrondoso quanto outras ocasiões, é repleto de possibilidades. Melisandre, perturbada com os rumos perdidos e afastados de suas profecias, se fecha em seu quarto e remove a misteriosa joia que sempre adorna seu pescoço. O corpo saudável e belo da feiticeira gradualmente envelhece até torna-la uma carcaça frágil. Isto abre algumas interessantes teorias:

  • Melisandre, ao utilizar seu corpo para invocar assassinos de sombras, sofre um desgaste físico monstruoso, tornando-a muito mais velha que seus anos aparentam.
  • Melisandre é muito mais velha que aparenta, nos livros, ela consegue usar magia de ilusão, seria ela vivida de séculos [TERIA ELA VIVIDO POR SÉCULOS?]? Apenas encobrindo sua velhice com truques? Neste caso, quem de fato é ela?
  • Uma das alternativas é que Melisandre, na verdade, é Shiera Seastar, irmã de Brynden Rivers e uma dos Bastardos Reais de Aegon IV Targaryen. Seu irmão já apareceu na série como o misterioso homem na árvore que Bran encontra na temporada anterior. Assim como Brynden, Shiera era conhecida por utilizar magia.
  • Outra opção é Serenei de Lys, uma das amantes de Aegon e mãe de Shiera, que muitos acreditavam que fosse muito mais velha do que aparentava e, é claro, usuária de magia. Supostamente morreu no parto de Shiera, mas não seria a primeira vez que alguém fingiu sua morte e fugiu de Westeros. Não é mesmo?

A série perdeu um pouco de sua narrativa mais bem amarrada e algumas revelações correram em velocidade quase cômica, mas Game of Thrones entregou um episódio bastante sólido.

Até a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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