[CRÍTICA] Game of Thrones – T06E02 – “Home”

Em Game of Thrones o que todos imaginavam que fosse acontecer, aconteceu. A essa altura do campeonato, qualquer ser vivo com um pulso cardíaco, uma conexão de internet e...

Em Game of Thrones o que todos imaginavam
que fosse acontecer, aconteceu.

A essa altura do campeonato, qualquer ser vivo com um pulso cardíaco, uma conexão de internet e um interesse por Game of Thrones já sabe a grande revelação do episódio, mas antes de mergulhar nas possíveis repercussões desta cena, vamos voltar um pouco e entender o que está rolando em outros cantos de Westeros.

No Norte, Além da Muralha…

Bran continua seu treinamento como warg sob a supervisão de Brynden Rivers e usa suas habilidades para ver eventos passados. O jovem Stark testemunha um dia em um Winterfell perdido há tempos pela violência e guerra. Um jovem Ned, seu futuro pai, treina com seus irmãos Benjen e Brandon. Surge Lyanna, a irmã Stark, e temos em primeira mão um vislumbre de sua personalidade independente e audaciosa, características extremamente importantes para as inúmeras teorias que rodeiam o que de fato aconteceu com ela no passado. De quebra, também vemos Hodor ainda lúcido e com capacidade de fala. Ainda como um bom amigo de Lyanna, que se chama Wyllis (no livro, seu nome é Walder, mas devem ter mudado para não confundir com os Frey), não é revelado o que acontece para o pobre rapaz se tornar o limitado Hodor.

Max Von Sydow é um excelente ator, mas para quem estava esperançoso para ver o Corvo de Sangue pode ficar um pouco decepcionado. Lord Rivers era um mago, mestre de espiões e extremamente temido agente da coroa Targaryen 100 anos antes do início de Game of Thrones. Albino, seu apelido vem de uma mancha rubra em formato de corvo em seu pescoço. Nos livros, sua forma anciã aprisionada em una árvore é macabra, com galhos e raízes entrando e saindo do personagem. Sydow ficou um tiozinho gente boa, meio que um Obi Wan medieval. Uma pena, uma caracterização tão marcante se perde em meio aos inúmeros personagens da série.

No Norte, no Castelo Negro…

O tempo de espera no Castelo Negro acabou e Alliser Thorne exige que Davos e os demais entreguem o corpo de Jon Snow. Por sorte, o plano desesperado de Edd dá certo e os Selvagens retomam o castelo com a ajuda de Wun Wun, o gigante. Alliser é preso e por enquanto tudo parece em ordem.

Davos pergunta para Melisandre se existe alguma forma de ressuscitar Jon Snow, considerando tudo que ele já viu a Mulher Vermelha fazer, não seria surpresa ela tirar uma ressurreição da cartola. O tema de voltar a vida tem uma sincronia temática muito forte com o conceito de lar explorado no começo do episódio. Um desejo de restaurar as coisas para um período pré-catástrofe, em diferentes formas. A narrativa nesta trama atua como uma força que impulsiona o mundo de Westeros rumo a um cenário imaculado pela guerra, sofrimento e violência.

Em Porto Real…

Cersei, completamente estripada de seu poder e autoridade, é mantida como uma refém na Torre Vermelha. O Rei Tommen, temeroso que sua mãe possa sofrer represálias, a mantém afastada e longe do funeral de Myrcella. Seu último fragmento de poder reside em Robert Strong, o monstruoso novo membro da Guarda Real que demonstra sua força desumana esmagando o crânio de um plebeu que ousou macular o nome da Rainha Mãe.

Robert Strong, apesar de faltar algumas confirmações, muito provavelmente é A Montanha ressuscitado com a ciência necromântica de Qyburn, o Mestre Renegado. Novamente, temos o simbolismo da ressurreição na trama e o desejo de Cersei de restaurar sua posição em vida, o desejo de retornar ao “antes”.

Jaime encontra o Alto Pardal no Grande Septo. Em uma conversa sobre medos, inseguranças e fé, a arrogância e prepotência do Lannister é posta em cheque quando a Fé Militante cerca ambos. Nas palavras do Pardal, “Somos todos sem nome. Somos todos pobres. Mas juntos, derrubamos um império.” Finalmente, o perigoso jogo de Tronos da nobreza começa a lidar com o povo que sofre.

Em Mereen…

A cidade conquistada por Daenerys continua passando por maus bocados. Os restos das cidades escravagistas já foram retomadas. Tyrion decide se aproximar dos dragões em cativeiro e solta-los. Seriam os dragões realmente inteligentes ou será que o Duende tem mais fogo no sangue do que imaginávamos?

Hora de Teoria:

Algumas teorias apontam que Tyrion não é filho de Tywin Lannister e seu verdadeiro pai é Aerys Targaryen, o Rei Louco e pai de Daenerys. Há indícios que Aerys abusou sexualmente de Joanna Lannister. Sabe-se que muitas mulheres não Valirianas têm dificuldades em sobreviver a uma gravidez Targaryen, Joanna faleceu no parto de Tyrion. O ressentimento de Tywin pelo filho realmente vem do fato dele ser responsável pela morte de sua amada esposa e a consequente deformidade da criança, ou seria algo mais terrível?

A facilidade com que Tyrion se aproxima dos dragões, visto como nos livros que outros personagens que tentaram terminaram mortos, deixa espaço para novas possibilidades não?

Em Winterfell…

O filho de Roose Bolton nasce. Ramsay agora tem um irmão mais novo. Um irmão que nasceu dentro de um laço de matrimônio entre nobres e com um título legítimo. Naturalmente, isso não termina bem. Roose é assassinado pelo próprio filho e Walda e o bebê são devorados pelas cadelas enfurecidas do Bastardo de Bolton.

O desfecho em Winterfell, assim como em Dorne, parece ser mais apressado e sem o potencial para repercussões que encontramos nos romances, mas ainda tem tempo para alguma reviravolta interessante.

Nas Ilhas de Ferro…

Os Greyjoys estão de volta e, diga-se de passagem, em um dos trechos mais interessantes das Crônicas. Esquecidos pela guerra dos cinco reis e após sofrer perdas severas no Norte, Balon Greyjoy está enfurecido. Atravessando uma das precárias pontes que ligam as torres, ele encontra seu irmão Euron, há muitos anos afastado das ilhas. Enlouquecido por motivos desconhecidos, o capitão pirata do navio Silêncio retorna com o objetivo de tomar a liderança das Ilhas de Ferro. Um dos mistérios do livro é revelado ao mostrar que a morte de Balon realmente não foi um acidente.

Nos livros, Euron capitaneia um navio com uma tripulação completamente muda e supostamente já velejou pelo mundo todo, inclusive Valyria, onde acumulou itens mágicos, inclusive chifres que controlam dragões. Com a morte de Balon, chega a hora de convocar a Assembléia para eleger o novo Senhor das Ilhas de Ferro. Aguardamos…

E de volta ao Norte…

Retornamos ao tema da ressurreição com o evento mais esperado da noite: o retorno de Jon Snow. Melisandre conduz um longo ritual de limpeza e sacrifício para traze-lo de volta ao mundo dos vivos. E sim, funciona, o episódio conclui com o herói novamente respirando, basta saber se ele de fato retornou ou se trata de mais um zumbi.

Era de se esperar que Snow realmente não estava morto, ainda mais com a introdução de Lyanna Stark na série. Talvez a teoria mais aguardada pelos fãs da série é a verdadeira origem do bastardo de Stark.

Hora de Teoria (2):

Nos dias finais da Rebelião de Robert, Ned Stark e Howland Reed, acompanhados de cinco guerreiros, se aproximaram da Torre da Alegria, onde Lyanna Stark supostamente estaria sendo mantida. Na entrada, três membros da Guarda Real estavam de guarda. No final da batalha, com apenas Ned e Howland sobrevivendo, descobrem Lyanna dentro da torre coberta de sangue.

Um dos motivos pelo início da Rebelião de Robert, que tirou a dinastia Targaryen do Trono de Ferro, foi o aparente sequestro de Lyanna Stark por Rhaegar Targaryen, filho do Rei Louco e irmão mais velho de Daenerys. Será que realmente foi sequestro? Por que a Guarda Real, a força de elite dedicada à proteger somente o rei e a família real seria alocada para defender uma “pessoa qualquer”? E a cama de sangue? Será que Lyanna não estava morrendo por ter acabado de trazer ao mundo mais um Targaryen? E assim, como as demais mulheres que tentaram, estava padecendo por ter sido uma gravidez tão traumática?

Seria esta criança Jon Snow? Ou melhor, seriam estas crianças, Jon Snow e Meera Reed? Cada uma levada por um dos guerreiros sobreviventes juntos com a promessa de jamais revelar suas origens?

Apenas o tempo dirá.

Vallar Morghulis!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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