[CRÍTICA] Game of Thrones – T06E06 – “Blood of my blood” + Teoria

Game of Thrones prepara o terreno para futuras revelações em um episódio morno Como já era de se esperar, Game of Thrones chegou aos episódios de miolo. Agora é...

Game of Thrones prepara o terreno para
futuras revelações em um episódio morno

Como já era de se esperar, Game of Thrones chegou aos episódios de miolo. Agora é a hora de respirar e preparar a trama para o final de temporada daqui há quatro episódios. Apesar da trama vaga, momentos interessantes foram apresentados.

Em Porto Real…

As forças da Casa Tyrell marcham em Porto Real para libertar Margaery da Fé Militante. Todos são pegos de surpresa quando ao lado do Alto Pardal, vemos a rainha de Westeros acompanhada do Rei Tommen. O povo se apaixona ainda mais por ela e a investida militar é trucada.

Será que Margaery realmente viu a luz? Muito provavelmente não, considerando que ela sempre foi a rival mais pragmática de Cersei. Historicamente (em Westeros), os reis mais religiosos sempre foram mais populares entre o povo – uma jogada que sempre esteve presente nas tramoias de Margaery – e esta nova exibição de união entre Igreja e Estado colocou as massas a favor de Tommen.

Nos livros, não temos muito acesso ao que de fato a rainha faz. Sua presença é constante nos capítulos narrados por Cersei, mas é difícil separar o que realmente é fato do que é meramente paranoia da Rainha-Mãe. Em certos momentos, a narrativa nos leva a acreditar que todo o lado maquiavélico e interessado em tomar controle de Porto Real são puras desilusões fomentadas pelo alcoolismo de Cersei. Tanto que na trama, Margaery jamais é sujeitada a caminhada da penitência, optando por um julgamento pela Fé dos Sete e tendo seus “crimes” vistos com considerável menor gravidade do que os de Cersei. Se tem um ponto alto em Game of Thrones é tornar Margaery uma personagem com mais dimensões e uma jogadora política intrigante.

Em Monte Chifre…

Sam leva Gilly para o castelo ancestral da Casa Tarly. Sua amante e seu “filho” são recebidos de forma calorosa pela amável mãe e irmã de Samwell. No jantar, finalmente conhecemos Randyll Tarly, o homem implacável que enviou seu filho para a Patrulha da Noite sob ameaça de morte.

Em poucos minutos aprendemos rapidamente quem é Randyll Tarly em Game of Thrones: um homem duro e controlador. Ele silencia as mulheres, continuamente desrespeita a falta de masculinidade e gordura de seu filho mais velho e demonstra seu desprezo extremo por Selvagens ao descobrir as origens de Gilly. Seu ódio é tanto que desconsidera qualquer feito heroico de Sam além da Muralha…

O que é um pouco estranho. Os Lordes da Campina raramente enfrentaram ameaças do Norte. O ódio de Randyll Tarly por Selvagens ser tão palpável não faz muito sentido. Os senhores jurados de Winterfell tendem a expressar esse tipo de desprezo já que incursões do povo Além da Muralha são um problema constante, mas raramente é algo notado pelo Sul.

De qualquer forma, Sam decide ir embora e levar Gilly junto. Como afronta final, rouba a espada ancestral da Casa Tarly, a Veneno do Coração (que estranhamente não é um EP da Deborah Blando). Uma das poucas espadas que é abertamente declarada como aço valiriano, algo que nitidamente foi deixado de propósito, uma arma de Chekov (ou espada de Chekov) que vai ter sua presença relembrada em futuros episódios.

Randyll Tarly tem uma presença consideravelmente maior nos livros. Ele é considerado um dos maiores generais de guerra de Westeros e, em Dança dos Dragões, torna-se o Mestre das Leis do Pequeno Conselho. A libertação de Margaery da prisão da Fé Militante é feita sob sua proteção. Vamos aguardar para ver como a introdução do personagem vai afetar a trama.

Em Braavos…

Arya, por meio da trupe dos atores e sua peça apresentada assiste a encenação da morte de Joffrey no notório casamento roxo. É interessante ver como sua missão tem um objetivo secundário. Para se tornar um Homem sem Rosto é preciso eliminar qualquer traço de identidade e personalidade. Obrigá-la a confrontar todos os eventos de Westeros que a colocaram nessa jornada é uma forma muito prática de reforçar as motivações da personagem, relembrar a audiência alguns dos eventos mais marcantes das últimas temporadas e, inevitavelmente, impulsionar Arya para retomar sua missão de vingança.

Ironicamente, é um discurso de Lady Crane, a atriz que interpreta Cersei nesse teatro, que faz Arya relembrar sua missão. É nesse momento que ela descobre que ela tem mais em comum com um dos seus “alvos” do que ela gostaria de admitir: ambas não são do tipo de pessoa que estão dispostas a fazer nada quando algo é tomado delas. E assim, Arya abandona sua missão de assassinar a atriz, recupera sua espada e se prepara para deixar a Guilda.

Em Mereen…

Daenerys marcha com seu gigantesco Kahlasar. Ela pede para todo mundo esperar, vira na esquina e ressurge voando em Drogon. Ela pousa e faz mais um discurso ao estilo “Eu sou Daenerys – 36 títulos –  e blábláblá fogo blábláblá sangue blábláblá trono”. Parece que os roteiristas estão substituindo qualquer semblante de desenvolvimento de personagem para simplesmente colocar Dany fazendo esses discursos hiperbólicos. Como se ela fosse o Kanye West de Westeros… Kanye Westeros…

A menos que no final das contas… Ela se torne a vilã da história? Não seria impossível de acreditar que ela, eventualmente, não se torne uma ameaça. Afinal, apesar dos dragões, das conquistas e dos discursos inflamados, ela essencialmente permanece como a mesma personagem desde a primeira temporada, uma característica típica de antagonistas.

Suspeito que veremos até o final desta temporada Dany com suas tropas finalmente atracando em Westeros. Tudo indica que elementos do Jovem Griff (o suposto filho de Rhaegar que sobreviveu ao Saque de Porto Real), foram incorporados na trama de Daenerys, entre eles a escamagris em Jorah Mormont no lugar de Jon Connington e Tyrion como conselheiro.

Na Gêmeas…

Walder Frey e sua gigantesca prole estão de volta. Para quem não se lembra, ele é o velho safado responsável pelo Casamento Vermelho. Apesar da coroa tê-lo tornado o Senhor das Terras do Rio no lugar dos Tully, seus filhos não conseguiram tomar o castelo de Correrrio. Brynden Tully, o Peixe Negro, tio de Catelyn Stark e prodigioso guerreiro experiente, tomou controle do castelo. Walder revela que ainda mantém Edmure Tully como prisioneiro e usará isto para tentar solucionar o impasse.

Para quem não lembra, Edmure é o irmão de Catelyn Stark e o noivo no casamento vermelho. Originalmente, Robb Stark havia sido prometido como marido para uma das (inúmeras) filhas de Walder. Como ele se casou com outra, seu tio foi escalado para cumprir com o acordo.

Os Frey também mencionam que a Irmandade Sem Bandeiras tem caçado soldados Frey de forma implacável. O que será que isso vai representar?

A Irmandade Sem Bandeiras foi formada por Berric Dondarion, um lorde que foi incumbido por Ned Stark, quando ainda era Mão do Rei, de caçar a Montanha quando este estava aterrorizando os camponeses. Junto a ele um Padre Vermelho conhecido como Toros de Myr o acompanhou na missão.

Berric morre e é sucessivamente ressuscitado por Toros. Seu grupo, formado por nobres e plebeus, atuam como protetores independentes tentando manter um pouco da paz em tempos de guerra.

Nos livros, alguns dias depois do Casamento Vermelho, o corpo de Catelyn Stark é resgatado de um rio por Nymeria, a loba de Arya que ainda é uma das predadoras nas Terras do Rio. A Irmandade a encontra e Berric sacrifica a magia que o mantém vivo para ressuscitar Cat.

Ela assume a alcunha de Senhora Coração de Pedra. Uma aterradora mulher deformada de pele esbranquiçada, cabelos quebradiços, rosto arranhado e um imenso rasgo na garganta que a torna muito difícil de entender quando fala. Sob sua liderança, a Irmandade começa a caçar Freys e Lannisters sem piedade.

Apesar das sucessivas afirmações que ela não apareceria na série, temos fortes chances de sermos surpreendidos. Afinal…

No Norte…

Meera está sozinha fugindo desesperada dos mortos tentando proteger Bran. Quando parece ser tarde demais, uma figura encapuzada a cavalo surge, derrota os inimigos e foge com os dois.

Ele é Benjen Stark. Ranger da Patrulha da Noite, irmão mais novo de Ned Stark e o homem que trouxe Jon Snow para a Muralha. Sua aparência é gélida e ele revela que passou pelo mesmo ritual que as Crianças da Floresta usaram para criar os White Walkers.  A única diferença é que reteve sua personalidade e sabe da importância que Bran terá em eventos futuros.

Apesar de George RR Martin ter afirmado algumas vezes que a identidade do Mãos-Frias não é Benjen… bom, está aí.

O episódio abriu com mais uma visão verde de Bran. Outro momento marcante dos eventos que precederam o início de Game of Thrones: a morte de Aerys, o Rei Louco. Jaime revelou para Brienne o motivo de ele ter assassinado o rei que ele jurou proteger e assumir a alcunha de regicida. O monarca pretendia incendiar todo o Porto Real com a ajuda dos Piromantes. Sua desonra ajudou a salvar a vida de milhares de habitantes da cidade. A loucura do rei foi o estopim para inúmeras indignações que culminaram na Rebelião de Robert (ou Guerra do Usurpador, dependendo de quem está contando). Eis aqui que surge uma nova teoria sobre possíveis revelações.

[alert type=red ]Teoria of Thrones[/alert]

Vimos que o poder da visão verde, sob certas circunstâncias, consegue manipular eventos passados. O pobre Hodor foi exemplo disso. E se ele não foi o primeiro evento que testemunhamos desta natureza?

Como alguns sabem, o pai de Daenerys era Aerys, O Rei Louco. Obcecado por fogo, é detentor de inúmeras histórias bizarras. Entre elas, a morte de Rickard e Brandon Stark, o pai e irmão mais velho de Ned. Tudo começa quando Rhaegar, o filho mais velho de Aerys, aparentemente sequestra Lyanna Stark, a irmã de Ned e esposa prometida de Robert Baratheon.

Os Stark vão para Porto Real em busca do príncipe dragão e exigem que Lyanna seja devolvida. A história termina de forma trágica para os Lobos que queimam enquanto o Rei Louco ri. Este evento culminou na rebelião de Robert e o fim da dinastia Targaryen.

Vamos voltar mais um pouco. Por que Rhaegar sequestrou Lyanna? Será que ele sequestrou ela mesmo? Um ano antes da morte de Rickard e Brandon houve um torneio em Harrenhal. Entre os participantes foram Ned, Howland Reed (o pai de Jojen e Meera – e responsável por enfiar uma faca no pescoço de Arthur Dayne no flashback da Torre da Alegria) e Lyanna. Howland foi assediado por alguns escudeiros e é defendido pela jovem Stark. No dia seguinte, um misterioso entrante cuja identidade ficou conhecida como o Cavaleiro da Árvore que Ri. Ele derrotou os cavaleiros responsáveis pelos escudeiros e os orientou a serem mais rígidos com seus aprendizes.

O Rei Aerys foi ao torneio, umas das raras vezes que saiu de Porto Real no auge de sua loucura. Tamanha era sua paranoia que começou a acreditar que o Cavaleiro da Árvore que Ri era um assassino enviado para matá-lo. Ele pede para Rhaegar desvendar a identidade do guerreiro misterioso.  Supostamente, somente seu escudo foi encontrado.

Rhaegar, termina como o campeão do torneio e choca todos os presentes ao nomear como Rainha do Amor e da Beleza no lugar de sua esposa, Lyanna Stark.

Eis que surge a teoria. Será que a loucura de Aerys era natural? Ou será que Brynden Rivers, misturando os sonhos proféticos que percorrem o sangue dos Targaryens e seus laços familiares, não produziu um rei louco que seria a batida da asa da borboleta para uma tempestade maior?

Afinal, se não fosse pela paranoia de Aerys, ele jamais teria enviado seu filho para descobrir a identidade do Cavaleiro – que muito provavelmente era Lyanna – e eventualmente ter se apaixonado pelo espírito audacioso da garota. Se não fosse pela agressividade do Rei Louco, talvez o que seria um mal entendido, terminou em tragédia, com a morte de Brandon e Rickard.

Brandon Stark estava prometido para se casar com Catelyn Tully, não Ned. Se não fosse pelo descontrole de Aerys, a linhagem de Eddard e Cat nunca teria existido. Nunca teriam surgido ao mundo Robb, Sansa, Arya, Bran e Rickon, todos personagens que em vida ou em morte, mudaram drasticamente o panorama de Westeros com suas ações. Vejam só se não fosse pela intervenção direta do Rei Louco, quão improvável seria que Bran – o próximo vidente verde e crucial para a batalha contra os White Walkers – viria a existir?

E Jon Snow? Talvez fosse necessário trazer ao mundo um Targaryen longe da mordomia e maciez de uma dinastia que confortavelmente reinou por 300 anos. Alguém que entendesse o papel do dever acima de tudo, que forjaria sua personalidade no gélido norte, sob o grito de “O Inverno Está Chegando”, um Dragão de Gelo, uma espada a ser empunhada pelo Vidente Verde na verdadeira guerra pelo futuro dos homens.

E perguntamos: o Corvo de Três Olhos deixou Aerys louco de propósito? Jogando uma moeda e apostando que conseguiria trocar o resultado antes dela cair no chão?

Até a próxima!

Comente via Facebook!

Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

Categorias
Sem categoria

Ver também