[CRÍTICA] Game of Thrones – T06E07 – “The Broken Man”

Game of Thrones oferece um episódio com temática rica Game of Thrones não depende só de cenas chocantes e revelações bombásticas para contar uma boa história. Com um ritmo...

Game of Thrones oferece um episódio com temática rica

Game of Thrones não depende só de cenas chocantes e revelações bombásticas para contar uma boa história. Com um ritmo narrativo mais pacato, a trama pondera o estado atual de Westeros, os altos preços pagos por anos de guerra e o impacto na alma das pessoas que se tornaram “ferramentas” nas mãos dos lordes e seu jogo perigoso.

Em algum lugar…

Em uma localização remota, vários camponeses trabalham juntos para erguer um septo. Em meio a este ambiente jovial reencontramos Sandor Clegane que demonstra raros sorrisos e aparenta estar em paz. O grupo é liderado por Ray, um criminoso reformado que agora segue a Fé dos Sete e age como um septão boca suja.

O título do episódio, “The Broken Man”, faz referência ao nome que George R.R. Martin usa para descrever pessoas que perdem seu senso de identidade após anos de conflito. Homens, geralmente da plebe, que pegam qualquer coisa que pode ser usada como arma e marcham com seus lordes para o combate. Anos de conflito e violência as vezes levam o homem para lugares distantes e, em meio a carnificina, ele nem sabe mais onde está, onde fica sua casa e nem mesmo quem ele é. Muito dos criminosos que assolam as estradas de Westeros são estes “homens quebrados”, vestígios da guerra que só entendem de sangue e morte.

Ray faz um papel misto do septão Meribald e o Irmão Mais Velho, explorando as temáticas que ambos os personagens trazem à narrativa. Meribald na questão do que acontece com pessoas que vivem há anos em meio à violência e o Irmão Mais Velho como uma figura que traz alento e paz aos atormentados. De certa forma, a famosa teoria do Coveiro das Crônicas de Gelo e Fogo é confirmada aqui. Nos livros, existe um local chamado de A Ilha Quieta, um refúgio para jurados da Fé dos Sete que buscam paz na reclusão. Neste local, existe um enorme homem que fez um julgamento de silêncio e cava covas para os mortos que perecem nas correntezas dos rios e terminam na ilha. Há fortes suspeitas que este homem é Sandor, que sobreviveu aos ferimentos e finalmente encontrou um lugar para escapar os horrores do mundo. É interessante ver como ao longo do episódio que sua alcunha o “Cão” é deixada de lado. Especialmente porque…

Em Correrrio…

Jaime Lannister marcha com suas forças para liberar o castelo de Correrrio de Brynden Tully, tio de Catelyn Stark. Os Freys diariamente ameaçam tomar a vida de Edmure Tully, seu sobrinho para tentar força-lo a sair do castelo fortificado. É interessante ver como a temática da identidade continua correndo pela trama com Jaime e Brynden se referindo com seus nomes famosos “Regicida” e “Peixe-Negro”, aqui temos homens que se definem pela sua proeza na batalha e se identificando pelas suas identidades forjadas neste meio.

As negociações não progridem muito. Porém, é uma boa desculpa para trazer Bronn de volta. Suas interações com Jaime foram a única coisa que salvou as partes de Dorne em Game of Thrones.

Em Porto Real…

Margaery parece ter se convertido totalmente à Fé dos Sete. Ela estuda o Livro dos Sete e conversa com o Alto Pardal. É interessante contrastar a personalidade de Ray com o Pardal. Aqui temos um homem que, apesar das vestes humildes, traça um plano político e uma posição linha-dura, inclusive impondo que a rainha deve ser mais dedicada aos seus deveres conjugais e produzir um filho com o Rei Tommen. Apesar de ter memorizado de forma impecável as palavras de sua religião, as palavras do alto sacerdote não trazem alento, só ordens.

Olenna Tyrell interage com sua neta e se mostra preocupada com a recente mudança de personalidade. A Rainha dos Espinhos é surpreendida ao ver que Margaery ainda retém seus planos, deixando nas mãos de sua avó, uma ilustração da rosa que representa sua família.

Os Tyrells, de todas as Grandes Casas de Westeros, sempre foi a mais peculiar. Aparentemente almejam se tornar a família mais proeminente e superar os Lannisters, mas sua forma de manipular as tramoias políticas indica intensões ainda não reveladas. Será que é pura ambição?

No Norte…

Jon e Sansa visitam algumas Casas para juntar forças para retomar Winterfell. Sua primeira parada é na Ilha dos Ursos onde reside a Casa Mormont. A atual matriarca da casa é uma garotinha de 11 anos. Lyanna é o que resta após seu tio Jeor ir para a Muralha e sua mãe morrer lutando por Robb Stark. Nenhum deles consegue convencê-la de sua causa até Davos intervir.

Ele entende o que ela está passando, sendo colocada em uma posição sem estar inteiramente pronta para assumi-la. Este momento de ternura, algo raro em uma série que as vezes preza demais pelo sensacionalismo, convence os Mormont de marchar rumo a Winterfell.

O mesmo não pode ser dito da Casa Glover, que ainda reserva ódio pelos Stark e os fracassos de Robb em sua campanha militar. Desesperada por mais reforços, Sansa escreve uma carta. Apesar de não revelado para quem é a mensagem, uma olhada mais afiada revela que ela escreve convocando os Cavaleiros do Vale para lutar ao seu lado, ou seja, Petyr Baelish.

De volta em algum lugar…

O grupo de Ray é abordado por alguns homens misteriosos que procuram “apoio” por patrulhar estas terras inóspitas. Apesar de resolver o possível conflito de forma pacífica, Sandor fica inseguro sobre a forma como a situação foi abordada. Os homens concluem sua interação falando que a “noite é escura e cheia de terrores”, um dizer típico dos seguidores de R’hllor, o Senhor da Luz.

Tudo indica que estes são membros da Irmandade Sem Bandeiras, e a direção dá bastante ênfase para a capa de um dos homens que aparece, muito provavelmente, este é Limo Manto Limão. Sandor se afasta para cortar madeira e quando volta, vê todas as pessoas mortas e Ray enforcado. Ele pega um machado e o episódio termina.

O que será que significa? Bom, nos livros, Beric Dondarrion sacrifica sua existência sobrenatural para trazer Catelyn Stark de volta à vida. Ela assume a alcunha de Senhora Coração de Pedra e distorce os ideais heroicos da irmandade. Ao invés de proteger os inocentes dos terrores dos lordes e sua guerra, eles começam uma sanguinária campanha contra Freys e Lannisters, sempre os enforcando em árvores como um aviso.

O fato da irmandade ter atacado sem piedade o grupo, indica que o propósito da irmandade mudou, será que, assim como Benjen Stark, podemos esperar outra figura mística entrando na série? E se Ray foi enforcado, ao invés de esquartejado como os demais, quem ele realmente era?

Em Braavos…

Arya se prepara para deixar Braavos para traz e retornar para Westeros. Confiante, se aproxima de um capitão e apresenta dinheiro suficiente para pagar uma viagem. Logo em seguida, é encontrada pela “garota abandonada”, uma das suas mentoras e é brutalmente esfaqueada na ponte. Ela foge se jogando no rio e vaga pela cidade sangrando.

Muito provavelmente ela não vai morrer, é uma jogada preguiçosa de televisão, mas geralmente podemos considerar que, se em um série como Game of Thrones que mostra cada morte no mais íntimo detalhe não mostrou o corpo, provavelmente não houve morte. Veja como Arya abandonou Sandor e nunca ficou claro seu destino.

Outro ponto válido, é que o rosto utilizado pela assassina…

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… é conhecido por Arya. Toda a forma como ela se portou, chamando atenção do capitão de Westeros e parando em campo aberto para ser identificada, indica que ela fez isso de forma proposital. Veremos.

Até a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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