[CRÍTICA] Game of Thrones – T06E08 – “No One”

Em Game of Thrones, a ausência de identidade é explorada Nas vésperas da tão aguardada “Batalha dos Bastardos”, Game of Thrones apresenta um episódio inteiramente dedicado aos papéis que...

Em Game of Thrones, a ausência de identidade é explorada

Nas vésperas da tão aguardada “Batalha dos Bastardos”, Game of Thrones apresenta um episódio inteiramente dedicado aos papéis que cada personagem cumpre na trama e o que acontece com eles quando perdem esse rumo. “No One” (“ninguém” em inglês) é o sumo da auto-percepção dos Homens sem Rosto, uma pessoa só pode se tornar um agente do Deus de Muitas Faces ao abandonar completamente quem ele já foi um dia. É uma temática que é explorada em diferentes facetas ao longo do episódio.

Em Porto Real…

Cersei enfrenta a Fé Militante que convoca sua presença ao Septo de Baelor. Ela usa a presença aterradora de Gregor Clegane ressuscitado para deixar bem claro que se o Alto Pardal deseja conversar com ela, ele precisa ir até ela.

Sua vitória tem vida curta. Na sala do trono, descobre que o Rei fará um anúncio e ela nem sequer foi convocada. Seu tio Kevan Lannister, o atual Mão do Rei, a informa que ela deverá permanecer junta às demais “ladies da corte”. Uma clara afronta à mulher que já foi a Rainha, a Rainha Regente e a Rainha Mãe. Após anos dedicada a manter a presença de sua família próximo ao trono, ela é deixada de lado e estripada de sua “identidade”.

O anúncio do Rei Tommen informa que não haverão mais Julgamentos por Combate, por considerá-lo uma prática barbárica de tempos mais violentos e reis mais sanguinários. Um “progresso” que talvez mostre que este Rei não é tão incompetente quanto seus antecessores, porém é um grande problema para sua mãe que dependia de seu protetor indestrutível morto-vivo para vencer este desafio. Agora, Cersei se vê sem recursos e inteiramente dependente da boa vontade dos septões que irão presidir seu julgamento.

É interessante ver como Game of Thrones se esforçou para tornar Cersei tão oprimida. Nos livros, ela é responsável por muito mais estragos em Westeros (algo que nunca é explorado em profundidade na série). Nas Crônicas de Gelo e Fogo, a decisão de Kevan de mantê-la afastada da corte não é feita por maldade, mas pelo fato que a Rainha Regente foi responsável pela ressurgência da Fé Militante que é muito mais perigosa e armada que em Game of Thrones, seu descaso com o Banco de Ferro de Braavos resulta na maior instituição financeira do mundo cessando acordos de crédito com todas as casas que apoiam o trono e efetivamente causando uma monstruosa crise econômica em Westeros, e suas tramoias contra Margaery e os Tyrell quase fazem os Lannisters perderem aliados valiosos. Ela ainda é uma personagem fascinante quando estudamos as motivações pela qual ela faz essas coisas e sua história, mas não fica claro o motivo que a série tenta pintá-la como uma pobre coitada vítima das circunstâncias.

Em Mereen…

Varys parte da cidade em uma missão secreta. Aparentemente, ele vai em busca de “aliados n’oeste” para preparar Westeros para a chegada de Daenerys. Tyrion fica para trás e decide agitar um happy hour com Missandei e Verme Cinzento. Em uma tarde calma, os três tentam se divertir com piadas até olharem pela janela e ver uma gigantesca frota naval dos antigos escravagistas de Mereen se preparando para sitiar a cidade.

Algumas horas depois, Daenerys aterrissa no telhado da pirâmide e entra pela janela, faltando apenas um bat-sinal e um comissário para ser a cena mais Batman que Game of Thrones já produziu.

A cena só serve de preparo para o episódio da semana que vem que promete ser recheado de batalhas épicas. Mesmo assim há uma certa análise interessante por trás da conversa sobre piadas. Com Verme mostrando que não entende o que é uma piada e também falando que não vê utilidade na prática, afinal soldados não devem ter humor. Tyrion rebate dizendo que isto é vestígio do treinamento dos Imaculados que busca tirar toda a humanidade e, consequentemente, senso de identidade dos escravos.

Em Correrrio…

Talvez a parte mais confusa do episódio. Brienne chega no sítio de Correrrio para conversar com Jaime.  O reencontro dos dois cavaleiros ameaça colocar o Regicida em um trajeto mais semelhante ao seu destino nos livros.

Eles falam de promessas mantidas, com Brienne orgulhosamente falando que ela encontrou Sansa e conseguiu resgatá-la. Jaime mostra orgulho genuíno. O plano dela é negociar com o Peixe Negro para ceder Correrrio sem violência. Em troca, marchará com suas tropas para auxiliar na retomada de Winterfell. Caso a tentativa dê errado, ambos estarão em lados opostos do conflito.

O plano dá errado, mas Jaime tenta um segundo plano: convencer Edmure Tully de render o castelo caso ele seja solto de seu cativeiro. Afinal, ele é o verdadeiro lorde de Correrrio. Qualquer construção vagamente heroica apresentada por Jaime nos momentos antes desta interação e qualquer reforço do caminho rumo à redenção que acompanhamos nos livros e o afastamento de seu romance com sua irmã que tem se mostrado tóxico, é deixado de lado. Jaime começa a vociferar sobre como a única coisa que importa na vida dele é seu amor por Cersei e o resto nada importa. Ele está disposto a matar tudo e todos para voltar aos braços dela. Por algum motivo, os produtores ainda acreditam que este é o melhor rumo para o personagem…

Edmure aceita o plano, o castelo é rendido, Brienne e Pod fogem na calada da noite e o Peixe Negro tomba em combate. O Regicida e a Protetora Jurada de Sansa Stark trocam uma última despedida à distância. Um momento bonito, porém, completamente confuso. Ok, entendemos que a série dá passos largos, passa por cima de vários detalhes e acaba chegando em grandes momentos da trama, mas o que esta cena inteira conquistou?

Em Algum Lugar…

Sandor consegue rastrear os homens responsáveis e, como manda a tradição da família Clegane, brutalmente os assassina. Ele continua seguindo seu caminho quando encontra Limo Mantolimão prestes a ser enforcado por… Berric Dondarrion.

Esqueça a Senhora Coração de Pedra, o fundador original da Irmandade Sem Bandeiras ainda está vivo e a morte de Ray e seus seguidores foi a obra de traidores do movimento. Ele tenta recrutar Sandor para a verdadeira batalha, a que está prestes a acontecer no gélido norte.

Será que a Irmandade vai se juntar à investida final contra o Rei da Noite? E o que os filhos de Walder Frey falaram alguns episódios atrás sobre eles aterrorizarem seus exércitos? Tem coisa aí…

Afinal, qual será a “identidade” de Sandor agora que ele deixou de lado o sanguinário Cão e seu reduto de paz foi destruído?

Em Braavos…

Arya é encontrada por Lady Crane e a atriz a ajuda a se recuperar de seus ferimentos. A waif a encontra e começam a reencenar Assassin’s Creed pelas ruas de Braavos.

Arya corre desesperada pelas ruas da cidade enquanto sua perseguidora a segue com aquele ar de T-1000. O desfecho é previsível e faz referência ao treinamento dos últimos episódios.

Ela volta para o Casa do Preto e Branco e deixa o rosto de sua inimiga no salão de faces. Ela fala para Jaqen que ela não é mais “ninguém” e sim, Arya Stark de Winterfell. Ela vai embora e seu antigo mentor a olha satisfeito.

Mas por que olhou satisfeito? Era sua intenção desde o começo treiná-la para voltar para Westeros? Ele era só uma figura mentora a la Karatê Kid? Existem várias teorias envolvendo a presença dos Homens Sem Rosto na história. Sabemos que um agente está presente na Cidadela sistematicamente eliminando alguns Mestres. Muito provavelmente, a destruição de Valíria foi obra deles e até suspeita-se que a tragédia de Summerhall foi orquestrada pela ordem. Será que o preparo de Arya é parte de um jogo maior?

Veremos.

Até a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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