[CRÍTICA] Game of Thrones – T06E10 – “The Winds of Winter”

O inverno chega em Game of Thrones e uma grande teoria é confirmada Tradicionalmente finais de temporada em Game of Thrones sempre foram a ressaca após o carnaval, um...

O inverno chega em Game of Thrones
e uma grande teoria é confirmada

Tradicionalmente finais de temporada em Game of Thrones sempre foram a ressaca após o carnaval, um respiro depois de um penúltimo episódio explosivo e cheio de batalhas. Depois de tantos capítulos navegando em mares não explorados, seria interessante ver como a temporada iria se encerrar.

“The Winds of Winter”, título do próximo livro da série, indica claramente o rumo diferente que Game of Thrones tomou em relação ao material original. Com um senso mais épico, e paradoxalmente, mais simplista, este episódio galopa para trazer o maior número de momentos marcantes possíveis – as vezes às custas de coesão narrativa e deixando pouco claro a quantidade de tempo passada entre um núcleo e outro.

O que o futuro promete com a chegada do famigerado inverno?

Em Porto Real

Chegou a tão esperada manhã do Julgamento dos Sete que decidirá o futuro de Loras e Cersei. Apresentado em tom pacato, acompanhamos os diferentes jogadores da trama se preparando para o evento que irá decidir seu futuro. Gradualmente, as cenas se configuram e remetem o terceiro ato de O Poderoso Chefão.

Os Tyrells já estão no Septo de Baelor com o Alto Pardal, a Fé Militante, Kevan Lannister e a nobreza ansiosa para assistir o desfecho do dia. Cersei e Tommen misteriosamente estão ausentes. Lancel Lannister, que há muito tempo abandonou seus títulos e nomes para servir à igreja, é incumbido de ir até a Fortaleza Vermelha em busca da Rainha Mãe.

O julgamento de Loras começa mesmo sem um dos acusados e, após meses preso e torturado, rapidamente admite que ter tido relações íntimas com outros homens e cede seu nome e título para servir à Fé. Temos um rápido vislumbre do plano de Margaery e sua aparente devoção extrema: garantir que seu irmão não sofra a pena máxima por suas “transgressões” e preservar o futuro de sua família.

O Miestre Pycelle, é convocado por uma criança de rua para receber uma mensagem importante. Lancel também é distraído por uma criança de rua que o faz segui-la até as catacumbas da cidade. Nos túneis secretos da cidade, Qyburn aguarda o antigo Grande Meistre e faz seu exército de crianças abandonadas esfaqueá-lo. Lancel recebe o mesmo destino, porém, sofre uma terrível descoberta…

Os episódios anteriores fazem pequenas menções ao fogo selvagem: a substância criada por Piromantes que Tyrion usou na Batalha da Água Negra. Segundo as histórias, Aerys, o Rei Louco, era completamente obcecado com a substância e havia produzido uma gigantesca quantidade para incendiar completamente Porto Real caso a Rebelião de Robert chegasse aos seus portões. Esta medida desesperada levou Jaime a assassiná-lo.

O novo Mestre dos Segredos de Cersei havia confirmado a existência do Fogo Selvagem e acumulou todo o estoque exatamente embaixo do Septo. Lancel desesperadamente tenta apagar as velas que lentamente queimam em direção à devastadora matéria, mas fracassa. O templo é completamente destruído e todos dentro morrem.

Todos os esforços de Kevan Lannister para manter sua sobrinha sob controle e manter a ordem no reino foram em vão. As maquinações políticas de Margaery Tyrell terminam de forma fútil. O Alto Pardal e sua presença ameaçadora não existem mais. Enquanto isso Cersei, trajada com um novo vestido sombrio, calmamente toma vinho e assiste seus inimigos padecer. Seu único filho restante, o Rei Tommen, é impedido de sair do castelo e assiste com horror a destruição. Sobrecarregado, toma sua própria vida ao se jogar da janela. Para alguém que sempre usou a necessidade de proteger suas crianças como motivação para diversas atrocidades cometidas, Cersei mal esbanja reação ao ver o corpo estilhaçado do filho.

O trecho funcionou muito bem da forma como o universo foi construído na televisão. Ao invés de Kevan e Pycelle morrerem nas mãos de Varys para deixar Cersei desimpedida em sua loucura que desestabilizará o reino, ficou mais catártico deixar a nova “Rainha Louca” semear o caos com suas próprias mãos. O figurino ficou um pouco Rainha Má demais e novamente o roteiro flerta com a ideia de bem contra o mal maniqueísta. Uma construção que parece pouco natural em meio à ambiguidade moral de Game of Thrones.

No Norte…

Benjen traz Bran e Meera para a Muralha e avisa que ele não consegue seguir a jornada. A estrutura não é feita somente de gelo e pedra. Poderosos encantamentos impedem a travessia dos White Walkers e seu exército de mortos. Será que Bran, ao atravessar, trará consigo a marca do Rei da Noite, assim como na caverna do Corvo de Três Olhos? Só na próxima temporada saberemos…

Maaaaaaas, nem tudo é especulação. Bran tem mais uma visão que confirma, não só uma teoria, mas talvez A teoria:

Voltamos à Torre da Alegria. Um jovem Ned Stark escuta os gritos de sua irmã e corre para socorrê-la. Encontra sua irmã em uma cama ensanguentada e descobre que ela acaba de ter um bebê. A criança é fruto da união de Rhaegar Targaryen com Lyanna Stark (R+L), apesar de não conseguirmos ouvir o nome que a mãe dá ao bebê, sabemos quem ele é: Jon Snow (= J). A famosa promessa feita envolve manter sua origem secreta. Caso Robert Baratheon descubra – que não só sua amada se envolveu com seu maior inimigo, mas também produziu uma criança capaz de tirá-lo do trono – irá matá-lo sem piedade.

Seu nome verdadeiro nunca é revelado, mas tudo indica que não é “Jon”. Faria sentido Rhaegar batizar seu filho com um nome Valiriano, o movimento labial indica que seja “Jahaerys”. Um nome importante para a dinastia Targaryen e atribuído a alguns dos melhores reis de Westeros.

Assim descobrimos que a honra de Ned jamais foi maculada, que ele viveu com esta mentira por anos para proteger o último resquício de sua irmã.

O flashback corta para Winterfell…

Onde Jon Snow reúne as casas juradas do Norte. Algumas casas estão relutantes de começar novamente à longa e árdua jornada para a independência sob a batuta de um Rei do Norte. Por sorte, a personagem mais casca grossa, Lyanna Mormont, fala de seu apoio a Jon para a batalha contra o Inverno. É um paralelo interessante, a nobre que foi nomeada em homenagem à sua mãe traz em sua presença, o rumo inicial para o destino de Jon tomar forma. Em seguida, diversas casas juram fidelidade.

Momentos antes, Petyr Baelish havia dito à Sansa que ele almejava o Trono de Ferro e ela ao seu lado. Por ora, rejeita o Mindinho, mas tudo indica que esta história ainda não se encerrou. Sansa Stark promete ser uma das personagens mais intrigantes e imprevisíveis da próxima temporada, sabemos que uma aliança política com Baelish não é de se jogar fora, será interessante ver como ela irá usar a obsessão por Petyr por Tullys-Starks ruivas a seu favor.

Na Cidadela…

Sam e Gilly chegam bem à tempo de ver a Torre dos Meistres soltar os corvos brancos anunciando o início do inverno. Na Cidadela, ele irá começar seu treinamento para se tornar o novo Meistre da Patrulha da Noite. Enquanto enfrenta a enfadonha burocracia da ordem, é ordenado a permanecer na gigantesca biblioteca da cidade. Maravilhado e apaixonado por livros, Samwell finalmente chega em um lugar que o fará feliz. Notem a estrutura central no teto do local e sua semelhança com a máquina que representa o Sol na abertura da série.

Nas Gêmeas…

Walder Frey comemora com Jaime Lannister a vitória sob o sítio de Correrrio. O Regicida se encontra em uma encruzilhada. Enquanto nos livros, ele decide se afastar o máximo do legado sangrento de sua família, até mesmo deixando de amar intensamente sua irmã, na série permanece extremamente envolvido com a politicagem que seu nome traz. Sua longa jornada com Brienne não surtiu o mesmo efeito na adaptação.

Isto é, até ver Walder dizendo que ambos são semelhantes. Que Walder não liga de ser um Lorde escroto, de ser zombado, de ser taxado de monstro. Que assim como Jaime, ele não liga para o que falam por suas costas…

Ele regressa para Porto Real bem a tempo de ver os escombros do Septo e testemunhar a coroação de Cersei. No lugar de orgulho, Jaime demonstra medo e incerteza. Será que diante do tenebroso reino de sua irmã, ele novamente terá de exercer o papel de regicida pelo bem de Westeros? Só o tempo dirá.

Enquanto isso, ainda nas Gêmeas, uma servente revela sua verdadeira identidade: Arya Stark. E assim, Walder Frey é riscado de sua lista.

Em Dorne…

Ellaria Sand e as filhas de Oberyn se reúnem com Olenna Tyrell. Sem herdeiros, a Rainha dos Espinhos não se importa mais com a sobrevivência de sua casa, mas sim, com vingança. Varys surge com a solução: Fogo e Sangue, as palavras dos Targaryen e indicando que Daenerys é a escolha certa.

Por um lado, é interessante ver que a série não desistiu completamente de Dorne, por outro, como que Ellaria, uma bastarda sem nenhum vínculo à família reinante desta parte de Westeros conseguiu assegurar controle sobre a província? No mínimo, o Sul inteiro estaria em Guerra Civil.

Pelo menos, sabemos que Campina e Dorne se preparam para guerra, ainda mais que…

Em Mereen…

Daenerys prepara sua armada. Deixa Daario e os Segundos Filhos para manter a paz na recém renomeada Baía dos Dragões e nomeia Tyrion a Mão da Rainha.

A força combinada das Ilhas de Ferro de Yara, os Dothraki e os Imaculados navegam rumo à Westeros e uma nova temporada.

E assim, fechamos a sexta temporada de Game of Thrones, com uma presença feminina considerável em todos os núcleos. Uma rainha ocupa o Trono de Ferro, uma rainha de espinhos se prepara para vingar sua família, uma rainha se prepara para tomar aquilo que é seu e ao lado de um possível rei, e uma hábil manipuladora política prepara seu jogo para manter o nome Stark no poder, preparar suas forças para a Batalha do Inverno e manter seu irmão vivo.

A sétima temporada, agora chega só ano que vem e o jogo será ainda mais intrigante com tantas figuras femininas fortes tomando controle do tabuleiro.

Até a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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