Nossa crítica de Game of Thrones T08E01 "Winterfell, o primeiro episódio da temporada final de Game of Thrones. Confira nossa análise completa do episódio!

Game of Thrones - Temporada 8 Episódio 01 - "Winterfell"

O INVERNO CHEGOU!

A temporada final de Game of Thrones começa posicionando todos os jogadores no tabuleiro para a partida final

Aquela série que começou em 2011, que virou fenômeno mundial, que trouxe para os mais altos patamares da cultura pop a fantasia medieval, finalmente chegou em sua temporada final. Game of Thrones já ultrapassou todo o cânone publicado das Crônicas de Gelo e Fogo há pelo menos duas temporadas. E com um grande número de personagens diferentes, alguns já mortos nos livros, outros que nem sequer existiram na série. Nesta altura do campeonato, tentar chutar o que vai acontecer nos livros através da série só serviria para entender o que vai acontecer da forma mais geral possível.

Por isso, ao contrário das temporadas anteriores, nossas críticas nesta temporada vão raspar muito pouco nos livros, e só vamos falar deles em momentos cruciais.

Winterfell

Além do nome do primeiro episódio da oitava temporada de Game of Thrones, Winterfell também é sede de boa parte da trama da estreia. Daenerys e Jon chegam ao lar ancestral dos Starks acompanhados do exército que a Mãe dos Dragões acumulou em sua jornada. Os Imaculados, a Irmandade sem Bandeiras, os Dothraki, e Drogon e Rhaegal, os dragões remanescentes que sobreviveram ao ataque do Rei da Noite.

É interessante observar aqui os paralelos entre este episódio e o primeiro episódio de Game of Thrones. Um monarca chega em Winterfell para pedir o apoio do Stark regente do castelo, que apesar de apreensivo sobre eventos futuros, relutantemente aceita a missão. Tivemos isso com Ned Stark e Robert Baratheon, e agora vemos isso se repetindo entre Sansa Stark e Daenerys Targaryen.

O clima é tenso. Jon saiu de Winterfell proclamado o Rei do Norte e voltou como um servo de uma nova pretendente ao Trono de Ferro. É um contraste interessante. Mostra como Snow sempre abdicou do poder para o bem maior, uma distinção notável ao se comparar com sua “tia” que cegamente acumula poder e retribui ameaças com violência máxima.

Inclusive, ela revela a Sam que seu pai e irmão foram executados por se recusarem a se ajoelhar perante à ela. Levando Sam a finalmente revelar a verdade para Jon. Que ele é Aegon VI Targaryen. Filho de Lyanna Stark e Rhaegar Targaryen. E herdeiro legítimo do Trono de Ferro.

Vale lembrar aqui que pelas leis de Westeros, o filho de um primeiro filho tem mais direito ao trono do que irmãos de seu pai. Ou seja, neste caso, Jon tem mais direito que Daenerys, por ser filho de Rhaegar enquanto Dany é irmã dele.

Antes disso tudo, a série mergulha em território de fan service e mostra Jon e Daenerys voando nos dragões e aprofundando seu relacionamento amoroso.

Jon fica sabendo de sua verdadeira origem, e é aqui que fica o cliffhanger do episódio. Mas vamos mergulhar mais.

Ainda em Winterfell, outros reencontros interessantes. Arya com o Cão e com Gendry. Além do reencontro com seu, até então, meio-irmão Jon Snow. A personagem continua um grande mistério e será interessante ver como serão utilizadas suas habilidades de assassina com, aparentemente, tão poucos inimigos ainda tramando contra eles.

Tyrion e Sansa se reencontram também. Vale lembrar que em outros tempos, foram marido e mulher e ambos foram acusados da morte de Joffrey no “Casamento Roxo”. Foi um divisor de águas para ambos os personagens. Tyrion se vingou de seu pai, fugiu de Westeros e terminou como conselheiro e Mão da Rainha de Daenerys. Sansa foi treinada por Petyr Baelish para ser uma grande manipuladora política e teve trágicos aprendizados sobre crueldade quando foi “esposa” de Ramsay Bolton.

Apesar de todos os encontros, pouco foi estabelecido além das dificuldades que o Norte enfrentará nas batalhas que estão por vir, tanto entre os nobres que não aceitam a nova rainha quanto as reservas de alimentos que poderão não sobreviver ao inverno eterno.

Em Porto Real

Euron Greyjoy traz a Companhia Dourada para servir a Cersei nas batalhas que estão por vir. Aqui tem uma divergência interessante em relação aos livros. Nas Crônicas, Companhia Dourada não é só mais um grupo de mercenários em Essos, mas um grupo que nasceu devido a uma das inúmeras consequências trágicas da Dinastia Targaryen.

Fundados por Aegor Rivers, um dos grandes bastardos filhos de Aegon IV Targaryen. Este rei decadente teve tantos filhos ilegítimos que alguns começaram a acreditar que eram os verdadeiros herdeiros do trono. Começando assim, a Rebelião Blackfyre. Foram cinco Rebeliões no total com nobres e companhias mercenárias invadindo Westeros para derrubar os Targaryen do poder e colocar um Blackfyre no trono. A Companhia Dourada participou de praticamente todas as investidas, inclusive a Guerra dos Reis de Nove Moedas que envolveu em combate personagens marcantes como Barristan Selmy e Brynden Tully.

Eles são o maior exército mercenário da atualidade. São conhecidos assim pois carregam consigo toda sua riqueza. Todos os soldados andam cheios de jóias e ouro. E todas os crânios dos Blackfyre são cobertos de ouro e usados como estandarte, para o dia que finalmente tomarão Westeros para si.

Além disso, nos livros, a Companhia está secretamente associada a Jon Connington, um lorde exilado e melhor amigo de Rhaegar Targaryen que protege um garoto que supostamente é o Príncipe Aegon Targaryen, filho de Rhaegar. Nenhum dos dois personagens foi mencionado até agora, e muito provavelmente não farão parte da série. Jon Snow tem o nome de Aegon na série, o que ficaria muito confuso (será que no livro o nome dele será Jahaerys?).

Da Companhia Dourada, o único personagem que apareceu em Game of Thrones é Harry Strickland, um comandante de certa importância. Veremos como a presença destes mercenários servirá aos propósitos de Cersei.

Os Greyjoy

Theon alcança a Frota de Ferro e resgata sua irmã. Yara está determinada a retomar as Ilhas de Ferro para Daenerys. Caso tudo dê errado no Norte, as ilhas são um refúgio seguro para sobreviver o caos que tomará conta do continente. Theon decide que precisa se redimir e vai em direção ao Norte para se juntar as forças da Rainha.

Euron, uma das grandes decepções da adaptação (ele é bem mais interessante nos livros), seduz Cersei e começa um delicado jogo de poder para se consolidar como rei em Westeros. Será que vai dar certo? Cabe ao tempo julgar.

No Norte

Tormund, Beric Dondarrion e Eddison Tollett, reunidos via Jon Snow, vão para Last Hearth investigar porque os Umbers não retornaram com as tropas. Encontram uma cena de massacre sombria, o castelo tomado pelas forças do Rei da Noite e Ned Umber empalado numa parede cercado de partes de corpo formando uma espiral misteriosa, semelhante à que aparece no primeiro episódio da série. Outra repetição de tema que aos poucos será revelado o significado.

Em geral, como todo primeiro episódio de temporada de Game of Thrones, Winterfell serviu para estabelecer o tom e dinâmicas de personagem para o restante dos episódios. Os cortes de interação entre personagens ficaram acelerados demais. A necessidade de mostrar pequenas interações sobrepuja qualquer tipo de diálogo profundo que estabeleça de fato algum tipo de inovação no roteiro. Personagens se encontram, trocam frases de efeito, e troca a cena.

Falta complexidade nas cenas e diálogos para acompanhar a jornada fascinante e tortuosa que estes personagens sofreram ao longo de oito temporadas, mas isto pode ser uma questão de tempo. E talvez, no caso de Game of Thrones, o final seja mais explosões do que sussurros.

Até a próxima!

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Nota:
7
Nota:
O bom
  • É muito tarde para ainda querer Lady Coração Frio na história?
  • Será que veremos um flashback da batalha do Tridente? Ainda acredito que Rhaegar esteja vivo no Mosteiro.
O ruim
  • Se Griff e Young Griff não existem na série, será que a existência deles é só um ruído nos livros e não importará no longo prazo?
  • Direção
    8
  • Elenco
    7
  • Roteiro
    7
  • Enredo
    6
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