Confira nossa crítica sem spoilers de Godzilla II: Rei dos Monstros. Será que Godzilla 2 finalmente cria uma adaptação digna do rei? Veja o que achamos.

CRÍTICA | Godzilla II: Rei dos Monstros

Godzilla II: Rei dos Monstros não consegue fazer tremer que nem Kong: A Ilha da Caveira Godzilla é um dos maiores ícones da cultura pop. O rei dos monstros...

Godzilla II: Rei dos Monstros não consegue fazer tremer que nem Kong: A Ilha da Caveira

Godzilla é um dos maiores ícones da cultura pop. O rei dos monstros começou como uma alegoria sobre o poder destrutivo das armas nucleares, algo ainda bastante marcado no consciente coletivo do Japão quando o primeiro filme estreou em 1954, e depois de 32 filmes em sua terra natal, virou até embaixador cultural de Tóquio. Nos EUA, o monstrão teve uma boa dose de adaptações decepcionantes.

A primeira, de Roland Emmerich em 1998, transformou Godzilla em uma lagartixa gigante e o obrigou a contracenar com Matthew Broderick usando o chapéu mais anos 90 de todos os tempos e metade dos dubladores americanos de Os Simpsons. Depois, veio a versão de 2014, dirigida por Gareth Edwards, que esteticamente acertaram, mas esqueceram de colocar a criatura no filme, obrigando a audiência a lidar com uma trama sem graça protagonizada por Aaron Taylor-Johnson e Elizabeth Olsen, ambos anos antes de descobrirem como ter carisma em cena. É depois deste filme que continua a narrativa que acompanhamos em Godzilla II: Rei dos Monstros, filme dirigido por Michael Dougherty.

Godzilla II: Rei dos Monstros

Obs.: É bom ter uma boa lembrança tanto de Godzilla (2014) e Kong: A Ilha da Caveira (2017) para entender alguns elementos da trama.

A Monarca, aquela agência de crypto-zoologia que monitora os monstros gigantes sofre um ataque de um grupo de ecoterroristas que invadem as bases secretas do grupo e despertam todos os monstros adormecidos monitorados. Entre eles, o Monstro Zero (King Ghidorah), um dragão de três cabeças enterrado secretamente no Ártico, Mothra uma mariposa gigante e Rodan, um pteranossauro gigantesco que incendeia o ar com suas asas.

Agora, os sobreviventes do Monarca precisam unir forças com o Godzilla para derrotar os monstros antes que a humanidade seja extinta.

Síndrome de franquia atrapalha o filme

É estranho que no terceiro filme de uma saga o elenco tenha escalado a talentosa Ziyi Zhang apenas para fazer uma cientista que para o filme para explicar em quais momentos da história e mitologia da humanidade os monstros eram citados, apenas para o filme conseguir explicar que o Monstro Zero é o King Ghidorah.

Aliás, como já é um pouco praxe em filmes desse gênero, boa parte dos personagens alternam entre militares e cientistas que discutem entre explodir tudo ou filosofar sobre o papel da vida na esfera terrestre. O diálogo inteiro do filme parece ser derivado de páginas de primeiros rascunhos de ficções melhores.

Mas é claro, o que realmente importa nesse tipo de filme é a anarquia titânica dos monstros em tela. Bom…

A ação decepciona

Filmes kaiju não são conhecidos pelos efeitos visuais grandiosos, mas pelo menos é possível ter uma boa noção do que acontece em cena. Boa parte do conflito entre os monstros aqui são filmados de forma confusa e mal enquadrada. Some isso a todas as cenas terem poeira, fumaça e névoa, e de repente, Godzilla II: Rei dos Monstros parece um vídeo de ultrassom particularmente barulhento ou um episódio da temporada final de Game of Thrones.

O roteiro não ajuda

O elenco tem peso, Ken Watanabe, Vera Farmiga, Milly Bobby Brown e Kyle Chandler. Todos veteranos de televisão e cinema. Até mesmo um dos vilões é interpretado por Charles Dance. Mesmo assim, os personagens são rasos e pouco convincentes. A trama em si não ajuda, o filme parece mais preocupado em tentar expandir a ideia de criar um “Monstroverso” semelhante à Marvel do que propriamente contar uma trama envolvente.

É estranho essa necessidade americana de tentar explicar o que é Godzilla. O filme para diversas vezes para analisar o papel dos monstros gigantes, aqui rebatizados de “titãs”, no papel da formação da civilização humana e como eles são agentes do meio ambiente. O filme mais bem sucedido de kaiju ocidental, o Pacific Rim, não perdia tanto tempo estabelecendo o “porquê” dos monstros e sim investindo no “como” é legal ver eles destruindo cidades e brigando entre si.

No fim

Um roteiro mais criativo e um diretor mais competente provavelmente seriam boas pedidas. O segundo filme da franquia, o Kong: A Ilha da Caveira mistura efeitos especiais de ponta, uma direção caprichada e um roteiro criativo para reinventar um dos ícones do cinema. Godzilla II erra feio, criando mais um exercício de inserir mais do que um filme aguenta e não entregando o espetáculo esperado desses monstros gigantes.

Godzilla pode ser o rei dos monstros, mas esse filme não é digno de oferecer nem o trono nem a coroa para o monstrão.

Godzilla II: Rei dos Monstros estreia 30 de maio nos cinemas.

Até a próxima!

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Nota:
5
Nota:
O bom
  • Alguns easter eggs bacanas do primeiro filme da Mothra de 1961 com a aparição de Emi Itō e Yumi Itō, as fadas do longa.
O ruim
  • Como alguém desperdiça Ken Watanabe desse jeito?
  • Todos os personagens parecem tirados de algum filme de desastre do Roland Emmerich.
  • Direção
    5
  • Roteiro
    6
  • Elenco
    5
  • Enredo
    4
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