[CRÍTICA] Gotham – Temporada 01

Gotham termina sua primeira temporada. Muito tempo antes de Bruce Wayne usar sua considerável herança para virar o furry mais perigoso de Gotham City, ele era apenas uma criança...

Gotham termina sua primeira temporada.

Muito tempo antes de Bruce Wayne usar sua considerável herança para virar o furry mais perigoso de Gotham City, ele era apenas uma criança vagamente bizarra. Jim Gordon não tinha seu bigode e estranhamente parecia o ator principal de The O.C. com problemas de raiva. Gotham, a série, tenta contar a origem da icônica mitologia do homem morcego com variados graus de sucesso.

A primeira temporada contruiu uma Gotham muito interessante. Os criadores conseguiram incorporar elementos visuais de diferentes versões da icônica cidade, os becos com vapor saindo dos esgotos, os prédios góticos repletos de grotescos e nenhum carro, que foi fabricado depois da década de 80, nas ruas (apesar de todo mundo andar com celular). Esta é uma cidade repleta de crime e completamente infestada de corrupção, uma cidade onde o até os mais honrosos heróis são acovardados ante tamanha tirania e crueldade. Infelizmente, com tudo isso a favor, ainda é uma série com tom completamente inconsistente.

Apesar do cenário sombrio, os criadores da série não chegaram em um acordo se queriam comemorar os tempos fanfarrões de Adam West ou a tenebrosidade de Christian Bale. Um episódio onde Jim Gordon e Harvey Bullock correm contra o tempo para desvendar a verdadeira identidade de um serial killer, ou terrorista, é intercalado com interrogações em tom cômico e momentos de bizarrice que aniquilam totalmente o clima tenso. Clima que é um milagre existir considerando a quantidade de personagens sem graça no elenco.

Gotham é basicamente controlada por dois mafiosos, Carmine Falcone e Sal Maroni, ambos são tão intimidadores quanto uma loja de travesseiros. Bizarramente, nunca conseguimos chegar num acordo porque estes homens são tão poderosos (Falcone pode ser descrito como… “cansado”, boa parte da série). A necessidade compulsiva dos criadores de inserirem easter eggs na série, toda santa oportunidade, também drena um pouco o ritmo narrativo. Afinal, até uma origem para o Coringa foi dada que acabou destruindo boa parte da mística do personagem.

Gotham é uma série inconsistente e não sem potencial. O núcleo de Bruce com seu fiel mordomo Alfred é intrigante o suficiente para manter a atenção, o relacionamento de Gordon com a polícia corrupta da cidade causa conflitos interessantes e sutil mudança do elemento criminoso da cidade no final da temporada pode prometer momentos marcantes. Basta só os roteiristas decidirem se querem fazer uma ação-comédia ou um procedural-criminoso a la Law & Order.

Até a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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