CRÍTICA | Green Book - O Guia é um longa inesquecível

CRÍTICA | Green Book - O Guia - A atuação impecável de Mahershala Ali

O intenso duelo de titãs entre Mahershala Ali e Viggo Mortensen

Preparem o lenço, Green Book – O Guia vem para cutucar aquele nervo

Não é de hoje que Mahershala Ali e Viggo Mortensen destacam-se por suas atuações. De filmes teatrais, épicos e ação, os dois atores já entraram de cabeça em papéis diversos. Mas é em Green Book – O Guia que eles registram ao mundo por que são atores. Num verdadeiro duelo de titãs, Ali e Mortensen nos levam para dentro de uma improvável amizade entre um afro descendente famoso e um imigrante italiano ignorante com um diálogo riquíssimo sobre preconceito em meados dos anos 60 nos Estados Unidos, época que a sociedade ainda vivia em uma divisão racial repugnante.

A história de Green Book – O Guia

Mais para o norte, especificamente em Nova Iorque, negros e brancos convivam de forma até que harmoniosa. Afinal, o estado era tomado por imigrantes e a diversidade já marcava presença. Tony Lip (Viggo Mortensen) é um pai de família trambiqueiro que vive de “favores” para outros mafiosos italianos. De bico e em bico, mantém sua família. Brucutu, grosseirão e cheio de malemolência, Tony é o famoso bombril que resolve tudo, principalmente se for necessário dar uns sopapos na cara de alguém.

Um belo dia, ele é indicado para ser motorista de um famoso pianista clássico chamado Dr. Don Shirley (Mahershala Ali), um homem estudado, doutor de título e muito elegante. Ele resolve fazer uma turnê com a sua banda pelo sul dos Estados Unidos, região onde a segregação racial define as regras de socialização.

Tony recebe um livro que indica todos os estabelecimentos próprios para “pessoas de cor” e, pela grana ser boa, aceita levar Dr. Shirley nessa viagem de oito semanas, mas sem entender o que estava prestes à viver.

Segregação racial americana nos anos 60

Ao longo da viagem, o impasse entre um Doutor e um “faz tudo” ganha a tela com diálogos que envolvem respeito, ordem, postura, etiqueta, o certo e o errado e, aos poucos, Tony se encanta pelo músico que, além de sábio, precisa de ajuda para se manter numa época onde negros são destratados. Sabendo que o sul americano não aceita pessoas afrodescendentes, porque caramba Don Shirley se meteu a fazer esta viagem? E por que escolheu um imigrante italiano para cuidar dele?

Em Green Book – O Guia, as situações que surgem ao longo da turnê faz uma crítica social bem embasada e reforça o quanto a segregação foi uma época difícil. Para Don, que sempre viveu em bons lugares cercados de aplausos e bem estar, entender como o o negro americano vive e é tratado, certamente extrai de Mahershala Ali uma atuação de tirar o fôlego e lágrimas.

O longa é bem espiritualista, carrega uma mensagem emocionante no final, mas não cria uma visão controversa de racismo. Aliás, o racismo aqui é repugnante e Mortensen e Ali carregam fúria em suas atuações nos momentos mais intragáveis.

Assistir Green Book – O Guia não resolve o preconceito, não apresenta uma lição de moral capaz de trazer a paz mundial e não pinta o homem branco como superior, como vocês podem ter visto em algumas críticas por aí. É um filme baseado em duas pessoas reais que viveram algo real, mas ainda assim é uma romantização.

O longa provoca a audiência com cenas marcantes e nos leva a uma jornada de cume íntimo e pessoal, onde Doctor Shirley busca uma paz interior e aceitação talvez da pior forma possível.

O longa concorre em quatro categorias no Oscar e certamente Ali ganhará a estatueta de Melhor Ator Coadjuvante. Greek Book – O Guia está em exibição nos cinemas.

Küsses,

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Nota:
10
Nota:
O bom
  • A cena que envolve o KFC é sensacional!
  • A transformação do personagem de Mortensen ao longo do filme é impressionante.
  • Que filme!
O ruim
  • Não há.
  • Direção
    10
  • Elenco
    10
  • Roteiro
    10
  • Produção / fotografia
    10
Categorias
CriticasFilmes

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