Hebe a estrela do brasil

CRÍTICA | HEBE – A Estrela do Brasil não brilha na telona como deveria

Uma pena...

Cinebiografia da maior apresentadora de TV do Brasil, Hebe Camargo, chega nos cinemas com um roteiro sem fôlego

Estávamos mais do que ansiosos! Tenham certeza disso. HEBE – A Estrela do Brasil era uma das estreias nacionais mais aguardadas por nós este ano. Estrelado pela incrível Andrea Beltrão, o longa tem como proposta homenagear a maior apresentadora de TV que esse Brasilzão já viu. Mas, porém, contudo, entretanto, o roteiro se perde em uma linha do tempo confusa e referências jogadas, tornando a experiência apagada, algo totalmente inverso ao que foi Hebe Camargo para a indústria nacional.

HEBE – A Estrela do Brasil o filme

No longa, acompanhamos Hebe Camargo (Andrea Beltrão) em meados de 1986, ainda sofrendo com a pressão da censura em seu programa e sendo altamente cobrada pela Rede Bandeirantes para que seu conteúdo fosse gravado e editado. A apresentadora é contra, pois acredita que seu sofá é digno de receber qualquer artista e personalidade do país, independente de gênero, talento ou orientação sexual.

Infelizmente, mesmo com a Ditadura militar tendo acabado, alguns fiscais ainda estão rígidos quanto ao conteúdo transmitido pela TV aberta. A Bandeirantes é pressionada e Hebe se desliga da emissora.

Sua ida para o SBT é mostrada em tela. Desde a negociação com Silvio Santos até os pequenos detalhes de seu belíssimo e brilhante palco. Hebe segue em alta e a ida para o Sistema Brasileiro de Televisão firma, ainda mais, o seu “jeitinho” de ver e trabalhar no entretenimento.

Em paralelo, acompanhamos os dramas familiares de um segundo casamento conturbado por álcool e ciúmes, e um filho adolescente que sente falta da mãe.

Em Hebe – A Estrela do Brasil, conhecemos diversos momentos da vida da apresentadora, mas sem uma ordem cronológica com a vida real e pior: sem um começo, meio e fim. Apesar da excelente direção e produção, não entendemos o objetivo da produção. Seria homenagear seus 40 anos de profissão? Seria relembrar sua saída da Bandeirantes e ida para o SBT? Seria entregar algo mais documental?

Como filme, não funciona. E a Hebe aqui não é a estrela que o Brasil conheceu.

Quando um roteiro apaga a estrela…

Em HEBE – A Estrela do Brasil nossa homenageada está sempre em alta e falta um elemento principal a ser desvendado ou resolvido no terceiro ato do longa. Basicamente temos a problemática da Bandeirantes e a ida para o SBT. Neste primeiro momento, o longa reforça sua mente aberta, época em que Dercy Gongalves mostrava os peitos na TV e Roberta Close era considerada a mulher trans mais bonita do país. Mas não vai muito além, apenas fazendo uma homenagem mesmo.

Do lado pessoal da apresentadora, o filme flerta com a ideia de explorar seu relacionamento com o filho do primeiro casamento, mas isso fica em terceiro plano sem estrutura alguma. O roteiro até cria uma problemática com o marido, mas a resolução fica em aberto e serve apenas para mostrar que nada a faria sair de frente das câmeras.

No final do filme, parece que assistimos uma época de sua vida como apresentadora, mas sem um objetivo e tudo fica superficial, nos levando a um único comentário: Andrea Beltrão faz a diferença, mas não salva o projeto.

É com um tom de desapontamento que saímos da sala. Hebe faz parte da vida de qualquer pessoa que tenha crescido nos anos 80/90, está presente no patrimônio nacional da televisão brasileira, totalmente vinculada ao Silvio Santos, nosso REI do entretenimento. Toda vó gostava de Hebe, todo mundo um dia viu Hebe, todo mundo sabe quem é a Hebe…Mas não será pelo longa HEBE – A Estrela do Brasil que você reviverá a memória da apresentadora.

Aliás, se não fosse pela excelente interpretação de Andrea Beltrão, este longa passaria totalmente despercebido.

E agora?

Então a pergunta final: “O que eles queriam com Hebe – A Estrela do Brasil?”. Bem, ainda estamos tentando entender. O filme não funciona como cinebiografia, não funciona como documentário e muito menos como homenagem. No final das contas, o longa acaba sem você se quer entender por que começou a assistir.

De novo: Andrea Beltrão está incrível, mas só. Como fãs de HEBE, era melhor não ter visto esta obra. Uma grande pena para a saudosa “gracinha” do Brasil. O longa entra em exibição nos cinemas no dia 26 de setembro.

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Nota:
6.3
Nota:
O bom
  • Andrea Beltrão vale cada minuto do filme.
  • Produção do longa está ótima. De verdade!
  • As qualidades são técnicas, mas falta roteiro...
O ruim
  • Não entendemos a necessidade de colocar um ator para fazer o Silvio Santos em uma cena de 2 minutos.
  • Linha temporal inexistente no filme
  • Qual é o arco do longa? O que quiseram mostrar?
  • Direção
    8
  • Elenco
    9
  • Roteiro
    4,5
  • Produção / Fotografia
    8
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