O filme Histórias Assustadoras para Contar no Escuro é uma adaptação da coletânea de histórias de terror em um longa produzido por Guillermo del Toro. Confira nossa crítica aqui.

CRÍTICA | Histórias Assustadoras para Contar no Escuro é bem fraco

O filme Histórias Assustadoras para Contar no Escuro é uma adaptação da coletânea de histórias de terror em um longa produzido por Guillermo del Toro. Confira nossa crítica aqui....

Histórias Assustadoras para Contar no Escuro tem uma premissa interessante, mas fica genérico ao tentar imitar outros filmes

Vamos lá, antes de começar a falar sobre Histórias Assustadoras para Contar no Escuro, é bom falar um pouco sobre a origem da obra (e seu título longo – então vamos chamar de HACE pelo resto do texto). Nos anos 80, o autor Alvin Schwartz criou uma coletânea de histórias curtas sobre lendas urbanas e outras histórias de terror contadas em acampamentos ou, tradicionalmente, com uma lanterna imitando o rosto. As histórias eram bem conhecidas (imagine algo como a versão americana da Loira do Banheiro ou do Homem do Saco). O que marcou a obra, e se tornou um ícone memorável da literatura infanto-juvenil, eram as ilustrações perturbadoras criadas por Stephen Gammell. Muitas delas mal tinham relação com a história narrada, mas pelamordedeus, elas são traumatizantes.

Histórias Assustadoras para Contar no Escuro

Sério. Isso é um livro infantil.

Ué. Como você cria um filme baseado em uma coletânea de lendas urbanas que não tem um guarda-chuva narrativo para amarrar todas as tramas? Bom, por sorte, assim como você, meu caro leitor. Os roteiristas de HACE também vivem em um mundo onde It – A Coisa já estreou nos cinemas.

Histórias Assustadoras para Contar no Escuro

Estabelecido em uma cidade pequena nos anos 70, Stella (Zoe Margaret Colletti), Auggie (Gabriel Rush), Chuck (Austin Zajur) e Ramón (Michael Garza) são quatro amigos que vão parar em uma casa abandonada. Esta casa foi a moradia da família Bellows, a família que basicamente financiou a cidade com sua riqueza. Segundo a lenda urbana, eles tinham uma filha, Sarah Bellows, que nasceu “diferente” e foi mantida em cativeiro.

Segundo a lenda, qualquer pessoa que chegar perto da casa pode pedir para Sarah contar uma história. Em um quarto secreto, Stella encontra o caderno de Sarah e descobre diversas histórias de terror. E pior, o caderno é assombrado e cada página em branco cria uma nova história que se torna real e mata um personagem.

Em suma, “e se o Pennywise fosse um artigo de volta às aulas?”

Espera…

Ah sim, meio jogado de forma tímida no roteiro, aparentemente cada história é construída e torno de algum medo de um dos personagens perto de bater as botas. Isto deixa o ritmo do filme truncado. Um pouco antes de mais uma história se manifestar, o personagem verbaliza o medo que ele tinha quando era mais novo ou qual lenda urbana o assusta.

Ou seja, voltando um pouquinho. É a história de um grupo de adolescentes em uma cidade pequena americana em um período nostálgico que enfrenta um ser sobrenatural que consegue manifestar seus piores medos de forma física e real. Todo mundo sacou onde queremos chegar com isso?

É claro que existe um certo pedigree por trás das câmeras. Guillermo del Toro serve de produtor e assina o roteiro, e seu dedo é notável em certos momentos. Os monstros são excelentes, feitos com tecnologia animatrônica e usando o mínimo de computação gráfica. A mulher da história O Sonho (a ilustração do começo do texto) é assustadora ao vivo e horrivelmente tangível. É possível ver os detalhes de seu físico. Assim como o espantalho Harold.

O diretor André Øvredal também tem um certo histórico no gênero, responsável pelo divertido O Caçador de Troll (2010) e o cheio-de-potencial-mas-nem-tanto A Autópsia (2016), mas em Histórias Assustadoras para Contar no Escuro entrega uma direção sem graça e pouca competência ao dirigir o elenco novato.

Espere o próximo monstro

As criaturas e assombrações que surge ao longo da trama são marcantes e chamam atenção. O grande problema é a trama. HACE é genérico demais, você conhece esses personagens tão bem que é capaz de adivinhar a ordem cronológica das vítimas. Existe uma tentativa bizarra de profundidade ao conectar a propagação das lendas com a eleição de Richard Nixon, mas se existe algum tipo de comentário, ou a tentativa foi preguiçosa demais ou perspicaz a ponto de eludir aquele que vos escreve.

Vale a pena? Não exatamente. Se você é um grande fã da série de livros, algo que imaginamos seja extremamente raro no Brasil, ou um entusiasta fanático de terror, talvez se divirta. De resto, espere IT 2 mês que vem.

Até a próxima!

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Nota
6
Nota
O bom
  • Monstros feitos com efeitos práticos são sempre melhores.
  • Direção
    6
  • Roteiro
    7
  • Enredo
    6
  • Elenco
    5
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