[CRÍTICA] Horas Decisivas – Um CGI emocionante

 A história verídica mais emocionante no trailer do que no filme Horas Decisivas é um drama americano dirigido por Craig Gillespie que conta uma história verídica – baseado em um livro...

 A história verídica mais emocionante no trailer do que no filme

horas-decisivas-disney-filme-chris-pine-02Horas Decisivas é um drama americano dirigido por Craig Gillespie que conta uma história verídica – baseado em um livro de mesmo nome (The Finest Hours) de Casey Sherman e Michael J. Tougias – sobre o maior resgate marítimo dos navios petroleiros SS Fort Mercer e SS Pedleton pela Guarda Costeira americana. O caso ocorreu em 1952, na costa de Cape Cod – Nova Inglaterra, onde uma intensa tempestade de inverno divide em dois o SS Pedleton que ainda tinha 30 homens a bordo. Na trama acompanhamos o desespero de homens ao mar sem nenhuma expectativa de salvamento, a determinação de um marinheiro da guarda costeira e a coragem de uma mulher para ultrapassar preconceitos de gênero impostos pela sociedade na época – que são o coração do roteiro realizado por Scott Prata, Paul Tamasy e Eric Johnson – e um marzão bem feito pacas! Santo CGI!

A missão de resgate é dada a Bernie Webber (Chris Pine) que, em um ato de heroísmo, enfrenta as condições impossíveis do mar para chegar ao navio petroleiro Pedleton. Webber é claramente julgado por alguns de seus companheiros de guarda costeira, já que há uma tentativa frustrada de resgate em seu passado. Em nenhum momento é dito claramente o que se passou, mas isso persegue o personagem e tenta – sim, tenta – construir seu plano de fundo e se mostra extremamente vinculado e defensor das regras em seu serviço. Em contraponto há o engenheiro petroleiro Ray Sybert, interpretado por Casey Affleck, que assume o comando da metade restante do navio e sua tripulação insatisfeita e temerosa. Sem história de fundo, Affleck consegue transformar seu “homem de poucas palavras” no personagem mais atraente do filme. (Entendemos também onde foi parar o talento da família, obviamente Casey pegou tudo para ele.)

No primeiro ato vemos um prolongado início de namoro entre Webber e a telefonista Miriam (Holliday Grainger) até que ela, para surpresa em meio aos anos 1950, pede o mocinho em casamento. A relação dos dois tenta trazer o lado romanceado da história,  mas não inspira no espectador nenhuma empatia com o casal. Durante o segundo ato acompanhamos dois pontos sociais e culturais em conflito.  De um lado, Sybert assume o posto de Webber sem nenhuma experiência e com uma tremenda responsabilidade nas mãos. De outro o machismo. A direção e roteiristas usam o elemento do mar em fúria para enfatizar os momentos mais tensos vindos das discussões em terra firme e das tensas ondas enfrentadas pelo barco em alto mar, quase como uma metáfora para Miriam que sofre em quebrar a barreira do preconceito quando tenta ter notícias de seu amor. Interessante? Sim, visualmente.

O desenrolar da história oscila entre terra e mar de uma forma desgastante e sem ritmo. Mesmo com os efeitos de mar colossal em 3D, o diretor não consegue compreender que a sobrevivência é a motivação necessária para o enredo, o que faz o espectador se cansar rapidamente dando mais espaço para a computação gráfica reinar e engolir o roteiro. Ainda sobre os efeitos, é possível perder o fôlego ao ver quatro homens em um pequeno barco de resgate atravessarem uma tempestade sem bússola. A monstruosidade do oceano é chocante e a grandiosidade de um petroleiro é muito bem representada. Algo que fica ainda mais intenso e significativo se você for ver o filme em 3D. Mas nem todos conseguem equilibrar CGI e Roteiro, como em No Coração do Mar (2015)…

Em Horas Decisivas os diálogos fracos, repetidos, tirados diretamente do livro, tudo isso leva a crer que os roteiristas tiveram pouco trabalho. O que se torna pior quando termos náuticos são ditos em excesso e não fazem nenhum sentido para quem assiste. É angustiante ver uma agitação “no escuro” sem nenhum tipo de diálogo com o público. Nesse meio aflitivo e confuso há duas belas cenas em plano sequência que merecem sua atenção e a fotografia é digna de ser classificada como obra de arte.

No geral, Gillespie se esforça para tentar encontrar ritmo e proporcionar uma verdadeira emoção. Definitivamente: se Horas Decisivas se propõe a ser um filme desgastante como foi o resgate, BINGO! Atingiu a meta com sucesso. Falta sinergia entre os atores, ritmo ao roteiro e emoção pela sobrevivência. Chuvas em São Paulo não possuem ondas tão colossais, mas costumam envolver mais do que o roteiro proposto. Horas Decisivas estreia dia 18 de fevereiro nos cinemas, cuidado para não se afogar.

Até a próxima.

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