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CRÍTICA | Infiltrado na Klan

Infiltrado na Klan conta a historia real de um policial negro que se infiltrou na Ku Klux Klan Vivemos dias de extrema polarização política. Eleições com muita discussão, questões...

Infiltrado na Klan conta a historia real de um policial negro que se infiltrou na Ku Klux Klan

Vivemos dias de extrema polarização política. Eleições com muita discussão, questões como machismo, racismo e violência tomam controle do ciclo de notícias e a indignação parece ser generalizada. Não só no Brasil, como no mundo todo, vemos capítulos semelhantes. Nos EUA, as questões da inclusividade, da diversidade e de captar momentos específicos da história que explicam as raízes do racismo têm ganhado bastante espaço. O mais recente destes é Infiltrado na Klan, dirigido por Spike Lee.

Ao escrever uma crítica deste tipo de filme, é inevitável abordarmos o aspecto político da obra, algo muito delicado nos dias de hoje. Mas vale lembrar que, apesar do mérito ou não de um filme por fazer comentários sociais relevantes, ainda precisamos avaliar o aspecto técnico da obra.

Infiltrado na Klan

O longa conta a historia, baseada em fatos reais, de Ron Stallworth (John David Washington), o primeiro policial negro da cidade de Colorado Springs. Em parceria com Flip Zimmerman (Adam Driver), eles começam a se inserir na estrutura da facção local da Ku Klux Klan – o grupo de supremacistas brancos conhecidos por suas vestimentas brancas e as cruzes em chamas. O “esquema” é simples, Ron conversa no telefone com David Duke (Topher Grace), um dos líderes da KKK, enquanto Flip participa em pessoa das reuniões.

Aos poucos, vão descobrindo um perigoso esquema terrorista que colocará a Klan em confronto com uma União Estudantil Negra liderada por Patrice Dumas (Laura Harrier), uma ativista que começa a se envolver romanticamente com Ron.

Tanto Flip quanto Ron estão cercados de inimigos, desde o racismo institucionalizado que permeia a força policial aos membros mais radicais da KKK que constantemente suspeitam que Flip/Ron não seja quem ele diz ser.

A história escrita em relâmpagos

Existem dois lados de Infiltrado na Klan. O primeiro é a tentativa do diretor Spike Lee de aproveitar a premissa para inserir o máximo possível de elementos históricos e sociais da cultura negra norte-americana do século 20. Intercalados com as cenas de investigação policial, temos cenas com discursos de líderes de movimentos civis intercaladas com rostos dos atendentes olhando admirados, palestras de figuras histórias contando capítulos reais de linchamentos e crimes raciais, discussões filosóficas sobre o papel da discriminação racial na sociedade e até mesmo uma apresentação do filme O Nascimento de uma Nação analisada simultaneamente por negros e membros da KKK.

Tudo isto pinta um retrato fascinante e, ao mesmo tempo, aterrorizante da situação social nos EUA, concluindo o longa em uma nota derrotista, vinculando a história apresentada na década de 70 aos dias de hoje. E sim, tudo isto é importante para novas gerações conhecerem e discutirem…

Porém…

É  muito difícil inserir tanta informação e ainda manter uma coesão narrativa. É para isso que temos documentários. No final, temos uma história relativamente simples de ser contada, mas com uma bagagem histórica que Lee se sentiu compelido a inserir na narrativa. No final, Infiltrado na Klan sofre de 10 kilos em um saco de 5. Onde, por não ter uma consistência na contagem da história, até mesmo a direção, fica um pouco aleatória.

Ainda assim, é uma obra que devolve com a mesma fúria toda a grosseria e falta de bom senso de uma presidência Trump de volta aos seus mais fervorosos defensores e ,acertando ou não o aspecto técnico, ainda assim é um puta filme.

Infiltrado na Klan estreia somente dia 22 de novembro, mas você poderá assistir na 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo que acontece entre os duas 18 e 31 de outubro na capital paulista e municípios próximos.

Até a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

Nota
7.8
Nota
O bom
  • A cena do Nascimento da Nação vai virar um clássico
  • Topher Grace realmente funcionou como David Duke
  • Direção
    8
  • Elenco
    9
  • Enredo
    7
  • Roteiro
    7
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CriticasFilmes

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