CRÍTICA | Internet – O Filme: Um veredito por alguém velho demais pra brincadeira

Internet – O Filme reúne YouTubers brasileiros e oferece uma sensação de “acho que estou ficando velho”. Antes de começar a falar sobre Internet – O Filme, eu preciso...

Internet – O Filme reúne YouTubers brasileiros e oferece uma sensação de
“acho que estou ficando velho”.

internet - o filmeAntes de começar a falar sobre Internet – O Filme, eu preciso estabelecer algumas coisas. Eu tenho 30 anos de idade. Isto não me torna mais sábio ou vivido do que seres humanos que começaram a respirar quando eu já sabia usar um vaso sanitário. O YouTube surgiu quando eu havia acabado de entrar na faculdade e servia essencialmente para assistir japoneses se machucando sem poder fazer barulho. O conteúdo “amador” e pessoal, você achava em outros sites como o AtomFilms e NewGrounds. Porra, eu sou da época que Joe Cartoon era considerado transgressor.

Particularmente, não tenho nada contra estes jovens com cabelos a la One Direction e seus falatórios entusiasmados sobre coisas que não me interessam. Minha geração assistia MTV e eu sempre achei VJ’s uma coisa meio cretina. Resumindo, toda geração vai consumir algo que vai parecer estranho para a geração anterior, até mesmo se a pessoa desta geração já apareceu em alguns vídeos por aí.

Internet – O Filme cumpre os requisitos mínimos para ser considerado um longa metragem. Ele tem uma direção, um elenco e uma duração que excede 70 minutos. Isso torna o filme ruim? Não necessariamente. O roteiro não é necessariamente um roteiro, e sim uma coletânea de pequenas histórias que acontecem com diversos YouTubers ao longo de um evento de uma semana que premia estes performistas da era digital.

O elenco é composto em boa parte por YouTubers interpretando personagens fictícios que produzem exatamente o mesmo conteúdo de sua contrapartida real. Pense em algo como um Quero Ser John Malkovich que acompanha uma assinatura da Capricho ou Grande Hotel para quem não tem carta de motorista. Não é um problema, mas certamente foi feito pensando único e exclusivamente no público que é familiarizado com este pessoal e celebridades com presenças marcadas nas redes.

O formato “joga merda na parede pra ver o que gruda” não garante fracasso, nem sucesso. Alguns trechos do longa são divertidos e outros não funcionam. Pelo menos Internet – O Filme preza pela variedade e, inevitavelmente, vai arrancar risadas de todos em algum momento. Ajuda que, apesar da premissa vagamente preguiçosa, a direção é extremamente competente.

A migração de celebridades da internet para o cinema nacional tem ido de desastrosa para cancerígena. Pelo menos Internet – O Filme não tenta se levar a sério e seus “atores” estão dispostos a tirar sarro de si próprios e até mesmo do quão absurdo a ideia de Vloggers se tornarem celebridades cultuadas por adolescentes.

Vale a pena? Sinceramente, não sei dizer. Claro que teve momentos onde dei risada, mas algo em mim reluta em admitir que Internet – O Filme merece o subtítulo.

Até a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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