Irmandade

CRÍTICA | Seu Jorge comanda a Irmandade na nova série da Netflix

PQP! Que série insana!

Irmandade chaga na Netflix como uma das melhores produções nacionais da plataforma 

De volta aos anos 90 em São Paulo. Edson (Seu Jorge) está preso há 20 anos por um motivo bem “banal”. Filho de um pai rígido, a cadeia acaba com sua dignidade e lá ele se transforma em um chefe de facção. A Irmandade está sob sua proteção e, mesmo de dentro da cadeia, os conflitos por poder e os interesses na proteção da comunidade surgem a tona para embalar a trama desta primeira – e insana, temporada.

Irmandade, a trama

Cristina (Naruna Costa) é irmã de Edson e advogada. Ela perde o emprego no primeiro episódio por mexer com documentos confidenciais que envolvem a prisão de seu irmão. O investigador Andrade (Danilo Grangheia) chega nela com uma boa chantagem. Assustada, sem rumo, Cristina faz uma visita à Edson e o surpreende querendo ajudar a Irmandade. Sem saber o dia de amanhã, e quem de fato é o seu irmão, Cristina se vê envolvida com a facção em um ardiloso jogo de manipulação e muito, mas muito perigo.

Aos poucos acompanhamos as jogadas do investigador e de Cristina que, ao entrar na Irmandade, conhece um outro lado de uma comunidade oprimida que precisa da ajuda da facção para viver melhor. A falta de oportunidade entra em jogo, mas o interessante aqui é que a disputa de poder entre Edson e Carniça (Pedro Wagner) toma mais tempo da narrativa do que a comunidade em si.

Nesta produção, imersamos no mundo das facções criminosas controladas de dentro e de fora do presídio, e a tensão é enlouquecedora. Enquanto Cristina fica em cima do muro sobre ser uma delatadora e também parte da facção, existe um plano de tirar Edson e sua trupe da cadeia. E quem comanda essa operação é Darlene (Hermila Guedes), a primeira-dama da Irmandade.

Irmandade – temporada 1 – Vale a pena?

É muito difícil falar dessa série sem entrar em spoilers. A cada episódio uma nova reviravolta deixa a trama mais complexa e as jornadas de Cristina, Darlene e Carniça são de tirar o fôlego. Ou seja: assista Irmandade!

Vários elementos aqui são refrescantes: a cadeia como palco principal, a Copa do Mundo de 94, a família dos presos, a mudança na economia com a entrada do Plano Real, o racismo e a falta de oportunidade para quem é favelado e afrodescendente. São vários tapas na cara de uma época em que a desigualdade no país era tão dura quanto hoje e zero infectada por por uma polemização rasa e egoica que chama atenção para os problemas, mas que não resolve nada. Levantar a bandeira é fácil, ter atitude é outra e Irmandade mostra que não existe tempo para discurso pomposo de ódio quando o assunto são as vidas das pessoas.

Voltar em temas como racismo, pobreza, machismo, crime e direitos humanos em plenos anos 90 onde todos dependiam apenas de orelhões, é impactante. Mas não é apenas desse tom nostálgico que Irmandade se sustenta. Será Edson um criminoso de verdade? Será que Cristina se sujeitará às chantagens do investigador e do seu irmão sem se vingar de um dos lados? Para saber, só assistindo.

Küsses,

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Nota:
10
Nota:
O bom
  • Seu Jorge MONSTRO do começo ao FIM! Nosso Samuel L. Jackson!
  • Naruna Costa é espetacular. E sua personagem é absurdamente bem escrita.
  • Trilha sonora impecável!
  • Produção nível internacional!
O ruim
  • Não há! Assista!
  • Roteiro
    10
  • Elenco
    10
  • Direção
    10
  • Produção / Fotografia
    10
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