Confira nossa crítica de It: Capítulo 2 que traz o Clube dos Perdedores de volta à Darry para enfrentar o monstro Pennywise e derrota-lo de uma vez por todas.

CRÍTICA | It: Capítulo 2 - Clube dos Perdedores volta a enfrentar o palhaço

Hora de flutuar?

It: Capítulo 2 é um terror ousado e psicodélico

Bom, primeiramente lamentamos que a indústria de palhaços vai sofrer por mais um trimestre repleto de prejuízos. Com mais um filme da saga It nos cinemas, não conseguimos imaginar nos próximos meses que muitas festas infantis vão contratar esta classe profissional específica. It: Capítulo 2 não só traz a criatura de volta, mas retoma a exploração dos medos mais íntimos dos protagonistas da franquia.

It: Capítulo 2

27 anos após os eventos do filme anterior, Pennywise volta a aterrorizar Darry. Mike (Isaiah Mustafa), o único que permaneceu na cidade, convoca o Clube dos Perdedores de volta para a cidade para cumprir seu juramento de novamente enfrentar o monstro caso ele ressurja. Beverly (Jessica Chastain), Bill (James McAvoy), Richie (Bill Hader), Ben (Jay Ryan), Eddie (James Ransone) e Stanley (Andy Bean) se tornaram todos profissionais de grande sucesso, mas não lembram de quase nada de sua juventude e o verão fatídico que enfrentaram a Coisa.

Mesmo assim, todos decidem voltar para sua cidade natal. Aos poucos, vão enfrentando eventos paranormais e lembram da criatura. Agora, para derrota-lo, precisam confrontar eventos traumáticos do verão de 27 anos atrás e desvendar pistas que possam trazer o fim definitivo de Pennywise. Tudo isso evitando suas mortes, a morte de crianças inocentes e a loucura dos cidadãos psicóticos de Darry.

Falar mais que isso, infelizmente amiguinhos, seriam spoilers.

Execução ousada

Existe um certo elemento de rebeldia em It: Capítulo 2. É uma franquia blockbuster distribuída por um dos maiores estúdios do mercado cinematográfico, tudo indicaria que tudo sobre a adaptação seria feita da forma mais conservadora e sem riscos possível, afinal, quanto maior o retorno esperado, mais genérica a propriedade tende a ser. O que importa aqui é o apelo para diversos mercados diferentes e o resultado financeiro final. E mesmo assim, esta mega-produção cheia de efeitos especiais e um grande elenco não liga para absolutamente nada disso.

Tão perturbador quanto a premissa é a estrutura da narrativa. Não existe uma visão clara dos três atos, o longa arrasta a audiência por uma experiência psicodélica que reflete o que os personagens estão passando. Não espere que este grupo de adultos paparicados pela vida estejam prontos para enfrentar um ser milenar de maldade absoluta. Como muitos de nós, o Clube dos Perdedores preferiu enterrar os traumas do passado ao invés de enfrentá-los e superá-los. Boa parte da trama do longa envolve os personagens rondando pela cidade, quase sem rumo, em busca de fragmentos e pistas de seu passado para entender, não só onde estão pistas que possam levar a derrota do monstro, mas para entender como chegaram onde chegaram em quanto adultos.

Este elemento de psicologia regressiva casa muito bem com a temática de medos íntimos, e como falamos anteriormente, é uma pegada bastante rebelde fazer um filme mais interessado na psicodelia da memória e sem ritmo de filme de terror do que criar mais um Invocação do Mal onde a receita da trama deve ser mantida acima de tudo. It: Capítulo 2 nada contra a maré criando um conto de fadas sombrio para adultos e não um filme de terror acessível e banalizado. É um filme que não tem problema nenhum em inserir um ritual xamânico enteógeno no meio da narrativa para explicar a origem do vilão*.

Como um grande pesadelo

A temática é complexa, mas o terror é genuíno. As iterações do monstro, tanto em sua versão do palhaço Pennywise, quanto as inúmeras manifestações de medos dos personagens; quanto a loucura que permeia a cidade após séculos dos tentáculos da Criatura infectando seus habitantes estão presentes de forma que a partir do momento que os personagens retornam à Darry, tudo assume a roupagem de um pesadelo que não acaba.

Funciona muito bem devido à direção competente de Andy Muschietti. O diretor argentino vem da escola de diretores de terror latinos que entendem intimamente o papel do folclore em uma sociedade. Aqueles elementos sombrios que saem da floresta escura para ceifar vidas e raptar crianças, e como estes elementos nada mais são do que tentativas de transformar o medo impossível de entender que assombra a psique coletiva de um povo em uma narrativa conveniente.

Em It 2, ele mantém o monstro quase sempre no segundo plano, apenas se manifestando de forma mais clara para confrontar o Clube dos Perdedores. O que torna Pennywise assustador não é sua presença clara, mesmo com um trabalho fenomenal feito por Bill Skarsgård, mas sim quando ele espreita nos fundos do cenário, semi-desfocado e impossível de compreender, assim como os elementos mais assustadores que alimentam o medo.

Nem tudo funciona completamente. Para conciliar o tom psicodélico, o ritmo narrativo atípico e ainda assim chegar a trama em um desfecho esperado, os personagens do Clube dos Perdedores não se comportam exatamente como seres humanos. Muitos têm reações bizarramente inorgânicas frente o que estão enfrentando, gritam desesperados beirando a loucura em um momento e estão fazendo piadinhas de filme de ação dos anos 80 na próxima. Mas de certa forma, seria praticamente impossível contar essa história e manter um elenco de personagens vagamente normais no olho do furacão.

No fim

It: Capítulo 2 vai contra a maré de criar filmes de grande orçamento cada vez mais acessíveis e investe em uma experiência psicodélica e aterradora com um grau de ousadia que nos faz imaginar o que Stanley Kubrick estava pensando na hora de adaptar um conto de Stephen King uns bons anos atrás.

O longa estreia dia 5 de Setembro nos cinemas brasileiros.

Até a próxima!

* Entendemos que este elemento faz parte do livro original de Stephen King mas, convenhamos, os melhores filmes baseados na obra do autor costumam enxugar a trama e tirar umas 900 páginas de autoria induzida via cocaína que permeiam a bibliografia do autor.

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Nota:
8.8
Nota:
O bom
  • Bill Hader é o grande destaque entre os personagens adultos do filme.
  • A transição entre o elenco infantil e adulto é impressionante, haja competência.
  • Direção
    10
  • Roteiro
    8
  • Elenco
    9
  • Enredo
    8
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