Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros

SEMANA JURÁSSICA | Veja aqui nossa crítica de Jurassic Park

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O Mundo Perdido: Jurassic Park: O Mundo Perdido

Jurassic Park continua indisputável

Bem-vindos à Semana Jurássica! Vamos cobrir todos os filmes da série Jurassic Park antes do lançamento de Jurassic World: O Reino Ameaçado! O filme da vez é o que começou tudo, Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros.

Em Jurassic Park, o verdadeiro vilão é a teoria do caos

Antes de 1993, o Steven Spielberg que conhecemos é um ser radicalmente diferente. O diretor, que essencialmente criou o conceito do blockbuster, trabalhava com três óticas. A primeira, e talvez mais icônica, são estudos de personagens. Pessoas comuns se deparando com situações sobrenaturais e fantásticas. As vezes de forma ameaçadora, as vezes apenas como o desafio de entender o diferente. Vemos isso em Encontros Imediatos, Tubarão, e ET. O diretor as vezes usa a visão das crianças como uma forma de manter o sobrenatural ainda assustador, mas em uma escala menor e mais íntima.

O outro Spielberg que conhecemos é o contador de histórias. Aquele que busca constantemente renovar os elementos que o influenciaram como diretor. Seu fascínio por narrativas clássicas trouxe à tona filmes como Indiana Jones e Além da Eternidade, que tentam celebrar e renovar as vozes do passado. E por fim, também temos o Spielberg interessado em entender personagens, e de certa forma amadurecer. Vemos isso em filmes como A Cor Púrpura, A Lista de Schindler e seus projetos mais recentes como Lincoln e The Post.

Spielberg e o blockbuster

Porém, é em 1993 que vemos Spielberg mesclar suas três vozes em um único filme. Um filme que na superfície parece ser uma premissa simples que se sustenta em efeitos especiais fantásticos, que até hoje se sustentam comparados à tecnologias mais modernas. Seu impacto no cinema e no público foi estarrecedor, mas como vemos em filmes como Avatar de James Cameron, não é só essa mistura que tornaria Jurassic Park o clássico imediato. Porém, como havíamos dito, foi aqui que o diretor fez uma junção interessante de seus campos de interesse.

O Parque dos Dinossauros

Uma companhia de biotecnologia chama InGen pretende lançar um parque temático com uma proposta jamais vista. Seu fundador John Hammond (Richard Attenborough) fez o impossível, clonou dinossauros reais por meio de DNA encontrado em mosquitos fossilizados. Para provar que o projeto é viável, ele leva para a ilha do parque dois paleontólogos, Alan Grant (Sam Neill) e Ellie Sattler (Laura Dern). O plano de Hammond é impressionar os cientistas e acalmar os ânimos dos investidores que estão aflitos após um funcionário ser devorado por um dos velociraptors da ilha.

Do outro lado da moeda, temos Ian Malcolm (Jeff Goldblum), um matemático especializado em teoria do caos que é recrutado pelo departamento jurídico da InGen para contrapor a visão naturalmente otimista de Grant e Sattler. E o personagem neurótico de Goldblum é responsável por carregar o peso filosófico da trama. Juntos na jornada, estão os netos de Hammond, Tim e Lex Murphy (Joseph Mazzello e Ariana Richards, respectivamente).

Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros

A vida encontra um meio

Tudo vai bem na excursão do parque até que Dennis Nedry (Wayne Knight) se revela como um agente infiltrado da concorrência da InGen que busca roubar a matriz genética dos dinossauros do parque. Ele desativa o sistema de segurança da ilha para fugir. Agora, os visitantes do parque correm contra o tempo para chegar ao centro de comando sem ser devorados pela tiranossauro e as velociraptors que correm soltas.

É aqui que a visão de Spielberg mescla seus divergentes interesses para criar um de seus projetos mais fascinantes. É claro que em 1993, todos migraram para os cinemas para assistir os efeitos especiais impressionantes, mas é pela forma como os personagens criados interagem com este mundo que criamos uma conexão imediata com o drama. Nós ficamos tão impressionados quanto os paleontólogos quando enxergam uma braquiossauro pela primeira vez. Nós trememos com o horror ao descobrir que o pessimismo de Malcolm sobre as consequências de tentar conter e controlar a evolução são gestos impossíveis.

Em Nedry e o advogado Gennaro (Martin Ferraro) temos personagens que comemoramos quando são devorados pelos dinossauros. E até mesmo Sattler traz uma Laura Dern com voz ativa e controle da situação diversas décadas antes da Almirante Holdo salvar o que restou da Resistência.

Alan Grant, claramente desenvolvido com Harrison Ford em mente, traz o tipo de herói de aventura Spielberg que mantém a narrativa do filme coesa, algo que falta em Encontros Imediatos, por exemplo. Claro que devido ao desinteresse de Ford, Neil assume o papel e interpreta um herói rabugento e interessado no passado quase tão intrigante quanto seu amigo entusiasta de chicote e com medo de cobras.

Teoria do Caos

O que torna Jurassic Park fascinante é o senso gigantesco de ameaça para os protagonistas. Não só das ameaças óbvias como Nedry ou as dinossauros, mas a própria megalomania de Hammond. Apesar do ar de velhinho bonachão, ele é o verdadeiro epítome do caos que Malcolm grita tanto contra. A vida não pode ser contida, ela encontra um meio, e assim, a ilusão de controle se perde e todos viram petisco. Não é a toa que a InGen retorna como antagonista em praticamente todos os filmes subsequentes.

Apesar de todos os animais da ilha serem criadas fêmeas para evitar procriação descontrolada, Grant descobre que parte do DNA usado para clonar os dinossauros vêm de certas espécies de sapo que consegue trocar de sexo em ambientes onde a reprodução é ameaçada. Assim, as criaturas saem do controle final do parque.

Finalmente

O senso de ameaça, somado à algumas sacadas visuais que servem de prelúdio para os momentos mais marcantes da narrativa (a cena do cinto de segurança do helicóptero continua como um dos momentos de prenúncio mais legais do cinema), tornam Jurassic Park uma experiência única que merece ser revisitada. Visualmente, a direção de Spielberg está entre as mais afiadas, e os efeitos visuais continuam surpreendentes.

É claro que nem tudo é um mar de rosas. Lex e Tim continuam cansativos e ter a jornada emocional do protagonista concentrada em um moleque de voz estridente e uma adolescente escandalosa cansa um pouco, mas estes são problemas que foram resolvidos na continuação.

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Até a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

Nota
9.2
Nota
O bom
  • É bizarro ver Samuel L. Jackson em um papel tão... calmo.
  • Algumas pessoas perguntaram sobre o lance do cinto, reparem como Alan Grant encontra dois cintos de entrada "fêmea" e mesmo assim ele dá um jeito de prendê-los.
O ruim
  • É frescura, eu sei, mas dilofossauros não cospem veneno...
  • Direção
    10
  • Roteiro
    9
  • Elenco
    8
  • Enredo
    9
  • Jeff Goldblum sendo sexy
    10
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CriticasFilmes

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