CRÍTICA | Kingdom (Netflix) - Temporada 1

CRÍTICA | Kingdom - Quando Jon Snow encontra o Xerife Rick na Coreia

A Netflix apresenta Kingdom, sua produção original feita da Coreia, que mostra uma epidemia de zumbi durante a luta pelo poder na Dinastia Joseon, do século 14 Nunca subestime...

A Netflix apresenta Kingdom, sua produção original feita da Coreia, que mostra uma epidemia de zumbi durante a luta pelo poder na Dinastia Joseon, do século 14

Nunca subestime a criatividade dramática coreana. O cinema e as séries de TV feitas naquela país asiático tem dado fortes demonstrações de uma criatividade muito diferente das produções feitas na China e no Japão. Quando resolveram fazer um filme de monstro gingante atacando uma cidade coreana importante como Seul, eles trazem O Hospedeiro. Se querem mostrar a proliferação de zumbis no país, o ataque começa num trem no já cultuado Invasão Zumbi. E se querem mostrar como um autista pode ser um excelente cirurgião, entra no ar a série The Good Doctor, que já tem versão ocidental exibida pela Globoplay.

Por isso, ao ver o primeiro episódio de Kingdom, prepare-se para ver um drama épico com uma eficiente mistura de ficção-científica. A história começa com dois serviçais do palácio indo para os aposentos do rei para entregar a ceia da noite, mas com uma forte recomendação de não olhar para o regente. Num descuido, o mais jovem acaba desrespeitando a recomendação, sendo atacado pelo rei de forma violenta.

Do lado de fora, o príncipe Cheng (Ji-Hoon Ju), primeiro herdeiro do trono, está em seu terceiro dia à frente do palácio do rei, impedido de entrar por ordem da rainha que, grávida, espera assumir o poder do reino antes do herdeiro mais velho. Cheng decide investigar por que tanto segredo em relação ao pai que, segundo a comcumbina real, está doente e indisposto para atender qualquer um a não ser ela.

O príncipe desconfia que existe algo de errado, já que a comcumbina real faz parte do clã que chegou ao trono graças num casamento de fachada para impedir uma guerra civil. Ele decide seguir uma pista relacionada com um médico que atendeu seu pai há algum tempo e que acabou desaparecendo. Ao conseguir descobrir o local onde o médico está trabalhando, Cheng e  Muyeong (Sang-Ho Kim), seu guarda-costas viajam a região, sem saber que dentro do palácio, planejam transformá-lo em traidor impedindo que ele se torne rei.

Tudo vira de ponta-cabeça ao chegarem num pequeno vilarejo aparentemente deserto. O lugar parece ter sido atacado por algum tipo de inimigo, que não deixou nenhum corpo. O que parecia algo simples, começa a se complicar quando a dupla encontra vários corpos debaixo do piso do vilarejo. Cheng encontra dois sobreviventes do ataque e descobre que eles foram transformados em mortos-vivos por causa de uma flor que ressuscita os mortos.

A partir dessa descoberta começa uma corrida contra o tempo, já que os corpos encontrados debaixo da vila vão acordar assim que o sol se por. Se não acabarem com os zumbis antes que a noite chegue, a peste poderá dominar todo o continente.

Um fã da série comentou que Kingdom parecia uma mistura de Game of Thrones com The Walking Dead, por que a história tem todo o clima épico de uma intriga palaciana ao mesmo tempo em que o reino precisa lidar com a epidemia de mortos-vivos que está se alastrando rapidamente. O roteiro de Kim Eun-hee transita com uma simplicidade eficiente quando mostra os verdadeiros motivos para que querem acabar com a vida do príncipe Cheng, enquanto a loucura domina as regiões atacadas pelas hordas de mortos-vivos.

A produção conseguiu realizar as principais filmagens dentro do palácio Gyeongbok, uma das principais fortalezas da dinastia Joseon, construída em 1395, e totalmente preservada. A reconstituição de época passou também por uma pesquisa sobre a vestimenta dos nobres e dos plebeus, um trabalho realizado com rigor por Lee Hwo-kyoung, diretor de arte da série e vencedor do Blue Dragon Award, versão coreana do Oscar, pelo filme The Battleship Island (2017).

Kingdom traz um vento novo para os fãs de dramas épicos e sangue fresco para que gosta de histórias de zumbis. Principalmente da forma como os dois mundos acabam colidindo, quando o príncipe Chang toma um choque de realidade ao perceber que a disputa pelo trono é algo menor frente a um evento que pode levar todo o país à extinção. Isso aconteceu num dos momentos chave da série, quando os poucos sobreviventes se encantonam no mesmo lugar que deu origem à epidemia zumbi, para enfrentar um novo e devastador ataque. A partir daquele momento, tudo muda na história.

Se você quer ver algo diferente, emocionante e novo em termos de dramaturgia, veja a primeira temporada de Kingdom, na Netflix. Uma série onde a diferença importa e muito…

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Nota:
9
Nota:
O bom
  • Fantástica reconstituição de época, com figurino impecável.
  • Drama que soube misturar ficção-científica sem clichês.
  • Mesmo com a diferença da língua, a interpretação é soberba.
  • As cenas de ação tem a qualidade dos melhores filmes asiáticos.
  • E que venha a segunda temporada!
  • Direção
    9
  • Roteiro
    9
  • Elenco
    9
  • Produção
    9
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