CRÍTICA | La La Land: Cantando Estações | Chegou a hora de sonhar!

La La Land: Cantando Estações é o novo filme do diretor e roteirista de Whiplash, Damien Chazelle Fazia tempo que os musicais clássicos de Hollywood não eram homenageados. Em La...
La La Land

La La Land: Cantando Estações é o novo filme do
diretor e roteirista de Whiplash, Damien Chazelle

La La LandFazia tempo que os musicais clássicos de Hollywood não eram homenageados. Em La La Land: Cantando Estações, acompanhamos a história de um casal apaixonado pela magia de Los Angeles. De um lado, Mia (Emma Stone) é uma barista em uma cafeteria que sonha em ser atriz. De outro, Sebastian (Ryan Gosling) é um talentoso pianista de jazz que sonha em abrir seu próprio bar após algumas desilusões. Juntos, eles protagonizam uma comédia romântica que faz uma belíssima homenagem à Era de Ouro de Hollywood.

Faltou pouco para La La Land ser, de fato, um dos melhores filmes do ano. Damien Chazelle vem de um projeto que só virou filme porque o material era muito bom. Em termos de roteiro e edição sonora. Com muito pouco recurso ele fez de Whiplash um dos filmes mais aclamados em 2014/2015. Se você não assistiu, assista, porque é fenomenal. O diretor e roteirista fez muito barulho com Miles Teller no comando e ganhou a atenção necessária para seguir sua jovem carreira.

Chegamos então em La La Land: Cantando Estações. Um filme que custou apenas 30 milhões de dólares. Bem menos do que Deadpool, por exemplo, e seus 57 milhões. O resultado deste novo longa é uma sequência impecável de diversas cenas em takes contínuos, uma fotografia quente de tirar o fôlego com cores fortes, ângulos de filmagem à la Kubrick, uma trilha sonora poderosa, cenários minuciosamente escolhidos para compor a homenagem à Hollywood e… Um casal em uma história previsível.

Os dois se apaixonam e, ao longo de suas jornadas até a realização de seus sonhos, a audiência é impactada por diversos momentos do casal pelas quatro estações do ano. A excelente trilha sonora de Justin Hurwitz (que também assina a trilha de Whiplash) embala este amor que segue a receita de bolo já conhecida: mocinha conhece mocinho, se apaixonam, a mocinha é “convidada” a abrir mão do seu sonho ou situação, eles brigam e o futuro do relacionamento enfrenta as incertezas já esperadas.

O que encanta são as cenas de danças e cantos inseridas na problemática central: Sebastian vai trabalhar em uma banda para poder ter estabilidade financeira e Mia lança uma peça teatral somente com ela. As dificuldades de ambos os lados determinam o desenrolar desse romance. La La Land: Cantando Estações é um vídeo clip absurdamente bem dirigido dessa história clichê que, infelizmente, no final do segundo ato é possível deduzir o fim.

Os cenários e diálogos de La La Land são excepcionais e a todo instante temos referências vindas de grandes musicais da Era de Ouro de Hollywood. Listamos algumas cenas para vocês observarem:

  • Cena de abertura faz uma homenagem a comédia musical Duas Garotas Românticas de 1967;
  • A cena da piscina é uma referência ao musical Eu Sou Cuba, de 1967. A montagem da cena foi utilizada por Paul Thomas Anderson em Boogie Nights – Prazer Sem Limites de 1997;
  • Dançando na Chuva aparece em uma cena ao entardecer onde Mia e Sebastian estão na rua procurando o carro de Mia;
  • Melodia da Broadway, de 1929, marca presença na valsa de Mia e Sebastian em um fundo infinito escuro com estrelas;
  • Na mesma cena acima temos uma homenagem à animação A Bela Adormecida, com a silhueta do casal flutuando enquanto eles dançam;
  • Mia e suas amigas dançam na rua. Este momento é uma grande homenagem ao musical Charity, Meu Amor de 1969;
  • Sinfonia em Paris, de 1951, também foi referência para o figurino e cenários;
  • Cinderela em Paris, protagonizado por Audrey Hepburn em 1957, aparece em um cenário com a arte do Arco do Triunfo onde Mia está posicionada à frente. Balões vermelhos também podem ser inspiração em O Balão Vermelho de 1956;
  • James Dean em Juventude Transviada, de 1955, e Casablanca, de 1942, recebem citações em falas e cenários. Fiquem atentos.

Com tudo isso, La La Land: Cantando Estações se consagra como um dos melhores musicais já feitos. Suas músicas, cujas letras – obviamente – tem a ver com as cenas, grudam na cabeça como chiclete. E como “cereja de bolo” o longa deixa uma otimista mensagem sobre coragem em batalhar pelos seus sonhos em uma Hollywood que é desconstruída. O roteiro explora a falta de oportunidade ou interesse em artistas que merecem espaço. Um lado mais sombrio da tão desejada Los Angeles é mostrado no desfecho.

La La Land tem força para comprovar que sonhos requerem difíceis decisões. Em tom de conto de fadas, embarcamos em um musical envolvente, exagerado em seu visual – como todo musical é – e revelador. O mérito dessa produção original é de conseguir mexer com diversos sentimentos da audiência. É impossível sair da sala de cinema sem uma vontade súbita de realizar seus mais íntimos sonhos.

La La Land: Cantando Estações é inspirador como um musical, apaixonante como um romance e teatral como a vida deve ser. O longa entra em cartaz em pré-estreias pagas a partir do dia 12 de janeiro e estreia, oficialmente, dia 19 sob distribuição da Paris Filmes.

Aguardem, o Oscar de 2017, será imperdível.

Küsses,

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Tatá Snow

“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

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