CRÍTICA | LOGAN – As garras de um Wolverine nunca perdem seu fio

LOGAN conclui uma jornada de 17 anos de Wolverine nos cinemas O primeiro filme dos X-Men surgiu em 2000, e foi responsável por transformar filmes de super herói em uma...

LOGAN conclui uma jornada de 17 anos
de Wolverine nos cinemas

LoganO primeiro filme dos X-Men surgiu em 2000, e foi responsável por transformar filmes de super herói em uma indústria multibilionária que dura até os dias de hoje. No papel principal havia um ator australiano, relativamente desconhecido, chamado Hugh Jackman, que assumiu a difícil tarefa de interpretar o Carcaju mais famoso dos quadrinhos, Logan – O Wolverine. 17 anos depois, Jackman apresenta sua aventura final.

Velho Homem Logan

O ano é 2029. Novos mutantes deixaram de nascer há 25 anos. O antes mortífero Wolverine (Jackman) abandonou seu codinome e até a alcunha Logan para viver como James Howlett.

Já velho, trabalha como motorista de limusine para comprar suprimentos e remédios para o Professor Xavier (Patrick Stewart). O outrora telepata mais poderoso da Terra está com 90 anos, sofrendo de demência e vivendo isolado sob os cuidados de Caliban (Stephen Merchant). Devido à doença, a mente de Charles se tornou uma perigosa arma e somente os remédios o mantém sob controle. Logan está acabado, seu fator de cura não é mais o mesmo, seus reflexos são lentos e o adamantium em seu esqueleto, que o tornava indestrutível, agora está lentamente o matando.

A causa está morta e o herói só pretende juntar dinheiro suficiente para comprar um barco e sumir do mapa. Um dia, uma mulher chamada Gabriela (Elizabeth Rodriguez) pede a ajuda do lendário Wolverine para proteger sua filha, Laura (Dafne Keen). Naturalmente, seus dias de fúria se acabaram e ele não tem o menor interesse.

Eventualmente, Logan descobre que Laura não é uma garota qualquer. Ela tem um fator de cura, reflexos e força acima do normal e garras de adamantium. A menina na verdade é X-23, sua clone e essencialmente, sua “filha”. Ele é convencido por Xavier de embarcar em uma jornada para manter a menina protegida da Alkali, uma empresa de biotecnologia que tem clonado mutantes para transforma-los em super soldados. Agora, os dois mutantes envelhecidos correm contra o tempo para chegar ao misterioso “Éden” e proteger a jovem dos Carniceiros, um time de humanos aprimorados ciberneticamente que pretendem capturar a jovem.

Um carcaju encurralado…

Logan é essencialmente um filme pé na estrada. Até mesmo os elementos mais fantásticos, de um mundo com personagens super poderosos, não são tão presentes na trama. Temos aqui uma profunda análise sobre o efeito da violência no indivíduo. O Wolverine gradualmente enxerga em Laura, outra mutante transformada em arma contra a sua vontade, sua própria jornada auto-destrutiva.

Nos filmes, o herói se apegou à batalha pelo sonho mutante como uma desculpa para liberar sua raiva animal. Em um futuro, onde a causa se tornou uma amarga memória distante, ele vaga sem rumo e propósito. Não é à toa que o longa Os Brutos Também Amam, sobre um pistoleiro que tenta viver em paz, mas que é forçado a empunhar suas armas e lutar, marca presença em uma cena crucial do filme.

Ao longo da jornada, Logan confronta não só as forças da Alkali, mas seu próprio passado. Para quem não se lembra, a base secreta da Arma X, presente no segundo filme dos X-Men, é localizada ao lado do Lago Alkali no Canadá. Além de Laura, que arrisca ser uma vítima que nem ele, a corporação tem outras surpresas para o herói.

Em contrapartida, Laura instintivamente busca criar vínculos com seus protetores. Em um simples gesto de segurar a mão dos mais velhos, entendemos a ternura de Xavier e a relutância de Logan em se aproximar. Observem como este pequeno comportamento apresenta a evolução da personagem ao longo do filme.

E o veredito…

Ao contrário de Wolverine: Imortal, o diretor James Mangold e Hugh Jackman assumiram mais controle no projeto. O resultado é uma versão Marvel de Os Imperdoáveis com toques de Pequena Miss Sunshine, além do já falado Os Brutos Também Amam. Não é sempre que uma franquia trabalha com o mesmo ator por nove filmes e Jackman incorpora Logan com uma naturalidade assustadora.

A estreante Dafne Keen é um show a parte. Ela traz à Laura uma personalidade quase alienígena. Pense em uma garota criada em laboratório para ser uma arma, sem parâmetros de como se comportar como uma pessoa normal. A atriz mirim transmite tudo isso sem dizer uma única palavra. Patrick Stewart arranca lágrimas da platéia com o seu Professor Xavier derrotado. Até mesmo Boyd Holbrook, que em Narcos não impressiona muito, está divertidíssimo como Donald Pierce, o líder dos Carniceiros.

Logan é o filme onde Hugh Jackman se despede de seu personagem mais famoso. O longa celebra e analisa os 17 anos do mutante mais popular dos quadrinhos em uma trama que vai arrancar lágrimas até mesmo dos lenhadores fumadores de charuto mais durões do Canadá.

Logan estreia dia 2 de março nos cinemas.

Até a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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