[CRÍTICA] Macbeth – “Do que vale ser Rei, sem sê-lo com segurança?”

Michael Fassbender se transforma em Macbeth, um dos personagens mais complexos de William Shakespeare A famosa tragédia regicida do dramaturgo inglês William Shakespeare, Macbeth, ganha nova adaptação cinematográfica com o aclamado...

Michael Fassbender se transforma em Macbeth,
um dos personagens mais complexos de William Shakespeare

macbeth-ambicao-e-guerra-michael-fassbender-01A famosa tragédia regicida do dramaturgo inglês William Shakespeare, Macbeth, ganha nova adaptação cinematográfica com o aclamado ator Michael Fassbender (Shame, 12 Anos de Escravidão) no papel principal. Dirigido pelo estreante Justin Kurzel , o longa de quase duas horas retrata a trajetória do rei escocês desde sua ascensão até a queda de forma fria, detalhista e fiel à história original. Há quem espere por um filme épico estilo Coração Valente (1995), mas esta versão de Macbeth é uma obra cinematográfica peculiar que marca aqueles que realmente conhecem a atordoada mente do personagem e, porque não, de William Shakespeare

Voltamos na história onde a Escócia estava em guerra. De cara uma batalha sangrenta e selvagem é destacada nas lentes do diretor com primor. Takes em câmera lentas alternam entre a exposição da emoção dos personagens e da violência sem escrúpulos das espadas. A fotografia acinzentada reforça ainda mais que o espectador está prestes à contemplar uma trama repleta de ganância e traições. 

Para quem não se lembra, Macbeth é parente do Rei da Escócia Duncan, que é consagrado por sua bravura após derrotar as forças aliadas da Noruega e da Irlanda. Ao receber premonições de três bruxas, Macbeth é fomentado por sua esposa para que as profecias sejam cumpridas. O barão precisa assumir os postos de Glamis e Cowdor, para depois ser eleito Rei. Cego por uma ambição impossível de ser descrita, Macbeth assassina o Rei Duncan e assume o trono, o levando à ascensão e uma posterior queda banhada de loucura e insaciedade. Este cenário resulta em uma obra marcante e enriquecida por seus elementos psicológicos obscuros.

No longa, que estreia dia 24 de Dezembro no Brasil, temos este mesmo enredo apresentado com maestria pelos roteiristas Todd LouisoMichael Lesslie. Sem ocultar os detalhes mais sangrentos e carniferrínicos da trama, Macbeth: Ambição & Guerra pode ser considerada a adaptação mais fidedigna e teatral já feita no cinema. Utilizando o inglês e escocês arcaicos, a estrutura narrativa do longa usa e abusa das frases originais da peça de Shakespeare, o que pode incomodar a audiência pela complexidade de seus diálogos. Outro ponto é que o longa mantém um tom linear, destoando de obras épicas de guerras que automaticamente determinam seus heróis e vilões. Aqui, todos são expostos como “iguais” e coloca a audiência como julgadora da tragédia. Em muitas cenas, personagens são inseridos sem nenhuma ação ou reação ao que é apresentado, uma forma interessante de representar aqueles que não têm poder de alterar ou impedir o que já está predestinado a acontecer. O espectador está presente dentro e fora das telas, um ponto enriquecedor desta película que fascina por sua ousadia. 

Macbeth: Ambição & Guerra conta com um Michael Fassbender bem a vontade em seu personagem, é nítido que o ator teve toda liberdade de compor o Rei. Marion Cotillard (Lady Macbeth) também oferece uma excelente representação de uma esposa que inicialmente idolatra seu marido e que depois se culpa por ter estimulado seus cruéis atos. Infelizmente os arcos de evolução dos personagens principais não são tão claros, sendo necessário conhecer um pouco mais sobre a obra de Shakespeare. Outro destaque do longa é o ator Sean Harris (Missão Impossível: Nação Secreta) que interpreta Mcduff, o barão que tem sua família assassinada por Macbeth enquanto está em exílio na Inglaterra e que retorna à Escócia para cumprir a profecia ” ninguém que tenha nascido de uma mulher fará mal a Macbeth”. 

Quer conferir este longa nos cinemas? Descanse bastante e esteja inspirado para uma intensa imersão na mente criativa de William ShakespeareMacbeth: Ambição & Guerra é um filme pesado, explícito e distante de obras hollywoodianas de sucesso e ainda incrementa a intrigante relação do casal protagonista com o uso do sexo como poder e abuso.

Küsses, 

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Tatá Snow

“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

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