Crítica de Máquinas Mortais

CRÍTICA | Máquinas Mortais supera problemas do roteiro com criatividade

Dizer que Máquinas Mortais é um filme ruim seria exagero, e até mesmo prepotência. São muitos os filmes de ficção científica e fantasia, que apesar de apresentar problemas, ainda...

Máquinas Mortais traz uma boa dose de criatividade e faltou pouco para ser um excelente filme

São poucos os filmes de fantasia e ficção científica que fogem dos cenários mais estabelecidos. É uma aposta mais certeira criar um western espacial a la Star Wars ou um mundo medieval repleto de magia e dragões do que tentar algo diferente. Nos poucos casos onde gêneros de nicho são adaptados para as telonas, como no caso de Capitão Sky e o Mundo de Amanhã, que apesar da sua estética dieselpunk – algo raramente visto no cinema, falhou em conquistar um público.

Agora é a vez do steampunk. Nicho do gênero de fantasia que explora um mundo futurista a partir da tecnologia disponível na Inglaterra Vitoriana do século 19. O gênero não é muito conhecido fora dos circuitos mais ferrenhos do mundo geek, mas talvez o filme Máquinas Mortais mude isso.

Máquinas Mortais

Baseado no livro de Philip Reeve, Máquinas Mortais conta a história de um futuro pós-apocalítico onde boa parte do planeta foi devastado por armas quânticas no evento que ficou conhecido como a Guerra de 60 Minutos. Neste futuro, as poucas cidades que restam não permanecem num lugar só e se movimentam pelos continentes em busca de recursos para sobreviver. Cidades como Londres, a metrópole principal do filme, é uma gigantesca cidade predadora que sobrevive “devorando” cidades menores para absorver seus recursos e habitantes. Tudo aquilo que não é aproveitado é consumido pelo gigantesco motor que abastece as esteiras que movimentam ela.

Entra Hester Shaw (Hera Hilmar), uma garota com uma cicatriz no rosto que tenta assassinar Thaddeus Valentine (Hugo Weaving). Ela fracassa em sua missão e é expulsa de Londres junto com Tom (Robert Sheehan), um jovem historiador. Ambos precisam sobreviver às terras devastadas, sem o conforto de uma cidade móvel, fugindo de criminosos e se envolvendo numa eventual guerra entre o oeste representado por Londres, e o leste representado pela cidade da Liga Anti-Tração que é contra as cidades predadoras.

Mundo fantástico

Visualmente, Máquinas Mortais é fantástico. A criatividade com que Peter Jackson e o diretor Christian Rivers adaptam este mundo é vislumbrante. A diferentes cidades que surgem no filme, seus propósitos e seu funcionamento impactam totalmente o visual e como elas se comportam. Se elas se dividem entre classificações animais como predadoras e carniceiras, isto é refletido em sua configuração.

Fora isso, os figurinos, refletindo uma Londres que voltou 100 anos para avançar 200, são marcantes. Algo que raramente é visto nos cinemas. Porém, mesmo com todos estes elementos fantásticos na tela…

Falta recheio no roteiro

O roteiro falta personalidade. Os personagens são um pouco unidimensionais. As motivações do vilão Valentine nunca ficam claras e parece que existe um certo comodismo no esforço em trazer profundidade ao personagem já que ele é interpretado por um ator que encarna com naturalidade qualquer tipo de antagonista sinistro. Os protagonistas são carismáticos suficientes, mas o abuso de flashbacks para explicar o passado de Hester Shaw intercalando na narrativa deixa a trama um pouco truncada.

Faltou entender o famoso “menos é mais”. Sim, o mundo é fantástico, mas será que precisa de tanto diálogo expositório para explicar minuciosamente cada aspecto e elemento deste universo? Será que uma abordagem mais sutil, onde fosse permitido espaço para os atores exporem melhor seus personagens não criaria uma experiência mais interessante?

A direção de Christian Rivers, aqui estreando na cadeira de diretor, funciona muito bem para capturar os elementos mais fantásticos em tela, mas peca na hora de permitir qualquer tipo de momento de calmaria ou interação entre personagens. Qualquer diálogo precisa ser interceptado por flashbacks cheios de efeitos, nada pode ficar parado por muito tempo.

Mesmo assim

Dizer que Máquinas Mortais é um filme ruim seria exagero, e até mesmo prepotência. São muitos os filmes de ficção científica e fantasia que, apesar de apresentar problemas, ainda são experiências fantásticas apenas pela inventividade e criatividade.

Se filmes cuja criatividade superam em muito seus defeitos, que talvez não faça sentido serem analisados pela ótica tradicional (e as vezes preguiçosa) do crítico de cinema, que exploram mundos difíceis e complexos, que são tão grandes que as vezes atrapalham outras áreas da obra como roteiro, cuja ambição ou inventividade não andem na mesma velocidade que as expectativas de um público acomodado são aquilo que você procura, então dê Máquinas Mortais uma chance.

Ladrão de Sonhos, Cidade das Sombras, Valerian, O Justiceiro Mascarado e As Aventuras do Barão Munchausen agradecem.

Máquinas Mortais estreia 10 de janeiro nos cinemas.

Até a próxima!

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Nota
7
Nota
O bom
  • Visuais fenomenais e ideias ambiciosas.
  • Elenco carismático.
O ruim
  • Ritmo frenético nos momentos errados.
  • Roteiro precisa de mais profundidade nos personagens.
  • Direção
    8
  • Roteiro
    6
  • Elenco
    8
  • Enredo
    6
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