[CRÍTICA] Marvel Demolidor – Temp.02 – NETFLIX traz mais intensidade ao universo do personagem

O sangue e a violência correm soltos enquanto a NETFLIX expande o universo de Marvel Demolidor A primeira temporada de Marvel Demolidor teve seus soluços e engasgos no roteiro,...

O sangue e a violência correm soltos enquanto
a NETFLIX expande o universo de Marvel Demolidor

A primeira temporada de Marvel Demolidor teve seus soluços e engasgos no roteiro, mas foi possível perdoar graças à intensa experiência visual que a NETFLIX e Marvel criaram para a adaptação do personagem para a TV. Naturalmente, é difícil pegar os fãs pelo cangote e cuspir sangue na cara em uma segunda temporada, mas ainda tem bastante diversão garantida.

Alguns meses após a prisão de Wilson Fisk, a Nelson & Murdock continua aceitando qualquer tipo de caso, independente da capacidade de seus clientes conseguirem pagar pelos serviços de nossos intrépidos advogados. Enquanto durante o dia Matt se diverte em um escritório cheio de frutas e presentes de clientes com Karen e Foggy, durante a noite, a história é outra. As ruas de Hell’s Kitchen continuam protegidas pelo brutal Demolidor.

Infelizmente, a presença do herói inspirou as ações de um novo vigilante ainda mais violento que mata sem dó seus inimigos. Em meio a tiroteios que gritam GARTH ENNIS, surge Frank Castle, um ex-soldado transformado em “exército de um homem” só que tem aniquilado criminosos da cidade com precisão tática e armas avançadas. Matt e Frank se enfrentam, e suas ideologias entram em choque. Matt defende que todo bandido merece passar pelo processo, ser devidamente julgado e preso, enquanto Castle acredita que isso não passa de uma meia medida. Jon Bernthal traz às telas a melhor adaptação live action do personagem até o momento. No lugar da máquina fria, implacável e pouco humana que vemos na série Justiceiro MAX ou no assassino que frequentemente entra em conflito com os demais heróis ou premissas questionáveis do universo principal, o ator oferece um personagem dinâmico, realista e bastante próximo de suas origens.

Em outro núcleo, o Tentáculo consolida sua presença em Hell’s Kitchen após a queda de Fisk e traz às portas do Demolidor sua guerra contra a Casta, o exército de guerreiros secretos de Stick, entre eles, Elektra, um antigo romance de Matt. Esta parte da trama, infelizmente, não é tão marcante quanto o arco de história do Justiceiro. Elodie Yung faz uma boa interpretação, mas no lugar da mortífera e independente personagem dos quadrinhos, temos uma guerreira insegura que estranhamente sempre parece estar seguindo as ordens de algum personagem masculino. A resolução do seu arco, por mais que seja o núcleo central da trama e uma parte importante do desfecho da temporada, move adiante de forma truncada e com um pouco de incertezas quanto à ideia de jogar ninjas e guerras místicas no meio de Hell’s Kitchen.

Visualmente, Demolidor continua arrematador, com fortes cenas de ação e belas coreografias na hora da pancadaria. Uma homenagem à notória cena da luta no corredor da primeira temporada surge com uma batalha maior ainda em um prédio abandonado contra a gangue de motoqueiros, Dogs of Hell, que também já marcou presença na série Marvel’s Agents of S.H.I.E.LD..

Na visão geral, a série continua intensa e marcante, porém o roteiro sofre com o excesso de tramas e a introdução de dois personagens de peso e a devida atenção para trazê-los ao universo de Matt Murdock. Para isso, alguns personagens perdem um pouco a presença, especialmente Foggy, que se limita a sempre trazer à tona o mesmo diálogo com seu parceiro de advocacia. Charlie Cox é um Matt competente, mas ainda tem dificuldade em ter uma química natural com os demais membros do elenco. Não ajuda que o roteiro não consegue ir muito além de reforçar o masoquismo católico irlandês do personagem ao longo dos 13 episódios.

O grande destaque da série é Deborah Ann Woll no papel de Karen Page, que não só carrega muito do peso dramático da série nas costas, mas ganha independência suficiente para adiantar muitos pontos do enredo por conta própria, criando uma personagem feminina com profundidade e fascinante de acompanhar.

Vale a pena? Os projetos da Marvel na Netflix ainda são séries muito acima da média quando o assunto é adaptação de quadrinhos em formato de série e Marvel Demolidor ainda está entre as adaptações mais primorosas para o meio, com suas derrapadas ou não, e com certeza irá prender a atenção do começo ao fim.

Até a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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