Crítica de Marvel Punho de Ferro - Temporada 2 na Netflix

CRÍTICA | Punho de Ferro - Temporada 2

A segunda temporada de Punho de Ferro surpreende Convenhamos, a Marvel na Netflix não é exatamente a máquina de sucessos igual ao cinema. Demolidor conseguiu uma temporada e meia...

A segunda temporada de Punho de Ferro surpreende

Convenhamos, a Marvel na Netflix não é exatamente a máquina de sucessos igual ao cinema. Demolidor conseguiu uma temporada e meia de qualidade antes de perder o fôlego com ninjas e Elektra. Jessica Jones e Luke Cage ambos trouxeram temáticas importantes que abordaram situações sociais e políticas da sociedade mas, mesmo assim, são duas séries bem arrastadas e com poucos momentos marcantes na trama.

Aí entrou Punho de Ferro, uma série que tinha o roteiro de um comercial de farmácia com cenas de ação nível peça teatral de colégio – e pior, serviu de gancho para Os Defensores, a extremamente antecipada série que funcionaria como Os Vingadores da Netflix. E foi uma série completamente esquecível. Milagrosamente, Punho de Ferro – Temporada 2 melhora consideravelmente em relação à sua antecessora.

Punho de Ferro – Temporada 2

Danny Rand (Finn Jones) assume a missão de Matt Murdock e começa a lutar contra o crime em Nova York. Colleen Wing (Jessica Fenwick) abandonou o dojo e ajuda a comunidade com trabalho de caridade. Davos (Sacha Dhawan) retorna à cidade com planos de se vingar de Rand e tomar para si o poder do punho de ferro. Tudo isso com uma guerra entre duas fações criminosas da tríade prometendo banhar Chinatown em sangue e uma misteriosa guerreira com múltiplas personalidades envolvida com diferentes personagens ao longo da trama.

Melhoria considerável

A segunda temporada de Punho de Ferro melhora consideravelmente em relação à anterior – não que seja difícil. Sinceramente, se fosse para piorar, provavelmente precisaríamos aprender a colocar notas negativas no site. A qualidade aprimorada basicamente vem de duas fontes. Primeiro, a direção e cenas de ação melhoraram consideravelmente. Brutais e eficientes, os movimentos mais floreados do kung fu foram deixados de lado para uma coreografia mais apropriada para hospitalizar diversos bandidos. A classificação etária 18 anos (nos EUA) também ajuda com bastante sangue, deixando tudo mais visceral.

O outro ponto é roteiro. Punho de Ferro na primeira temporada tentou deixar de lado todo o misticismo de K’un-Lun, a ação de artes marciais e os ricos personagens do universo do herói (especialmente das sagas de Ed Brubaker) para contar uma história envolvendo intrigas corporativas, mercado imobiliário e seja lá que drama baunilha de gente rica sem sal estava acontecendo com Ward e Joy Meachum (Tom Pelphrey e Jessica Stroup). Ao contar uma história simples de dois irmãos em conflito, além de oferecer mais oportunidades para ação, cria o tipo de narrativa simplista que causa mais impacto emocional.

Mesmo assim

Nem tudo funciona na segunda temporada de Punho de Ferro. Finn Jones melhorou no papel, mas continua um pouco sem sal, especialmente ao contracenar com Jessica Fenwick que traz muito mais carisma e versatilidade para o papel de Colleen Wing. O mesmo vai para Sacha Dhawan, que tenta de tudo para tornar o Serpente de Aço em um vilão de impacto, mas acaba saindo como a versão Kung Fu de Draco Malfoy.

A redução de 13 episódios para 10 garantiu menos cenas de preenchimento desnecessárias ou aqueles diálogos emocionais insossos (a segunda temporada de Luke Cage foi campeã nesse quesito), mas ainda assim a série poderia se beneficiar mais ou pegar mais elementos místicos dos quadrinhos para salpicar a narrativa. Este lance das séries da Netflix serem super sérias e os heróis não usarem uniforme está cansando um pouco. Deixem eles se fantasiar e ser feliz! As duas melhores séries até agora foram Demolidor e Justiceiro, e parte disso é porque tivemos a chance de ver uma adaptação mais fiel dos quadrinhos. Não faz sentido negligenciar Punho de Ferro nesse quesito.

Os momentos finais do episódio trouxeram algumas promessas bastante interessantes para a próxima temporada e ao longo da temporada tiveram alguns easter eggs também. Abaixo colocamos alguns e é claro, cuidado com spoilers.

Até a próxima!


*** EASTER EGGS ***

A primeira Punho de Ferro

Colleen Wing recebe o espírito de Shou Lao e se torna a nova Punho de Ferro. Apesar de Colleen nunca ter feito isso nos quadrinhos, a série traz uma revelação interessante. Ela é descendente de Wu Ao-Shi, a Rainha Pirata de Pinghai e a primeira mulher a controlar o poder supremo de K’un-Lun. A personagem foi criada por Ed Brubaker em sua saga sensacional do personagem.

Wu Ao-Shi - Colleen Wing - Punho de Ferro - Temporada 2

O episódio revela que Colleen consegue canalizar a energia do punho em sua espada. Sua ancestral fazia isso com seu arco e flecha e diversos guerreiros da linhagem conseguiam fazer isso com suas armas e artefatos.

Quarteto Fantástico?!

No episódio 6, Danny e Davos lutam em um prédio em construção. Quando o herói é encontrado por Mary, ela chama uma ambulância e a direciona para “42 Baxter” (ou Rua Baxter, 42 em português). A base do Quarteto Fantástico se chama Edifício Baxter e é localizado na esquina da Rua 42 com a Madison. Seria um indicativo que já existem planos para trazer a primeira família Marvel de volta ao estúdio?

O Punho de Ferro da Primeira Guerra Mundial

O antecessor de Danny Rand se chamava Orson Randall e ele detinha o poder do Punho de Ferro durante o começo do século onde atuou como super herói na primeira guerra mundial. Ele tinha o poder de canalizar o chi de seu poder em suas armas. O final da série revela que Randall estava por trás das maquinações de Davos e que Danny consegue usar as pistolas energizadas que nem seu antecessor.

Orson Randall - Punho de Ferro segunda temporada

Nos quadrinho, Orson era o protetor de um jovem órfão que cresceu nos arredores de K’un-Lun que eventualmente se mudou para os EUA e assumiu o manto de Wendell Rand, pai de Danny.

As Quatro Personas de Mary Tifóide

A Mary Tifóide dos quadrinhos tem quatro personalidades que variam em graus de loucura, agressividade e habilidades de combate. Ao longo de Punho de Ferro – Temporada 2 vemos duas delas e um indicativo que existe uma terceira que foi responsável pela fuga da personagem de uma prisão na Sokovia.

No décimo episódio, a personagem canta Monday Monday da banda The Mamas & The Papas. Este grupo é conhecido por cantar suas músicas em quatro harmonias, ou seja, vemos uma única personagem cantar uma música que possui quatro vozes.

“Knight Wing”

A piadinha entre Misty e Colleen não tem nada a ver com o primeiro discípulo do Batman. Nos quadrinhos, as Filhas do Dragão operavam por trás de uma empresa de fachada chamada Nightwing Restorations. Indicando que talvez no futuro veremos a dupla em ação juntas novamente.

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

Nota
7
Nota
O bom
  • Coreografia de ação não é nível Into the Badlands, mas melhorou bastante
  • Por favor deixe a próxima temporada com Jessica Fenwick no papel principal.
O ruim
  • Por que deixar a melhor parte da temporada nos últimos 5 minutos?
  • Os irmãos Meachum continuam a não agregar...
  • Direção
    8
  • Roteiro
    7
  • Elenco
    6
  • Enredo
    7
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