[CRÍTICA] Marvel’s Agents of S.H.I.E.L.D. – Temporada 03

Marvel’s Agents of S.H.I.E.L.D. entrega a melhor temporada até agora Demorou três temporadas, mas Marvel’s Agents of S.H.I.E.L.D. finalmente conseguiu conquistar um espaço grande o suficiente no Universo Marvel para...

Marvel’s Agents of S.H.I.E.L.D.
entrega a melhor temporada até agora

Demorou três temporadas, mas Marvel’s Agents of S.H.I.E.L.D. finalmente conseguiu conquistar um espaço grande o suficiente no Universo Marvel para criar histórias que realmente importam. Sobrevivemos à primeira temporada e sua pegada “NCIS vagamente conectada aos quadrinhos” e a segunda temporada e suas eternas batalhas em parques públicos e estacionamentos de shopping. O que a série nos reservou para a terceira?

Com os filmes deixando os resquícios da HIDRA para ilustrar apenas o começo de Vingadores: A Era de Ultron, Marvel’s Agents of S.H.I.E.L.D. aproveitou a deixa para expandir a mitologia por trás da organização terrorista e unir-se ao outro nicho do universo Marvel explorado pela série: Os Inumanos. Ao longo da temporada é revelado que a HIDRA é muito mais antiga do que sua origem durante a Segunda Guerra Mundial, e o reinado do Caveira Vermelha e de Daniel Whitehall foi um desvio de seu verdadeiro propósito. Com uma existência milenar, seu círculo interno tem uma devoção fanática pelo Inumano Primordial, uma criatura de poderes imensos que foi exilada em outro planeta. Para tentar trazê-lo de volta, organizam expedições utilizando rochas misteriosas.

Já nas sombras da clandestinidade habitadas pela S.H.I.E.L.D., Phil Coulson em seu papel como diretor da organização continua a travar a batalha contra a HIDRA, a ajudar Daisy a treinar uma unidade especial de agentes Inumanos e novamente tornar a agência de espiões fundada por Peggy Carter em uma força legítima do bem. Tensões surgem de todos os cantos. As névoas terrígenas, agora espalhadas pelo planeta, causaram o surgimento de inúmeros inumanos. Entre eles um gigantesco predador chamado Lash, que devora outras pessoas transformadas. Gideon Mallick, um dos líderes do Conselho Global de Segurança (ele aparece no final de Os Vingadores perguntando se Nick Fury sabe do paradeiro dos heróis) é revelado como um dos grandes líderes da HIDRA. E as visitas ao misterioso planeta que manteve Jemma Simmons presa eventualmente trazem o misterioso Colméia de volta à Terra.

Colméia foi o primeiro humano a ser transformado pelos Kree. Ele não possui mais uma forma humana e sobrevive possuindo corpos de outros seres vivos, adquirindo suas memórias no processo. Ele também consegue devorar humanos ao emitir nuvens de partículas que consomem toda as partes macias de uma pessoa. Com inumanos, apesar de não poder devorá-los, consegue controlá-los psicologicamente. A criatura apossa o controle de Grant Ward, que finalmente se transforma no antagonista que a série merece.

Muitos outros pontos são tranquilos E favoráveis para Marvel’s Agents of S.H.I.E.L.D.: a qualidade da direção e fotografia melhoraram consideravelmente. Visualmente, a série sempre foi a mais fraca entre tantas outras adaptações de quadrinhos, mantendo-se viva com uma cenografia simplória, cenas de ação fracas e uma fotografia genérica, aparentemente dependendo da fama e boa reputação de seus irmãos nas telonas para manter o interesse vivo. Com um orçamento mais inchado e decisões criativas, a terceira temporada foi a primeira a criar episódios genuinamente memoráveis, como o caso de ‘4,722 Hours’, uma fantástica história que conta sobre o tempo que a Dra. Simmons passou sozinha e isolada no planeta alienígena, batalhando para se manter esperançosa sob uma atmosfera azul opressora e imutável.

Daisy Johnson cresceu o suficiente para ter virado uma das heroínas mais interessantes do universo cinematográfico Marvel, talvez por ter se tornado uma inumana tão poderosa, a terceira temporada teve dificuldades em mantê-la no papel central, às vezes tornando-a vulnerável, insegura ou simplesmente deixando-a sob controle do Colméia. Tudo bem que realmente é difícil colocar a maior hacker da série, treinada em combate por Melinda May e com poderes de terremoto, em uma posição onde a audiência possa se identificar com ela mas, em momentos, o roteiro pecou com a insegurança de deixar sua presença carregar o grosso da trama.

Não que tenha sido inteiramente ruim. A ausência de Daisy em certos momentos permitiu o crescimento e desenvolvimento de personagens que passaram as últimas duas temporadas reforçando a única característica que suas personalidades rasas permitiam, inclusive com elementos políticos aplicados à crescente população inumana do planeta.

Esta última temporada de Marvel’s Agents of S.H.I.E.L.D. se tornou digna de pertencer ao mesmo universo do Homem de Ferro e do Capitão América e com um pouco mais de ajustes, não ficará muito atrás de Demolidor ou Jessica Jones.

Até a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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