Sob uma planície ensolarada e opressora, Midsommar - O Mal Não Espera a Noite surge como um dos filmes de terror mais interessantes dos últimos anos.

CRÍTICA | Midsommar - O Mal Não Espera a Noite

SEM SPOILERS!

Midsommar – O Mal Não Espera a Noite é uma obra prima de tensão psicológica e pavor

Ari Aster, seu bastardo/gênio magnífico, você conseguiu de novo. Depois que Hereditário deu alguns nós na cabeça da audiência com uma trama de fantasmas inusitada, o diretor retorna para criar sua versão de O Homem de Palha (1973) e Apóstolo (2018), e não decepciona.

A trama

Midsommar – O Mal Não Espera a Noite conta a história de Dani (Florence Pugh), uma universitária traumatizada com a morte de sua família em um evento trágico. No verão seguinte, Dani é convidada junto com seu namorado Christian (Jack Reynor), e seus amigos Mark e Josh (Will Poulter e William Jackson Harper), por Pelle (Vilhelm Blomgren) para visitar a Hårga, a comunidade na Suécia onde ele cresceu para participar das festividades de meio de verão. Como todos são alunos de psicologia e antropologia, ficam interessados em poder participar dos rituais pagãos desta commune reclusa.

A região da Hårga no verão passa por um fenômeno chamado Sol da meia-noite, onde devido à proximidade com o extremo norte do planeta, o Sol não se põe durante o verão. Além disso, todos os moradores da região durante as festividades usam apenas roupas brancas.

O Mal Não Espera a Noite

Ao contrário do que se esperaria em um filme de terror, não existem sombras e trevas em Midsommar. O filme inteiro é gravado sob uma agradável luz de verão que remete mais à uma propaganda de Margarina do que uma trama sobre um culto misterioso. Aos poucos, conforme os jovens são confrontados com as práticas mais extremistas do culto, a luz solar, os tons amarelos das flores e as vestes brancas se tornam tão opressoras e agressivas quanto qualquer escuridão que possa ocultar a próxima ameaça.

O que funciona muito bem no longa é a construção deste mundo. Filmes que envolvem cultos e misticismo andam uma linha tênue entre o realista e o brega. Aster investe pesadamente em construir um mundo onde a ritualística é ao mesmo tempo tangível, mas completamente alienígena para quem observa de fora. Não é um filme de grandes sustos, mas sim de uma construção de tensão que gradualmente consome a audiência assim como os pobres turistas que arriscaram passar o verão em Hårga.

Filme que te faz pensar

As cores primárias das casas e elementos complementam com o mundo ensolarado de Midsommar, os protagonistas parecem ainda mais devorados por este universo com suas vestimentas básicas em cores secundárias. Parece uma observação técnica metida a besta, mas note como mesmo enquadrados em cena, os personagens principais parecem bactérias em um gigantesco organismo. O visual surrealista, que deve mais a Jodorowsky e o ritmo estático que lembra Bergman acrescentam nesta experiência impossível de adivinhar os próximos momentos.

Nem tudo funciona. Ari Aster claramente é um diretor competente e trabalha muito bem o minimalismo dos momentos para instigar pavor, mas ainda assim, o roteiro precisa estabelecer muito do elaborado mundo de Midsommar para a trama fazer sentido e, em certos momentos, o filme perde o próprio foco e o ritmo sofre. Alguns ideias são naturalmente feitas para chocar, mas algumas parecem um pouco forçadas para o ecossistema que o longa estabelece. Nada que impeça a experiência como um todo, mas é de se esperar algumas desfalques.

Existe algo muito especial em encontrar um filme que não só atende seu propósito, mas desafia o público com sua mensagem. Afinal, o que está por trás da tensão psicológica de Midsommar? É o choque do secularismo contra o místico? Um “fuck you” aos americanos que chegam arrogantes em outros cantos do planeta e se deparam com costumes e práticas que sua visão de mundo não está pronta para encarar? Seria um desafio ao escuro, a origem de todos os medos? O longa não só vai te perturbar como vai te fazer questionar, e nada melhor que uma boa dose de inteligência para acompanhar o pavor.

Midsommar – O Mal Não Espera a Noite estreia nos cinemas brasileiros no dia 19 de setembro.

Até a próxima!

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Nota:
9.5
Nota:
O bom
  • Nunca um filme trabalha senicídio ritualístico de forma tão impactante. Não julgue, eu sou um cara estranho.
  • Ari Aster é um sucessor digno de Michael Haneke.
O ruim
  • Sem dar muito spoilers, mas uma das cenas principais com Christian é mais... cômica... que perturbadora.
  • Direção
    9
  • Roteiro
    10
  • Elenco
    9
  • Enredo
    10
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CriticasFilmes

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