Modern Love (Amor Moderno) Amazon prime video temporada 1

CRÍTICA | Modern Love temporada 1

Que série...

Modern Love explora formas de amor não cliché e oferece uma reflexão intensa sobre amor-próprio

Uma das coisas que mais amamos no entretenimento, em geral, são as histórias de amor. Não existe nada mais catártico do que assistir um bom romance. Por algumas horas, nos desligamos do mundo real para sentir e sofrer com a jornada dos pombinhos apaixonados. Gostamos do mamão com açúcar, gostamos do “final feliz”, gostamos do beijo de reconciliação que encerra a trama com o clima mais perfeito possível. De fato, gostamos. Então quando surge uma produção com Modern Love (Amor Moderno) que ressignifica o “final feliz” e ainda por cima nos dá um tapão na cara sobre amor-próprio, bem… É pra assistir mesmo!

Modern Love (Amor Moderno)

Escrita e dirigida por John Carney, a produção é inspirada em uma coluna do jornal The New York Times. A cada episódio, conhecemos um canal/relacionamento e sua história. Trazendo à tona a diversidade do amor, as história foram escolhidas a dedo com toda certeza, por que não tem um episódio que não nos impacte de alguma forma.

Episódio 1 – “When the Doorman Is Your Main Man” (Quando o porteiro é seu principal homem)

No primeiro episódio conhecemos Maggie (Cristin Milioti) e Guzmin (Laurentiu Possa). Ela é residente de um prédio que tem Guzmin como porteiro e, aparentemente, é um cara bem interessado em sua vida. Sempre sério, quieto e muito observador, ele solta frases que desencorajam Maggie com seus novos ficantes. Os dois têm uma relação estranha, até que Maggie engravida de um casinho e Guszmin passa a ser um porto-seguro em sua vida.

Aqui, entendemos a fundo a história de Maggie e o quanto ter um amigo como Guzmin em sua vida pode ser a grande diferença e o ponto alto de sua existência. É em Guzmin que ela busca o alento, as orientações e as broncas. Duas pessoas tão distintas que simplesmente se completam. Uma amizade que pode estar na esquina, ou no caso na portaria do seu prédio, e que você se quer dá atenção.

Este primeiro episódio é fascinante e uma verdadeira aula sobre o quanto o amor-próprio só é firmado quando estamos livres dos nossos próprios preconceitos.

Episódio 2 – “When Cupid Is a Prying Journalist” (Quando o cupido é uma jornalista xereta)

Dev Patel é Joshua, o criador de um aplicativo de relacionamento que promete revolucionar o mercado de aplicativos de relacionamento. Catherine Keener é Julie, uma jornalista casada que senta com Joshua para entrevistá-lo sobre o tal app. Curiosa, ela acaba perguntando o que raios inspirou Joshua a criar o tal aplicativo. Os dois sentem a sintonia e Joshua conta sua trágica história.

Após entendermos o que aconteceu com o coração partido de Joshua, Julie se abre e conta sobre um antigo amor adormecido, Michael (Andy Garcia), também casado. Ao término da entrevista, Joshua, Julie e Michael passam a refletir sobre seus corações partidos e surge em tela o que? O amor próprio. Aqui, entendemos que se você não é capaz de decidir o que quer pra si, como que você pode reclamar que o outro não quis te amar.

Episódio 3 – “Take Me as I Am, Whoever I Am” (Me aceite como eu sou, independente de quem eu seja)

Anne Hathaway dá um SHOW neste episódio. Chegou a hora de conhecermos uma advogada bem sucedida que sofre com a sua bipolaridade. Um dia ela está ótima, feliz, saltitante…No outro ela está depressiva e refém de uma cama. Sem amigos, sozinha, sem amor, Lexi (Hathaway) vive entre a luz e a sombra e não sabe como sair disso.

Em um dia feliz, ela conhece Jeff (Gary Carr), uma nova paixão que talvez a faça ficar longe de sua condição. Infelizmente não é o que acontece e Lexi não só perde Jeff, como perde o emprego. É graças a um anjo da guarda que trabalhava com ela, que Lexi resolve reconhecer que precisa de ajuda, precisa ter amor-próprio a quem ela é e verbalizar sua real condição.

Certamente um dos episódios mais aflitivos e impactantes. Não só pela atuação de Hathaway, como pela mensagem de que o ser humano precisa de uma mão estendida que aceite o próximo independentemente de quem ele seja.

Episódio 4 – “Rallying to Keep the Game Alive” (Reunindo para manter o jogo vivo)

Um casal quarentão, formado por Sarah (Tina Fey) e Dennis (John Slattery) passa por uma crise no relacionamento. Eles procuram a terapia de casal, mas nada parece satisfazer Sarah dentro dessa relação. Já Dennis é meio avoado e está mais disposto a curtir o que tem hoje do que concertar os dois, já que não enxerga tantos problemas.

Juntos, eles jogam tênis, vão no cinema e procuram atividades na rua fora de casa, onde os filhos demandam atenção e toda uma logística familiar. É na competição do jogo, que Sarah e Dennis se reencontram. Compreendem seus pontos, seus defeitos e suas qualidades. Estes movimentos são tão sutis, que o episódio é carregado pela atuação destes dois veteranos e olhares e falas objetivas levam a audiência, no silêncio, compreender onde os dois chegarão juntos.

É um episódio com um tom poético e bem profundo. Sarah precisa voltar a se amar para tomar qualquer decisão. Amor-próprio, de novo em pauta.

Episódio 5 – “At the Hospital, an Interlude of Clarity” (No hospital, um interlúdio de clareza)

Este é o episódio mais fraco da temporada. Aqui conhecemos Rob (John Gallagher Jr.) e Yasmine (Sofia Boutella) em um primeiro encontro. Rob recebe a jovem em seu apartamento e quando as coisas esquentam, ele sobre um pequeno acidente e acaba no hospital.

Chegando lá, precisa contar para os médicos que toma uma série de remédios e o personagem Rob vai pro saco. Yasmine, ao invés de fugir da situação, acompanha Rob em seu processo na madrugada. Juntos, eles descobrem como forjam suas personalidades, como eles agem para que o mundo aceitem eles da forma como ELES querem e entram em uma reflexão rasa sobre o mal que aplicativos de relacionamento podem causar nas pessoas.

A temática é interessante, mas a execução deixa a desejar. Entendemos que o amor-próprio em ambos precisa ser resgatado, mas falta uma grande mensagem ou fechamento sobre jovens que vivem de personas na internet e na vida real.

Episódio 6 – “So He Looked Like Dad. It Was Just Dinner, Right? ” (Então ele parecia um Pai. Mas foi só um jantar, certo?)

Maddy (Julia Garner) é uma jovem de 20 e poucos anos que trabalha em uma empresa ao lado de Peter (Shea Whigham), um quarentão/cinquentão bem resolvido. Ela vê nele todas as características que seu pai, nesta idade, talvez tivesse e passa a se interessar por ele.

O ponto é Peter também está interessado por Maddy, mas da forma que esperamos: homem mais velho se apaixona pela novinha.

Logo de cara ela vai jantar na casa dele, mas não rola nada. Em seguida, surge uma amizade de muito carinho. Quando Peter dá um passo a mais, Maddy se assusta e os separam. Aqui, os problemas de Maddy com seu pai e a ausência dessa figura paternal e masculina em sua vida, resultaram em problemas no futuro, e ela não consegue analisar isso de forma fria e se distanciar desse vazio interno.

Esse episódio é bem delicado. Primeiro por que Maddy é bem infantilizada, o que incomoda muito. Segundo que, exceto pela ausência do pai, ela não tem nenhuma outra característica em sua personalidade que sustente seus problemas paternais. Faltou ser uma personagem melhor construída, talvez. Defendemos isso para que a intenção do roteiro não seja mal compreendida pela audiência.

O desafio aqui é olhar além e entender que essa ausência do pai em Maddy ferrou o que? Seu amor-próprio.

Episódio 7 – “Hers Was a World of One” (O mundo dela era único) 

Agora sim! Que episódio lindo! O despertar da paternidade em um casal homossexual. Que tema, que sutileza, que atuações! Tobin (Andrew Scott) e Andy (Brandon Kyle Goodman) querem adotar um filho. Entra em suas vidas, Karla (Olivia Cooke), uma jovem inconsequente que está grávida e se muda para o apartamento dos dois faltando oito semanas para o nascimento do bebê.

Ao longo desta espera, os três passam a entender o convívio como uma família e parte do passado de Karla vem à tona. O desenrolar dessa trama é avassalador e a forma como Tobin e Andy se tornam pais, mais ainda. O que está por aqui? Amor próprio…Mas em quem será que este elemento estará presente? Em Tobin, Andy ou Karla?

Episódio 8 – “The Race Grows Sweeter Near Its Final Lap” (A corrida fica mais doce perto da sua volta final)

No último episódio de Modern Love, um casal de terceira idade se apaixona. Não vamos comentar absolutamente nada sobre eles. Margot (Jane Alexander) e Kenji (James Saito) protagonizam um romance avassalador. Além disso, grandes surpresas nas ruas de Nova York, palco principal dessas indas histórias modernas.

Mas se fossemos apontar uma reflexão aqui sobre este último episódio, seria: Você pode morrer só na terceira idade, então em qual momento você vai buscar a sua plenitude interna, jovem e repleta de amor-próprio? Calma leitor, não é uma série com pegada de auto-ajuda, é uma série para te fazer pensar. E pensar não dói, né?

Vale a pena? 

Nossa, vale muito! Se você chegou aqui no texto, depois de mais de 1400 palavras, certamente Modern Love é para você. É uma série inteligente, bem atuada, bem dirigida e que envolve. Envolve a audiência por serem situações inusitadas, personagens reais, dramas reais e um amor real. Um amor que pode existir na sua esquina, na vida de um amigo, de um colega ou até mesmo dentro da sua própria família.

Muito além da diversidade e da aula de “pare de ser preconceituoso”, todos os personagens voltam sempre para a auto-estima, auto-percepção e amor próprio. Gostamos quando uma produção de televisão, ou até mesmo cinematográfica, tem algo à dizer. Vale muito e já está disponível na Amazon Prime Video.

Que venha logo a segunda temporada!

Küsses,

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Nota:
9.6
Nota:
O bom
  • Os episódios são curtos e dinâmicos.
  • Todo o elenco, sem exceção, atua MUITO bem.
  • O último episódio é de arrancar lágrimas.
O ruim
  • Talvez um ou outro episódio com personagens rasos, mas nada absurdo.
  • Elenco
    10
  • Roteiro
    8.5
  • Direção
    10
  • Produção/Fotografia
    10
Categorias
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