Mogli: A Lenda da Selva

CRÍTICA | Mogli: Entre Dois Mundos

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Mogli: Entre Dois Mundos tem seus momentos mas, em geral, não funciona

Andy Serkis, o cara que tem brigado com unhas e dentes (e presas, garras, asas, anéis mágicos) para trazer distinção aos atores que trabalham com motion capture finalmente senta na cadeira de diretor e lança Mogli: Entre Dois Mundos. Com um elenco de peso, Serkis tenta criar uma versão do Livro da Selva mais próximo do livro de Rudyard Kipling e trazer mais valor para a tecnologia de captura de performance já usada em filmes como O Senhor dos Anéis e Planeta dos Macacos. Será que ele conseguiu?

Bom…

Antes de entrarmos na crí-crítica em si, vamos lembrar a história. Mogli (Rohan Chand) é um garoto órfão criado nas selvas da Índia por uma matilha de lobos. Quando o tigre Shere Kahn (Benedict Cumberbatch) ameaça a tênue paz entre os homens e os animais, o menino lobo é enviado pela pantera Bagheera (Christian Bale) para a vila dos homens para conhecer o outro lado do mundo.

Munido apenas com o conhecimento das Leis da Selva, ensinados pelo duro Baloo (Andy Serkis), Mogli se vê como um filho de dois mundos e não pertencendo a nenhum. Agora, precisa impedir que Shere Kahn destrua a ordem natural das coisas.

Um Mogli diferente

Ao contrário da versão que boa parte do público está acostumada, esta versão do Mogli segue muito mais uma jornada de herói clara. Este menino lobo é mantido pelos animais pois sabem que um dia ele será uma força conciliatória entre os homens que aos poucos expandem seu domínio pela selva e os animais que a habitam.

Serkis também tenta trazer algumas sutis críticas sobre o colonialismo britânico na Inglaterra na forma de um caçador interpretado por Matthew Rhys e como a coroa imperial drena os recursos de suas colônias. Acompanhamos Mogli tanto na sua vida da selva quanto vivendo no vilarejo próximo. Um contraste que não costumamos ver nas adaptações da Disney.

Porém…

Nem tudo, ou quase nada, funciona. A tecnologia de captura de performance funciona muito bem para seres humanoides como o Gollum ou o César de Planeta dos Macacos, mas fica consideravelmente menos funcional quando aplicada em lobos, panteras e ursos. Até entre os animais rola uma discrepância bizarra. Shere Kahn parece algo saído de uma ilustração de livros infantis, Bagheera (ou Bale-Gheera) tem a cara do Christian Bale, já Baloo parece um urso com poucos traços de Serkis na computação gráfica.

Ainda mais desconcertante quando colocados juntos aos animais que não falam, como macacos, ou até mesmo animais reais como as vacas do vilarejo. Os efeitos digitais não são nível “bigode do Superman“, mas estão bem atrás dos efeitos usados no live-action da Disney.

O roteiro também não ajuda. A jornada inicial de Mogli, para estabelecer sua vida na floresta é muito arrastada, demorando para chegar na exploração dos temas centrais – e algumas cenas icônicas do livro, como o sequestro dos macacos, fica jogada na trama.

Nem tudo é ruim. Mesmo com os efeitos questionáveis, as caracterizações de Bagheera como uma espécie de irmão de Mogli por ter nascido numa jaula dos homens e Baloo como uma espécie de sargentão são bem interessantes. Até mesmo a reviravolta na vila quando ele entende quem é o caçador e o que ele fez, é estranhamente fascinante.

Aliás, assim como o roteiro, a direção de Serkis tem momentos sensacionais. Pena que são leves salpicadas num projeto que, assim como a narrativa, tem mais momentos de mediocridade do que criatividade. Serkis é um dos atores mais versáteis e competentes do cinema, mas isto não necessariamente trouxe competência para ficar por trás das câmeras.

Uma pena, porque quando Mogli: Entre Dois Mundos tem algo a dizer, a execução é verdadeiramente marcante. Pena que isso não acontece com tanta frequência.

Mogli: Entre Dois Mundos já está disponível na Netflix.

Até a próxima!

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Nota
5.9
Nota
O bom
  • Elenco de peso nas dublagens.
  • A jornada do herói funciona bem até.
  • Rohan Chand, que interpreta o Mogli, tem futuro.
O ruim
  • Efeitos visuais inconsistentes e de qualidade duvidosa
  • Direção sem criatividade boa parte do tempo.
  • Direção
    6
  • Roteiro
    5.5
  • Elenco
    7
  • Enredo
    5
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