[CRÍTICA] Mr. Robot – Temporada 01 – Ep. 01 – eps1.0_hellofriend.mov

Mr. Robot explora o potencial heroico do hacktivismo Privacidade, apropriação de capital, indústria de dívidas, fraude de identidade, manipulação de massas. Uma realidade que talvez soasse mais fictícia nos...

Mr. Robot explora o potencial heroico do hacktivismo

Privacidade, apropriação de capital, indústria de dívidas, fraude de identidade, manipulação de massas. Uma realidade que talvez soasse mais fictícia nos primórdios do cyberpunk, mas que atualmente, é assustadoramente real. Eis o mundo de Mr. Robot, uma nova série de ficção científica que explora o submundo do hacktivismo e a insatisfação das pessoas perante a nova ordem mundial.

Elliot Anderson (Rami Malek) é um analista de segurança da informação para a empresa Allsafe, sua função é manter a infraestrutura de dados da E Corp, seu maior cliente, protegida. Nas palavras de Elliot, a E Corp representa o “1% do 1%, os caras que podem brincar de Deus sem a permissão de ninguém”. A presença da corporação na vida das pessoas é tão absoluta que o protagonista não consegue evitar de chama-la de “Evil Corp”. Durante seu tempo livre, ele comete pequenos atos de justiça usando seus conhecimentos de tecnologia e hacking para prender criminosos. Um herói para os tempos modernos, onde tiros e socos não causam tanto estrago quanto alguns cliques do mouse.

Anderson parece seu típico protagonista de série policial moderna, um jovem que nas mãos de um roteirista mais preguiçoso, transformaria seus distúrbios mentais e tendências antissociais em uma espécie de super-poder para resolver crimes. Em Mr. Robot, o ponto de vista do “herói” é um de aversão, onde talvez, seu afastamento das pessoas ao seu redor seja resultado de uma sociedade que simplesmente não funciona mais. Afinal, se você tem as capacidades de desvendar todos os segredos por trás da identidade virtual e uma pessoa, qual é o valor da verdade?

O mundo de Mr. Robot é um de niilismo puro. Ricos ficam mais ricos, pobres ficam mais pobres e uma massa alienada de pessoas vive seu dia a dia vivendo uma ignorância auto-imposta. Cada vez mais, via redes sociais e smartphones, as pessoas alimentam o monstro da era digital com suas informações pessoais e dados, dispostos a ignorar a fragilidade de um sistema que pode ser explorado por tantos.

A direção e fotografia, frias e estéreis, refletem o lado sombrio do suposto futuro brilhante da tecnologia. Há um pessimismo persistente na trama, um afastamento natural das pessoas e um aparente esquecimento de como a interação humana básica funciona, mas há uma luz no fim do túnel. Quando um ataque DDoS ameaça destruir os servidores da E(vil) Corp, Elliot descobre pistas que o levam a um grupo de hacktivistas conhecidos como “F Society”, que estão dispostos a destruir a corporação. E Corp é detentora de 60% das dívidas de crédito dos EUA e o objetivo maior do grupo é eliminar esta informação, afinal, hoje o dinheiro é meramente um construto digital.

A premissa pode ser um pouco difícil de digerir para algumas pessoas em função da quantidade enorme de falatórios técnicos, mas o mundo de Mr. Robot é estranhamente familiar, talvez um pouco pessimista, mas com certeza reflexiva das injustiças que enfrentamos diariamente.

Os episódios são exibidos no Brasil toda segunda às 21h no canal SPACE disponível nas operadoras NET (canal 154), Sky (canal 85), Claro HDTV (canal 59), Oi TV HD (canal 69) e Vivo TV (canal 78 ou 366).

Até a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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