Mulheres Alteradas

CRÍTICA | Vocês são Mulheres Alteradas ou malucas?

Quatro mulheres precisam mudar suas vidas, mas será que elas vão conseguir?

Mulheres Alteradas chega nos cinemas com uma boa premissa, bom elenco e muitos questionamentos sobre “ser mulher” nos dias de hoje

Solteira com dois filhos? Solteira tipo solteirona mesmo? Casada com um babaca ou workaholic? Se você se identifica com um – ou mais – desses estereótipos, este filme é para você! Mulheres Alteradas chega nos cinemas dia 5 de julho com abordagem irreverente sobre ser mulher nos dias de hoje.

Quem são essas mulheres?

Baseado nos quadrinhos da argentina Maitena Burundarena, Mulheres Alteradas chega nos cinemas com uma abordagem interessante sobre ser uma mulher “trintona” nos dias de hoje. Apesar do visual do longa não ter nos agradado, o filme consegue explorar o tema “mulher moderna e independente” com bons argumentos.

Aqui, conhecemos Keka (Deborah Secco), Leandra (Maria Casadevall), Sônia (Monica Iozzi) e Marinati (Alessandra Negrini), quatro amigas que passam por crises distintas em suas vidas.

Keka está em um casamento infeliz com Dudu (Sérgio Guizé), ele já não tem mais pique de fazer nada com a patroa, enquanto ela sente que não está aproveitando a vida. Keka trabalha para Marinati, uma mulher casada com o trabalho, desencanada de relacionamentos e que está sempre, ou eventualmente, preparada para sexo casual.

Enquanto isso, as irmãs Leandra e Sônia precisam de calmaria e agito respectivamente. Leandra é a típica solteirona que vive de balada e Sônia é mãe solteira que precisa curtir mais a vida e ter fortes emoções.

Juntas, ela protagonizam uma jornada cheia de questionamentos, descobertas e novas vivências, quase como um ritual de passagem para “resolver” cada ponto infeliz de suas vidas. Marinati e Keka enfrentam o maior caso de suas vidas no escritório de advocacia e Leandra e Sônia trocam de lugar para que ambas se desintoxiquem de suas rotinas.

A problemática

Enquanto Keka tenta salvar o seu casamento, Marinati se apaixona por um garanhão que conheceu na balada. Esse amor repentino, surge como algo de “outro mundo”, levando a workholic advogada a esquecer de suas responsabilidades profissionais. É neste momento, quando a última do grupo chega na catarse, que o filme desenrola a trama super feminina.

Ser mulher, aos trinta e poucos, não é fácil

As quatro amigas são bem de vida, dinheiro não é problema, já seus corações andam falidos. Leandra e Sônia vivem uma aventura a parte. Enquanto a solteirona passa a madrugada cuidando dos sobrinhos para dar uma “relaxada”, Sônia vai para a balada e acaba num menage. Quando volta para casa, todo o seu discurso sobre se sentir viva, sexy, mulher e divertida, tomam conta de um diálogo entre as duas bem carismático.

O foco da trama, porém, está em Marinati e Keka. A big boss apaixonada simplesmente para de ser mandona e workaholic, enquanto Keka tenta manter a chefe na linha e o marido por perto. Quando elas quase perdem tudo, ambas viajam para Bahia com seus respectivos.

Keka percebe que tem casamento que não dá mais pra salvar, enquanto Marinati tem uma crise e entende que precisa de mais equilíbrio em sua vida.

Tá, mas e daí?

O roteiro do longa é bem legal. De verdade. O problema de Mulheres Alteradas é o que está em volta de diálogos plausíveis e bem construídos. A produção é simples, a cenografia colorida cansa, os efeitos visuais enaltecem o pior das personagens – e inserem ao longo do filme momentos surreais que distanciam demais as personagens de seus problemas reais; a atuação de Deborah Seco é insuportavelmente engessada e novelística, Negrini é uma atriz de duas caras: ou tá séria ou tá com cara de pouco caso, e pelo amor de Deus….tem cenas que você claramente vê a tela verde ou truque para compor o ambiente com técnicas de teatro ou peça escolar.

O que decepciona nesse filme é que o visual não conversa com o texto e o longa não se posiciona. Ora é um drama, ora é uma comédia escrachada sobre mulheres desequilibradas. Ao mesmo tempo que o filme quer se levar à sério por meio dos problemas de cada personagem, o desenrolar disso é pichado com piadas a lá “a mesma praça, o mesmo banco” e o resultado final é semelhante aos longas da Globo que todos conhecem.

Não que isso seja necessariamente ruim, mas esperava-se mais estrutura ao adaptar a obra original com um elenco 80% talentoso. E se a ideia era trazer um visual mais “cartunesco”, isso ficou bem exagerado.

Vale a pena?

Vale, mas se for fã do gênero “comédia romântica” e acompanhar, de fato, os lançamentos norte-americanos, não verá absolutamente nada de novo. BTW, temos até circunstâncias semelhantes à filmes como Encontro de Casais (2009), Antes Só do que Mal Casado (2007), Tudo Para Ficar com Ele (2002) e e Amigos, Amigos, Mulheres à Parte (2008). Agora, se você não viu nenhum desses filmes e acompanha só lançamentos nacionais, talvez veja mais “graça”.

Mulheres Alteradas estreia dia 5 de julho nos cinemas. Como obra nacional, é um bom filme. Como filme, ainda precisaria comer arroz e feijão. Vale pela farra com um certo personagem chamado Christian interpretado pelo gato do Daniel Boaventura!

Küsses,

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“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

5.6
The Good
  • Sônia e Leandra formam o melhor núcleo.
  • Monica Iozzi é um talento desperdiçado nesse filme.
  • O marido da Keka não existe na vida real. CHATÉRRIMO. Exageraram demais.
The Bad
  • Negrini precisa treinar a cara de louca rs
  • Deborah Secco precisa urgente só ficar em novela, filmes não lhe caem bem....
  • Direção
    5
  • Roteiro
    6
  • Elenco
    6.5
  • Produção/ Fotografia
    5
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