[CRÍTICA] No Coração do Mar – A trágica história do naufrágio do baleeiro Essex

Preparados para naufragar em uma aventura marcante? No Coração do Mar estreia dia 3 de Dezembro no Brasil O ano é 1820, Owen Chase (Chris Hemsworth) é um marujo sonhador...

Preparados para naufragar em uma aventura marcante?
No Coração do Mar estreia dia 3 de Dezembro no Brasil

no-coracao-do-mar-chris-hemsworth-warner-05O ano é 1820, Owen Chase (Chris Hemsworth) é um marujo sonhador que, apesar do reconhecimento dos nobres donos das embarcações, ainda é tratado como um mero marinheiro. Quando ele é passado para trás em mais uma oportunidade de ganhar dinheiro para dar conforto à sua esposa grávida, precisa encarar o navio baleeiro Essex sob comando de um capitão burguês sem experiência chamado George Pollard (Benjamin Walker). Nada satisfeito de enfrentarem meses no mar, os dois precisam lidar com suas diferenças sociais, culturais e, principalmente, profissionais quando uma baleia ameaça a vida de todos a bordo. Dirigido por Ron Howard, preparem-se para uma das mais intensas aventuras do ano e conheça a história que inspirou o livro Moby Dick publicado em 1851.

No Coração do Mar é uma obra prima e uma imersão brutal da história do século XIX. Um filme humano que retrata com frieza e sem drama o que realmente acontecia nos navios baleeiros da época. Tão frio que cenas mais explícitas da caça às baleias podem e vão chocar parte da audiência. É difícil, ainda mais nos dias de hoje, lidar com a carnificina da caça e compreender que tais atos do homem eram necessários e comuns para a época. Ao pensarmos no instinto de sobrevivência, o longa explora de forma sensata a relação do homem com a natureza quando o navio Essex é naufragado após um ataque fatal de uma baleia gigante.

A história é narrada por Thomas Nickerson (Tom Holland – quando criança e Brendan Gleeson  quando adulto ), o único sobrevivente do navio em 1850, ano que o escritor Herman Melville (Ben Whishaw) o pagou para ouvir o que realmente aconteceu em 1819/20. Traumatizado por suas difíceis decisões no passado, Thomas ainda sofre com o que teve que fazer durante meses em alto mar sem recursos vitais e o levando para caminhos contra a natureza humana. Mais um elemento chocante em prol da autopreservação, onde talvez só Deus possa perdoar seus atos. O roteiro de Charles Leavitt (Diamante de Sangue), não tem interesse em contar uma história do bem contra o mal. O duelo No Coração do Mar, entre homem e baleia, é um reflexo sombrio do incansável espírito humano e o alto preço que as vezes pagamos pela ambição. Longe de ser um personagem ou uma vilã em si, a baleia representa uma força natural e ancestral que homens tentam controlar desde os primórdios. Um caminho que incontáveis vezes nos levou a barbárie e ao horror mas que diante do impossível, nos leva a redenção, a sobrevivência e ao aprendizado sobre o que de fato nos torna humanos.

A sensibilidade em ambientar de forma real o navio Essex complementa a rica fotografia do longa, proporcionando uma experiência mais detalhista da história. Do cais bem apresentado com jogatina, prostitutas, pobreza e comércio, ao retorno daqueles que sobreviveram, a narrativa não se priva de pincelar generalidades que já conhecemos de outras obras de mesma temática para estruturar a mensagem final. Sem devaneios, No Coração do Mar é um filme sobre a vida e perseverança, o que enaltece ainda mais o projeto e o afasta de simplórios julgamentos conectados à ausência de conhecimentos históricos.  

O elenco ainda é formado por Cillian Murphy (Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge), Charlotte Riley (No Limite do Amanhã) e Frank Dillane (Sense 8).

O longa estreia dia 3 de dezembro. Não deixe de conferir nos cinemas.

Küsses,

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Tatá Snow

“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

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