[CRÍTICA] O Boneco do Mal – siga as regras…ou ele vai te pegar

Boneco bizarro, mansão isolada, fenômenos estranhos… Prepare-se para o novo terror de 2016 Seria/será 2016 o ano para a redenção do gênero terror no cinema? Ainda estamos em fevereiro, tem...

Boneco bizarro, mansão isolada, fenômenos estranhos…
Prepare-se para o novo terror de 2016

DIA_BDM_Poster_EXIBSeria/será 2016 o ano para a redenção do gênero terror no cinema? Ainda estamos em fevereiro, tem chão, mas o prognóstico se mantém bem morno. A bola da vez pertence a Brahms, um garotinho de oito anos, tímido, mimado, que gosta de regras e parece ser bem apegado à babá Greta. Tudo ok, se ele não fosse de porcelana. Bem vindos à crítica sem spoilers de o O Boneco do Mal! MUAHAHAHA….

O novo longa dirigido por William Brent Bell e estrelado por Lauren Cohan estreia nos cinemas brasileiros e promete um bom terror só pelo trailer. Não que seja ruim, mas fica na faixa mediana no termômetro da Freakpop. Greta é uma norte americana que aceita ser babá em uma mansão isolada na Inglaterra sem sinal de internet, celular ou computador – o que por si só já é aterrorizante. Sem vizinhos por perto, parece ser o que Greta precisa: ficar longe da civilização e trabalhar sossegada. O que ela não esperava era ter que cuidar de um boneco. Brahms é tratado como uma “criança normal”, até mesmo comida servem para o “garoto”.

O Brahms “original” morreu em um incêndio há 20 anos, depois de suspeitas sobre o seu envolvimento na morte de sua amiga serem levantadas. Como uma forma de se consolar, os pais parecem transferir o afeto para o boneco, cuja vivacidade será atestada por Greta, ao vivenciar acontecimentos que só podem ser explicados como sobrenaturais. Certo? É aqui que a porca torce o rabo! Brahms nos deixa na corda bamba com o mistério que o ronda. Será que é só um boneco muito estranho? Será que os pais são meio birutas? Ou o boneco realmente é possuído, no melhor estilo Annabelle? Se sim, seria possuído por quem? Quem sabe Greta tenha sido contagiada pela loucura dos patrões e tudo não passa de uma ilusão? Quando tudo parece estar decidido, é “X” coisa, pá! Reviravoltas.

A primeira parte do filme é repleta de repetições de cenas com a mesma estrutura: o dia começa, o dia transcorre, o dia termina. Tudo isso poderia ser condensado em metade do tempo. Com alguns sustos bem posicionados, a direção consegue arrancar uns gritos das pessoas no cinema. Já o segundo ato parece uma extensão do primeiro, porém, demonstra que, enquanto você gritaria como uma menininha e sairia correndo para as montanhas ao ter que cuidar de um boneco supostamente dominado pelo espírito de um moleque, alguma pessoas (como Greta) resolvem seguir com a vida… mais que isso é dar spoiler e se fizer isso, Doctor Bruce e mamãe Lady Freak jogam essa bruxa na fogueira.

O clima de suspense é bem temperado com a fotografia do lugar. A mansão é daquelas antigas, restaurada, em tons escuros e com animais empalhados pelos corredores. Os takes lembram muito A Mulher de Preto (2012), com Daniel “Potter” Radcliff, inclusive o cenário ao redor, a floresta e a lápide. Logo no início mostram Greta explorando a casa pelo reflexo do olho de vidro de um desses animais, em um efeito muito bem desenvolvido. Aliás, esse recurso – de mostrar a cena por um outro ângulo, como um buraco de fechadura ou com sombras embaixo da porta – é amplamente explorado durante o longa, dirigindo o espectador para uma tensão que resultará em um … susto.

O ponto que mais oferece desconforto é o boneco. O rosto em si não é tão realista, se compararmos com as fotos do Brahms ainda em vida. O que mais impressiona são os olhos: de vidro, estáticos, mas que conseguem compor algum tipo de emoção. Esse é o resultado de todo o clima proposto pela direção e ambientação, já que racionalmente sabemos que é um boneco e, ao sermos induzidos a acreditar, junto à Greta, que ele é real, ele se torna real.

Enquanto o segundo ato entrega mais qualidade – ainda que se mantenha devagar -, o terceiro passa voando. Parece que alguém apertou a tecla avançar (tipo aquele controle do filme Click, com Adam Sandler) e pronto! Respondeu tudo e terminou. Esse é um ponto positivo: ter respondido tudo. A menos que alguma ponta solta tenha passado despercebida, as dúvidas do espectador são tiradas, talvez não com todas as letras, mas são respondidas ainda assim. Apesar do gancho para um segundo filme ter sido apresentado nos segundos finais (e ficamos pensando: o que raios usarão no próximo?), a história fecha totalmente.

Resumindo: o roteiro é bom, a premissa é boa, a direção acertou ao criar os momentos de sustos e as atuações são medianas. Lauren carrega 80% do filme nas costas e não é sua melhor atuação, mas com certeza entrega um bom trabalho dentro do clima proposto. Não é uma protagonista vítima, como normalmente encontramos em filmes de terror. Aquela que sai gritando pela casa e pedindo ajuda desesperadamente e que precisa de um homem para salvar o dia. Lauren entrega uma Greta forte, esperta (de longe, a mais inteligente dos filmes de terror dos últimos tempos) e que aceita os acontecimentos na medida que eles aparecem, por isso, talvez seja a mais humana. A evolução de seu relacionamento com Brahms, desde “você me assusta” até “nunca te abandonarei” é interessante, mas o que a motiva a isso é tão clichê que parece que a criatividade do roteirista foi toda para a reviravolta no final do segundo ato. E, mesmo sendo a protagonista de terror mais “inteligente” dos últimos tempos, ainda assim corre para escadas e sobe, ao invés de correr para a porta como toda pessoa normal faria… Vai entender….

Rupert Evans está bem como Malcom, que trabalha como nosso contraponto no filme, expressando, muitas vezes, o sentimento do espectador. Veja o que o ator tem a dizer sobre seu personagem em o O Boneco do Mal, e como foi se envolver com este roteiro que preza por uma direção mais trabalhada para compor a tensão, em um material exclusivo aqui na Freakpop:

Vale a pena conferir O Boneco do Mal nos cinemas? Sim! Se você curte terror e está querendo soltar uns gritinhos básicos compre uma pipoca extra grande para durar o filme todo. Como o ritmo é devagar quase parando, vai querer ter o que mastigar até o letreiro. #ficaadica

O Boneco do Mal entra para o rol de terror com bonecos, junto à Chuck (1988) e Annabelle (2014), com um roteiro semi original. O que entregam já foi feito antes, muito parecido com o terror Housebound (2014), da Nova Zelândia. Nada é o que parecer ser e, quando achar que sabe, descobrirá que tudo pode ser mais simples do que imaginamos. E um pouco mais assustador.

O Boneco do Mal chega aos cinemas brasileiros dia 18/02.

Até a próxima,

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