[CRÍTICA] ‘O Conto dos Contos’ explora o horror por trás dos Contos de Fadas

O Conto dos Contos já está em cartaz nos cinemas e merece toda a sua atenção Com um nome desse, O Conto dos Contos, podemos esperar um filme adocicado, romântico e...

O Conto dos Contos já está em cartaz nos cinemas
e merece toda a sua atenção

o-conto-dos-contos-critica-1Com um nome desse, O Conto dos Contos, podemos esperar um filme adocicado, romântico e com aquele esperado tempero de “e eles viveram felizes para sempre” porém, quem é leitor de contos de fadas sabe que o “Era uma vez….” pode terminar de uma forma bem chocante.

Dirigido pelo italiano Matteo Garrone (Gomorra, 2008), o longa conta a história de três reinados. Longtrellis é  governado pela ambiciosa Rainha (Salma Hayek) que já perdeu toda esperança de ter um filho. Sua amargura é tanta que seu amável marido, o Rei de Longtrellis (John C.Reilly), aceita fazer um sacrifício para que a promessa de um misterioso ancião aconteça e a Rainha engravide.

De outro lado, o Rei de Highhills (Tony Jones) quer casar sua filha, Fenizia (Jessie Cave), e para tal, promove um bizarro desafio aberto para todos os homens do reinado. O que ele não esperava era que um bruto Ogro (Guillaume Delaunay) fosse acertar a resposta. Condenada pela promessa do pai, Fenizia é rastejada até uma colina onde vive sob a opressão de seu violento marido.

Já no reino Strongcliff, Vincent Cassel, que interpreta o Rei, é um insaciável homem que deseja Dora, uma camponesa “encantada” e que fará de tudo para enganar o Rei sem mostrar sua verdadeira “beleza” a ele. Então, nestes bizarros reinados é que O Conto dos Contos desenvolve seus três núcleos de forma peculiar, muitas vezes sem conclusão.

Com uma belíssima e impactante trilha sonora assinada pelo vencedor do Oscar® Alexandre Desplat*, revivemos o horror, suspense e violência existente nos contos de fadas clássicos. O longa provoca a audiência com o equilíbrio exato entre magia e espanto. Histórias que começam em tom sóbrio e ameno terminam em impactantes cenas que chocam por seu realismo e desespero emplacados. Com um elenco bem envolvido com seus personagens e tramas nenhuma história é, de fato, finalizada, deixando o expectador com um gostinho de quero mais, dúvidas e o melhor: imaginando como seria o final. O elemento mais forte de O Conto dos Contos é de conseguir trazer esta característica imaginativa para a mente de quem o assiste.

Com personagens secundário bem interessantes, como os gêmeos da Rainha de Longtrellis, a irmã gêmea de Dora – interpretada pela fantástica Shirley Henderson  (a Murta-Que-Geme da saga Harry Potter) e animais fantasiosos, o longa consegue, em seus três núcleos, chegar ao “E eles foram Felizes para Sempre”… Mas provavelmente depois de uma intensa terapia de choque após tantos eventos horripilantes. Talvez o O Conto dos Contos seja criticado por não fechar alguns arcos dos personagens, mas fica aqui nossa dica: que tal sair da caixinha e assistir um filme que não tem, efetivamente, um começo, meio e fim?

Küsses,

(*) Desplat assina a trilha sonora de filmes como O Grande Hotel Budapeste, As Sufragistas, O Jogo da Imitação, Philomena, A Hora Mais EscuraHarry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2.

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Tatá Snow

“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

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