O Doutrinador filme (2018)

CRÍTICA | O Doutrinador - Anti-herói brasileiro chega nos cinemas

Tenha estômago para assistir O Doutrinador nos cinemas!

O Doutrinador sai das páginas da HQ e invade os cinemas em ação eletrizante

Ponto mais do que positivo para o cinema nacional! O Doutrinador é um longa de qualidade internacional que chega nos cinemas com uma trama bem amarrada, uma produção impecável, uma direção super competente e, tudo isso, com um elenco de peso. Prepare-se para muita violência, sangue e um final explosivo.

O Doutrinador – o filme

Miguel (Kiko Pissolato) é um policial civil da divisão de elite que prende o Governador Sandro Correa (Eduardo Moscovis), responsável pela situação de calamidade do SUS por desvio de dinheiro. O político consegue ser liberado e a sociedade se revolta, inclusive Miguel.

Um belo dia, a filha de Miguel falece no SUS por falta de atendimento. O policial não se contém e quer justiça. Durante uma passeata contra o Governador Sandro Correa, ele assume o disfarce de “O Doutrinador” para se vingar e tentar, de alguma forma, resolver o seu trauma pessoal.

O que Miguel não esperava é que seu ato fosse ter uma ressonância social delicada e que sua fome de fazer “justiça com as próprias mãos” não fosse saciar tão rapidamente. O Doutrinador passa a caçar todos os políticos ligados ao Governador Sandro Correa e uma rede de corrupção vem à tona.

Todo herói precisa do seu “Robin”

Uma das coisas mais fascinantes em O Doutrinador é a jornada do protagonista. Após assumir a versão mascarada, Miguel leva uma vida dupla. De dia, segue como o policial investigativo, de noite, tenta acabar com o esquema dos políticos. Como um bom vigilante, Miguel precisa de uma parceria.

Surge então Nina (Tainá Medina), uma jovem que estava no dia da passeata contra o Governador e que tem detém um vídeo de Miguel colocando a máscara e se “transformando” no Doutrinador. O que começa como uma relação de chantagem, se transforma em uma relação de “certo e errado” e Nina precisa tomar um lado no objetivo que Miguel pretende alcançar.

Enquanto Nina ajuda o Doutrinador entrar em ação, Miguel não se questiona de seus atos e afunda ainda mais. Ao se colocar em uma situação sem volta, ele precisa proteger Nina e encarar a missão de ser um vigilante dentro de um sistema de cobras que o leva, inclusive, a entender a corrupção não está só no governo e sim em todas as esquinas dessa cidade fictícia.

A cidade de O Doutrinador

Filmado em São Paulo, o longa consegue criar uma cidade com personalidade própria. O visual dessa “Gotham City” de O Doutrinador é de babar. Neon, fotografia azulada, becos, sujeira, ruas e viadutos carregam um visual próprio e diferente da capital paulistana. Soma-se a isso um figurino rico em referências que distancia a produção da cidade da garoa, firmando que todo o universo de O Doutrinador é uma ficção.

Ficção com pé na realidade

Sabemos que a narrativa política do filme se assemelha com a nossa realidade que, talvez, se surgisse um vigilante em busca de reparar os erros dos governantes, ele faria algo próximo ao que Miguel faz. Mas, porém, contudo, entretanto, estamos falando de uma história em quadrinhos e o longa deve ser assistido como tal.

Aqui, vemos a jornada do anti-herói por meio de cenas que realmente parecem ter saído das páginas da HQ. Sangue e violência em exagero, ação e passagens de tempo confusas (tipo o Batman curando sua coluna na prisão em Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge de 2012), marcam o filme como uma adaptação de quadrinhos, onde tudo pode e o céu é o limite.

Vale a pena?

PRA CARAMBA! O Doutrinador tem camadas e mais camadas. Miguel é um personagem fascinante e todo o seu embate da vida dupla é interessante. O Doutrinador é procurado pela polícia que ele faz parte, seu melhor amigo pessoal é também seu colega de trabalho, o Edu (Samuel de Assis) – prestem muita atenção na narrativa dele -, os políticos daqui são de dar nojo e aparecem em situações que nos faz imaginar que, na vida real, talvez seja assim mesmo. Além disso, a trilha sonora que embala essa ação é forte e o final, caros leitores, é uma catarse.

O Doutrinador estreia dia 1º de novembro, o longa é dirigido por Gustavo Bonafé e completam o elenco Marília Gabriela, Helena Ranaldi, Natália Lage e Tuca Andrada. O filme é uma adaptação do personagem criado por Luciano Cunha e roteirizado por Gabriel Wainer.

O Doutrinador também será uma série exibida pelo canal Space a partir de março de 2019, e terá novos personagens e subtramas.

Küsses,

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Tatá Snow

“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

O Doutrinador (2018)
10
O Doutrinador (2018)
O bom
  • Kiko Pissolato consegue criar duas interpretações: a do pai em luto e a do vigilante implacável
  • os políticos de O Doutrinador são repulsivos
  • As cenas de ação são bem coreografadas
  • Sangue, sangue e mais sangue!
O ruim
  • Personagem da Marília Gabriela poderia ter um pouco mais de profundidade, mas funcionou.
  • Direção
    10
  • Produção
    10
  • Elenco
    10
  • Roteiro
    10
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CriticasFilmes

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