A colaboração Marvel Netflix chegou ao fim. Veja aqui nossa crítica de Justiceiro Temporada 2 e uma análise sobre o que não deu certo nas produções.

CRÍTICA | O Justiceiro - Temporada 2 - Uma história fraca e sem resolução

A temporada 2 de O Justiceiro teve diversos problemas, alguns que repetiram com uma frequência assustadora nas outras produções da Marvel na Netflix A segunda temporada de O Justiceiro...

A temporada 2 de O Justiceiro teve diversos problemas, alguns que repetiram com uma frequência assustadora nas outras produções da Marvel na Netflix

A segunda temporada de O Justiceiro estreou faz um tempo já na Netflix e demoramos para subir a crítica. Não é necessariamente um pedido de desculpas, mas apenas uma afirmação de quão cansativo foi navegar estes 13 episódios. Realmente, não foi uma boa temporada, mas o mais interessante é ver que O Justiceiro perdeu sua qualidade exatamente pelos mesmos motivos das demais produções Marvel na plataforma de streaming.

Já que esta série, junto com Jessica Jones, foram as últimas a serem canceladas. Achamos interessante a oportunidade de fazer uma autópsia no cadáver do irmão caçula do Universo Cinematográfico Marvel. Mas antes, vamos falar rapidinho da mais nova saga de Frank Castle (Jon Bernthal).

2ª Temporada de O Justiceiro

Frank deixou para trás sua vida de Justiceiro e viaja pelos EUA. Em uma pequena cidade no estado do Michigan, acaba defendendo uma menina num bar que está sendo perseguida por homens armados. Aos poucos, vai descobrindo que existe toda uma conspiração por trás da garota e as pessoas que a perseguem.

Enquanto isso, a agente Madani (Amber Rose Revah) não consegue superar o trauma de ter sido torturada por Billy Russo (Ben Barnes) que acordou de seu coma, mas com amnésia. Além de defender a garota, Amy (Giorgia Wigham), Castle também vai para Nova York para finalmente matar Russo, que reuniu um grupo de veteranos do exército e está cometendo crimes pela cidade.

Trama morna

A segunda temporada saiu morna. O roteiro é fraco, o pouco de fôlego que a trama traz são notas repetidas da temporada anterior. Apesar dos primeiros episódios introduzirem boas cenas de ação, não tem muito o que ser contado neste universo particular e isso é notável no ritmo (arrastado) e na profundidade (nula) da história.

O que é vagamente fascinante sobre esta temporada de O Justiceiro é que ela serve de resumão de literalmente tudo que não prestou dos projetos da Marvel na Netflix. Aqui funciona melhor se apenas listarmos um por um.

Herói relutante

Se a primeira temporada serve de história de origem, onde entendemos porque o protagonista decidiu lutar contra o mal, a segunda deveria ser para introduzir um antagonista mais interessante que colocasse os ideais do herói em cheque. Os melhores filmes de super herói, como Batman: O Cavaleiro das Trevas, fazem isso.

A segunda temporada de Demolidor introduziu o sanguinário Justiceiro como um contraste de Matt Murdock. Matt é brutal, mas não mata, preferindo se colocar na linha de frente e até mesmo levar umas porradas como punição. Já Frank prefere aniquilar todos sem misericórdia. Essa dualidade criou momentos fantásticos na segunda temporada do Homem sem Medo.

Infelizmente, foi a única série que mergulhou de cabeça no conforto de uma premissa estabelecida para expandir seu universo. Jessica Jones, Luke Cage e Punho de Ferro todos meteram o pé no freio em suas segundas temporadas para revisitar a mesma problemática da saga anterior. Jessica Jones passou o tempo todo reclamando da vida e não se envolvendo com nada. Luke Cage não parava de filosofar e quando Danny Rand parece ser o personagem mais pronto para seguir em frente, é porque algo realmente deu errado.

Na segunda temporada de Justiceiro, Frank passa mais tempo debatendo sua natureza com outras pessoas do que fazendo o que todo mundo quer ver o ex-militar com símbolo de caveira fazer: tiro, porrada e bomba. O problema é que O Justiceiro já é um personagem simples por sua natureza, assim como Conan o Bárbaro, é isso que o torna cativante. A versão de Bernthal é simplista, um animal selvagem que mal consegue funcionar na sociedade. Sua composição simplesmente não foi feita para esse tipo de roteiro.

Sombrio apenas por ser sombrio

Culpe a HBO nessa, porque eles lançaram essa moda. Em Jessica Jones não bastava a história da personagem ser uma alegoria para estupro. Todos os personagens precisaram passar por um evento destrutivo e traumatizante na segunda temporada. Em Luke Cage, não houve personagem introduzido que não teve um episódio dedicado a explorar sua história de origem trágica e sombria.

Na segunda temporada de Justiceiro, Billy Russo começa a ter um relacionamento com sua terapeuta (Floriana Lima de Supergirl). Ambos gostam de transar apertando com força ferimentos e machucados antigos para sentir mais dor. Esse exagero sombrio funcionaria se houvesse algum tipo de contexto, mas as séries da Netflix da Marvel só inserem esse tipo de “conteúdo adulto” para tapar buraco e jogar água no feijão, porque raramente essas pausas para mostrar como os personagens são perturbados agregou algo à trama geral.

Todo mundo sente, mas ninguém soca

O gênero de super heróis é essencialmente um subgênero de ação. O que chamou atenção de Demolidor em seu lançamento era a qualidade das coreografias de luta. Praticamente todos os episódios tiveram um momento marcante (a cena do corredor ainda é um ícone). Porém, das seis séries, foi a única que trabalhou esse elemento visual.

Jessica Jones e Luke Cage, especialmente em suas segundas temporadas, mal tiveram ação. Mas tiveram uma quantidade quase obscena de episódios onde os personagens ficam sentados discutindo suas motivações. Nos Estados Unidos, para economizar dinheiro, produtores criam algo chamado o “bottle episode” (episódio garrafa). Onde o mínimo de sets, personagens e efeitos visuais são usados para economizar dinheiro. Lembram daquele episódio do Luke Cage onde todos ficam presos num prédio conversando? Pois é.

Uma série chamada Punho de Ferro, onde o personagem principal é uma arma viva das artes marciais entrou com algumas das coreografias de ação mais risíveis da história da televisão e uma quantidade excessiva de conversas sobre mercado imobiliário e sentimentos.

A segunda temporada de Justiceiro começa forte. Até com um episódio que faz uma bela homenagem ao Assalto à 13ª DPEventualmente, você começa a notar que até as ideias para cenas de ação secaram tão rápido quanto a trama. E finalmente, para amarrar o laço no desastre…

Vilões fracos

Uma história de herói só é tão boa quanto seu vilão. Novamente, Demolidor fez isso muito bem. O Rei do Crime de Vincent D’Onofrio é um dos melhores vilões já criados nas adaptações da Marvel. Na segunda temporada, O Justiceiro, em papel de antagonista, também teve impacto significativo. Kilgrave de David Tennant, e até mesmo o hoje gigantesco Mahersala Ali no papel de Cottonmouth trouxeram interpretações icônicas.

Agora note como nas segundas temporadas desta série, os antagonistas ou eram horrivelmente genéricos, ou praticamente inexistentes. A segunda temporada de Jessica Jones não teve um grande vilão para ser enfrentado. Em Luke Cage, Bushmaster era um vilão interessante, mas limitado. Punho de Ferro até deu um salto de qualidade na segunda temporada, mas depois de sua estreia, não teria como passar mais baixo do que o chão.

A temporada final de Justiceiro trouxe de volta Billy Russo em uma versão militarizada do vilão Jigsaw. Sua criação era tão fraca que colocaram John Pilgrim (Josh Stewart), uma versão adaptada do Menonita, para ser um segundo vilão em uma trama batida sobre famílias ricas. Foi uma tentativa de colocar duas quase-tramas na tentativa de construir uma temporada. Não deu muito certo. Além de ambos os arcos nunca se casarem, o paralelismo andou até o final e desafiou a audiência a manter a atenção em uma história que estava trazendo cada vez menos retorno.

No fim

Vai ser difícil olhar para trás e chamar as produções da Marvel na Netflix de um sucesso. Demolidor sempre estará entre as maiores e melhores adaptações de quadrinhos já feitas, mas o que sucedeu simplesmente não conseguiu manter o mesmo nível. Ainda mais ao olhar os projetos da DC Universe, que têm distribuição internacional na plataforma de streaming ou o próprio Umbrella Academy (crítica em breve) que traz criatividade, capricho e roteiro.

E assim, nos despedimos da Marvel na Netflix. Foi adequado enquanto durou.

Até a próxima!

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Nota
4.8
Nota
  • Direção
    4
  • Roteiro
    5
  • Enredo
    4
  • Elenco
    6
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