Confira nossa crítica de O Mecanismo - Temporada 2, a série da Netflix sobre a Operação Lava Jato com Selton Mello e Enrique Diaz e direção de José Padilha

CRÍTICA | O Mecanismo – Temporada 2

Confira nossa crítica de O Mecanismo - Temporada 2, a série da Netflix sobre a Operação Lava Jato com Selton Mello e Enrique Diaz e direção de José Padilha...

Quando estreou no ano passado, a série O Mecanismo causou um grande burburinho entre as pessoas politicamente politizadas. A série, inspirada nos acontecimentos relacionados com a Operação Lava Jato, que investiga o maior esquema de corrupção dentro da política brasileira, expunha de forma dramática, como um governo eleito democraticamente pode usar o poder para construir um dos maiores esquemas de corrupção já registrados no mundo.

Dramática, não no sentido tenso na expressão, mas como uma farsa, como bem explicado nos créditos iniciais de todos os episódios, mostrando ao público que a série tratava de uma obra de ficção onde nomes e situações foram mudadas para dar lugar à trama. E mesmo assim, não foi possível evitar as críticas dos partidos políticos e seus seguidores, que se sentiram ofendidos com as “verdades” apresentadas na série.

Criada por José Padilha, o cineasta responsável por dois drama que faturam muito nos cinemas, Tropa de Elite 1 e 2, a ideia era mostra como se forma esse complicado mecanismo relativo à corrupção brasileira. Morando nos Estados Unidos por conta de várias ameaças sofridas, Padilha respondeu às críticas dizendo que a série era uma ficção sobre um fato real e ponto.

A história da série apresenta o duelo entre o agente da policia federal Marco Ruffo (Selton Mello) e o doleiro Roberto Ibrahim (Enrique Diaz). No jogo de gato e rato, aparece as primeiras pistas de que a corrupção do estado brasileiro comandado pelo governo do PT é algo maior do que qualquer briga com o doleiro. Mas Ruffo perde o controle e sai da PF.

Já na segunda temporada, o que era para ser uma farsa dramática, com personagens beirando a realidade, o roteiro escrito por Padilha e Elena Soarez caminha na tese defendida por algumas lideranças políticas de que houve um golpe articulado pelo Eduardo Cunha, com Aécio Neves, o vice Michel Temer, alguns membros do judiciário, para tirar Dilma da presidência e incriminar Lula nos casos do triplex do Guarujá e o sítio de Atibaia.

A ideia de que tudo o que aconteceu na realidade foi uma conspiração política, ganha mais corpo ainda dentro da série, quando o juiz Paulo Rigo (Otto Jr.), que faz a versão de Sergio Moro, dá um leve sorriso ao ver na TV a transmissão da aprovação das investigações sobre as pedalas fiscais feitas por Janete Ruscov (Sura Beroitchevsky), a versão de Dilma de O Mecanismo. Como José Padilha vem declarando que não gostou do fato do juiz Sérgio Moro ter assumido o Ministério da Justiça e Segurança Publica, a sutileza com que Rigo vê a população festejar seus atos contra a corrupção, é igual ao famoso elefante na sala.

Peca a condução da série, nesse sentido. O que vinha sendo uma farsa bem articulada, torna-se uma simulação dos fatos investigados pela Lava Jato que, para o Mecanismo, foi apenas o cenário para o “golpe”. Longe disso, a farsa acabou comprometendo um fator importante de uma produção desse porte: diversão. Definitivamente, essa segunda temporada não foi nenhum pouco divertida, especialmente quando vemos o personagem de Selton Mello tão perdido a ponto de se encontrar com seu nêmese, o brilhante Enrique Diaz, para questioná-lo novamente sobre seu envolvimento em tudo.

Faltou mais lubrificação nesse mecanismo. Quem sabe na terceira temporada…

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Nota
7
Nota
  • Direção
    9
  • Roteiro
    5
  • Elenco
    9
  • Enredo
    5
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