CRÍTICA | O Mundo Sombrio de Sabrina - 2ª temporada

CRÍTICA | O Mundo Sombrio de Sabrina (Netflix)

Hoje não, Satã!

Continuando com as aventuras da bruxa adolescente, a série abre espaço para narrativas secundárias e temáticas importantes

A gente tarda mas não falha! A segunda temporada de O Mundo Sombrio de Sabrina chegou na Netflix já faz algumas semanas, mas a crítica só vem agora por um simples motivo: eu era fã da primeira versão de Sabrina.

Para aqueles que acompanharam o original, sabem que o reboot é bem diferente, bem mais obscuro e fiel aos quadrinhos, sem a leveza e comédia que a série anterior tinha. E eu, como fã, demorei a me acostumar com essa nova atmosfera.

O segundo ano da série foca mais no lado bruxa da protagonista, vivida por Kiernan Shipka, que tanto se via dividida entre a sociedade de feiticeiros e os meros mortais. Isso, com certeza, garante mais ação e efeitos especiais.

Apesar disso, não é a bruxinha e sua jornada do herói que brilha durante os nove episódios, e sim as tramas paralelas. Enquanto Sabrina chega a ser entediante, é muito legal testemunhar a independência de Hilda (Lucy Davis), a transição de gênero de Susie (Lachlan Watson) para Theo, e os surgimento dos “poderes” dele e de Roz (Jaz Sinclair), o que faz a gente chegar à conclusão de que de normal em Greendale só tem o jogador de basquete que quebra a perna.

Outro tema interessante abordado é o machismo da Igreja da Noite. Na série, que é dominada de mulheres autossuficientes, o conservadorismo de Padre Blackwood (Richard Coyle) é tamanho que é impossível o espectador não ficar com raiva. Inserida nesse arco de narrativa, Miranda Otto, a intérprete de tia Zelda, arrasa!

Aliás, a atuação de Michelle Gomez como Lilith/Mary Wardwell é de tirar o chapéu! Mesmo seguindo seu plano de levar Sabrina para o lado das trevas, é interessante ver os seus conflitos pessoais e como isso vai afetando seus relacionamentos, inclusive com o próprio Senhor das Trevas.

Falando nele, quando ele assume sua forma angelical, meu deus… Que homem! Luke Cook veio claramente pra disputar o título de homem mais charmoso do inferno com Tom Ellis, que vive o anjo caído em Lúcifer.

A inserção de personagens como Dorian Gray (sim, aquele da história do retrato) é arriscada, mas funciona bem trazendo uma versão barman do personagem e que realmente participa da história e não está lá só de enfeite. Na verdade, aqui vai uma curiosidade: essa é a quarta série com a temática de magia que Jedidiah Goodacre, que interpreta o conhecido personagem literário, participa. Ele também fez parte do elenco de The Originals, de seu spinoff Legacies, e do lançamento da Netflix, A Ordem.

Ah, para aqueles que curtem a Archie Comics e Riverdale, a temporada tá cheia de easter eggs. Em uma cena, Harvey (Ross Lynch) é visto segurando algumas HQs de Archie e também citou o nome da cidade vizinha em outra sequência. Conheço alguém que tá torcendo por um crossover entre as séries, será que vai rolar?

Por outro lado, O Mundo Sombrio de Sabrina tem algumas inconsistências de roteiro. A primeira parte da temporada chega a ser um pouco confusa. A trama só realmente pega o ritmo na segunda parte, depois do episódio “engarrafado” (um episódio solto da narrativa, que tem pouco impacto na história).

Sem contar que o Salem é praticamente menosprezado, ele podia ser muito mais bem aproveitado.

Encerrando o novo ano com um bom gancho para a próxima temporada, a série continua agradando os que gostaram da passada e garante que o matriarcado não chegou só em La Casa de Papel, mas em Greendale também.

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Nota:
8
Nota:
O bom
  • Narrativas paralelas interessantes
  • Abordagem de bons temas
  • Boas atuações
O ruim
  • O SALEM NÃO FALA!!!!
  • Personagem principal entediante
  • Alguns episódios são confusos e cansativos
  • Direção
    8
  • Roteiro
    8
  • Elenco
    8
  • Enredo
    8
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