Crítica o Negócio Temporada 4 Resumo O Negócio

CRÍTICA | O Negócio (HBO) - Série chega ao fim longe de ser memorável

O Negócio (HBO) tem uma premissa interessante, mas a última temporada foi muito ruim

É triste, mas O Negócio (HBO) decepciona na última temporada

Chegamos ao fim da longa jornada de Karin (Rafaela Mandelli), Luna (Juliana Schalch), Magali (Michelle Batista) e Mia (Aline Jones) com a Oceano Azul em O Negócio. Mas com uma quarta temporada zero focada, a história é encerrada de forma insatisfatória.

O Negócio – 4ª temporada

Karin resolve abrir a boca para a imprensa, como o objetivo de combater o preconceito contra a prostituição. Ela sobe ao palco de um polêmico e moralista apresentador que comanda um talk show de entrevistas. Defensor da “família tradicional brasileira”, Álvaro Sintra (Eduardo Moscovis), é um cara difícil de contra-argumentar.

De argumentos sólidos, Álvaro sabe rebater Karin sobre a forma como as pessoas lidam com a profissão, afirmando que não adiantaria as garotas serem respeitadas enquanto ser puta ainda é amoral. Abusado, ele quebra a Karin em dois quando revela que ela fez um aborto ainda jovem. O tema serve apenas para a protagonista se revoltar e, com a sua resposta em rede nacional, chamar atenção de Rodolfo Sherman (Dalton Vigh), um promotor público disposto a destruir a Oceano Azul.

E assim a quarta temporada se perde…

Em O Negócio, Karin vai presa. Depois é solta. Aí presa de novo e ela segue firme e forte de que, estando em cana, conseguirá o respeito que a profissão merece. O tema se perde em argumentos rasos e zero interessantes. Por mais que seja importante levantar esta bandeira, a série não consegue defender seus ideias.

É mostrado que, a partir do momento que as pessoas assumem que são prostitutas, a violência doméstica aumenta, famílias são desconstituídas e que as mulheres sofrem por não poderem falar abertamente sobre a carreira que escolheram.

A trama ainda explora algumas reações sociais sobre as atitudes de Karin, mas tudo fica esquecido quando a mesma resolve focar no projeto do prédio.

O prédio

Giancarlo (Raffaele Casuccio) é o sócio deste projeto. O prédio visa ser o maior estabelecimento de prostituição do país. Restaurantes, SPAS, clubes e bares farão parte de uma estrutura luxuosa. Um update arriscado e ousado do Clube Oceano Azul. Óbvio que este tema também fica de lado, aparecendo apenas no último episódio de forma insossa e só serve para os roteiristas criarem algum tipo de expectativa na audiência enquanto….

POLIAMOR

Magali cria seu grupo de poliamor. Durante alguns – quase todos – os episódios, acompanhamos a jovem num processo de conquista cafonérrimo do coração da Letícia (Gabriella Vergani), esposa de Zanini (Kauê Telloli). Ela não consegue viver sem o ex e também está num relacionamento estável com Sabrina (Gabriela Cerqueira). Juntos, os três, eles criam uma figura online fictícia chamada “Poeta” para conquistar a Letícia. Mas na hora de se conhecerem, a verdade será revelada.

No final, a Letícia se entrega e vira da comunidade. Com o tempo, Zanini não aguenta mais “dar conta” das três e eles decidem trazer mais uma pessoa para a comunidade. Entra em cena um artista filosófico que consegue se relacionar com Letícia e Sabrina, mas não transa com a Magali por que é prostituta….E assim mais uma chance de abordar o mesmo tema de preconceito é jogado no lixo para…

FILME PORNÔ

Yuri (Johnnas Oliva) ainda quer ser um diretor de filme pornô famoso, mas a sua qualidade no mercado é tão escassa quanto ele mesmo. Um personagem que facilmente poderia ser aposentado logo no início desta temporada, ganha diversos momentos desinteressantes ao longo da mesma.

Yuri só transa se for pagando. Yuri se relaciona com uma mulher mais velha e ganha por isso. Yuri quer contar a história de Ariel em seu filme. Yuri quer transar sem pagar ou receber. Sério…Uma encheção de linguiça monstra que não chega em lugar algum por que…

Oscar volta a dar golpes

Um amigo de Oscar (Gabriel Godoy) aparece na trama e os dois voltam a dar golpes e mais golpes. Como duas crianças de 15 anos, óbvio que este elemento da trama também não é legal. O lance todo é mostrar que Oscar sempre será imaturo e que ele nunca vai ser “homem” de verdade para casar com a Luna.

Em contra partida, a mãe de Oscar aparece. Ela é transexual e Oscar demora para aceitar a mãe como ela é. Fran (Leo Moreira Sá) é um personagem absurdamente carismático que poderia carregar uma discussão importantíssima sobre preconceito – já que a temporada toda é escaldada neste tema. Mas não…O talento do ator desperdiçado por que…

Mia precisa ser a mais inteligente

Galera, desde que o mundo é mundo, a sabichona do rolê é ignorada. Esse lance da Mia ser uma menina super, mega, blaster inteligente, não transforma ela em uma personagem agradável.

Enquanto sua capacidade Sherlokiana de Deduções© era usada em momentos pontuais, estava tudo bem. Mas nesta temporada é super cansativo, principalmente por que ela se envolve com Giancarlo amorosamente e o cara só sabe transar em lugares estranhos.

Deixam de lado a chance de falar sobre fetiches, para mostrar um casal branco White People Problem™ transando em um carro em cima de um trilho de trem. Sim, o trem quase mata eles. Ela é chata pra caramba e o tudo o que o Giancarlo quer é viver nessas de “joguinhos” de sedução o tempo todo.

Falando em jogos e trapaças

Ariel (Guilherme Weber) vai ser vovô. O único personagem ainda meramente bem estruturado, também foi apagado nessa temporada. Ele reata com o seu falso filho que vai trabalhar no Clube. O jovem engravida uma das meninas e eles viverão felizes para sempre como uma família bastante confusa. Infelizmente, nada a declarar sobre o desperdício total feito em cima desse personagem. Que btw, era o nosso favorito.

Vale a pena?

Infelizmente não. Sério. A Freakpop sempre cobriu O Negócio e esta produção nacional marcou presença por aqui com muito carinho de nossa equipe. Mas pqp, o que aconteceu? Sendo justamente a última temporada, os arcos de todos os personagens mereciam finais coerentes.

Também nos irritamos com as narrações excessivas de Luna.

“E então fulana resolveu ir até lá….

E ela foi até lá…”

O narrador tem a função de complementar algo não mostrado em tela e não para apontar exatamente o que vai acontecer em seguida. A série banaliza a capacidade de interpretação e de preenchimento de lacunas de seus fãs, tornando o ritmo de O Negócio quase pré-escolar.

O que “salva” nesta temporada é o vínculo emocional com cada personagem. É óbvio que queríamos ver como tudo ia terminar com as meninas, mas não desta forma tão bagunçada.

Para piorar, Karin vira uma espécie de vilã. Ela é realmente capaz de fazer qualquer coisa pela Oceano Azul e por seus ideais. E no momento onde ela precisa tomar esta decisão, ela “vira a chave” é posicionada como a mais ambiciosa do meio. Algo que vai contra a figura que foi presa por colocar a prostituição como uma profissão passível de respeito. (E não que não seja, mas a forma como abordaram foi péssima e claramente não ia dar certo).

Até aqui Karin era a heroína da história, a matriarca da porra toda, terminando a série como uma antagonista de si mesma. Essa “quebra” na personalidade da personagem aos “49 do segundo tempo” só empobreceu o universo de O Negócio que já vinha em declínio.

Bem, agora basta você conferir para saber tudo o que rolou.

O Negócio está disponível na HBO GO.

Küsses,

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Tatá Snow

“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

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