CRÍTICA | O Primeiro Homem – Ryan Gosling é Neil Armstrong

“Este é um pequeno passo para o homem, um salto gigantesco para a humanidade”

 “Este é um pequeno passo para o homem, um salto gigantesco para a humanidade” disse Neil Armstrong ao ser O Primeiro Homem a pisar na lua

De volta aos anos 60, O Primeiro Homem é o novo longa de Damien Chazelle (La La Land / Whiplash) que conta com Ryan Gosling interpretando Neil Armstrong, o primeiro astronauta americano que pisou na lua em uma corrida espacial entre EUA e Rússia durante a Guerra Fria.

O Primeiro Homem

Baseado no livro de mesmo nome, de James R. Hansen, a obra literária foi composta por um historiador que investigou a vida de Armstrong nos pequenos detalhes. O filme, assim como o livro, explora a vida de Neil quando ainda jovem, engenheiro e piloto de teste.

Uma das maiores figuras da história mundial ganha a telona por meio de um filme que revive o lado obscuro e privado de Neil Armstrong em sua trajetória na NASA. Apesar do sucesso alcançado, e do grande feito pela humanidade, Armstrong teve que lidar com muitos problemas pessoais entre amigo, família e com a chefia.

Damien Chazelle apresenta uma direção intrigante, um elenco afiado e O Primeiro Homem se torna uma obra cinematográfica marcante e memorável. E sim, Ryan Gosling é um show à parte.

O Primeiro Homem de Chazelle

O longa começa com a Neil Armstrong (Gosling) perdendo sua filha mais nova. O resultado desta grande perda, passa a refletir em muito do comportamento e objetivos na vida do piloto. Numa tentativa de mudar sua vida por inteiro, e recomeçar, ele se candidata ao programa espacial da NASA que quer levar o homem até a lua.

Armstrong inicia sua longa jornada como engenheiro e astronauta, mas mal sabe ele que até Apollo 11 dar certo, em fevereiro de 1969, ele teria quase dez anos de perdas, enterros e drama. Chazelle conta a história colocando o herói americano em primeiro plano e assistimos essa corrida tecnológico do ponto de vista de Armstrong, transformando a audiência do filme como os olhos de Neil.

Desde os avanços tecnológicos até o primeiro passo no solo lunar, não espere um longa com cenas distantes da nave e sim muita claustrofobia e medo do piloto ao entrar na nave e fica preso em um cubículo que consegue enxergar a terra a distância e a morte de perto.

Só pelo fato de Damien Chazalle nos colocar no plano do personagem, O Primeiro Homem é um filme sensorial e angustiante do começo ao fim.

Ao longo da corrida espacial, obviamente que temos os embates políticos da época e a revolta da humanidade contra o progresso da operação, já que o projeto Gemini (responsável pelas operações Apollo) custava milhões aos bolsos dos contribuintes. Mesmo tendo um “final feliz”, o longa prioriza em mostrar o quanto a determinação de Neil Armstrong também foi tóxica para o seu relacionamento com a esposa e filhos, o colocando como um homem que abriu mão de sua vida real pelo sonho em pisar na lua.

Essa característica auto-destrutiva, é uma ferramenta já conhecida nos longas do diretor e que, aqui, não diminui o grande feito e coragem de Neil Armstrong em se tornar uma figura pública e histórica.

O que mais chama atenção ao longo do filme, são suas constantes perdas de amigos e frieza em ser a pessoa que a NASA precisava para pisar na lua. Certamente um olhar mais frio e menos heroico de uma história que ainda tem fôlego para emocionar e impactar gerações.

Sendo um fato histórico relativamente recente, O Primeiro Homem traz uma versão da trajetória de Neil Armstrong que envolve a audiência do começo a o fim e mostra o lado obscuro de uma operação que mais perdeu do que ganhou. Um tiro certeiro que se transforma em um projeto marcante.

Vale a pena?

Muito! Não só pela excelente atuação de Ryan Gosling, que vai do “pai que queria dar uma segunda chance para a sua família” ao “astronauta determinado capaz de morrer pela NASA”, mas soma-se a isso uma Janet Armstrong (Claire Foy) lidando com o machismo da época e com um marido conturbado e auto destrutível em prol do novo passo da humanidade.

O Primeiro Homem é, certamente, uma experiência visual diferente dos demais longas como Apollo 13 (1995), Gravidade (2013) e Estrelas Além do Tempo (2016), pois consegue unir a biografia, a dramatização e fatos reais sem levantar a bandeira americana como salvadores da pátria.

A chegada do homem na lua foi repleta de dor, desonestidade e ganância, e O Primeiro Homem retrata isso sem filtros.

O longa estreia dia 18 de outubro no Brasil, com certeza será destaque nas grades premiações mundiais e Damien Chazelle se firma como um diretor de apenas 33 anos excepcionalmente talentoso. Este é o quarto filme de sua carreira.

Küsses,

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Tatá Snow

“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

Nota
10
Nota
O bom
  • A trilha sonora, bem como ouso do silêncio absoluto, são destaques da produção.
  • Que longa de tirar o fôlego!
  • Direção
    10
  • Elenco
    10
  • Roteiro
    10
  • Produção / Fotografia
    10
Categorias
CriticasFilmes

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