[CRÍTICA] O Quarto de Jack – Claustrofobia define este longa

O Quarto de Jack é um filme intenso que precisa de coragem para ser assistido Um dos longas indicado ao Oscar® de Melhor Filme em 2016, é O Quarto de Jack...

O Quarto de Jack é um filme intenso que precisa de coragem para ser assistido

o-quarto-de-jack-universal-studios-room-0Um dos longas indicado ao Oscar® de Melhor Filme em 2016, é O Quarto de Jack (Room), um filme dirigido por Lenny Abrahamson (Frank) que oferece uma experiência psicológica para a audiência muito interessante. Baseado no livro Room da autora Emma Donoghue, que também assina o roteiro adaptado do filme, prepare-se para ficar agoniado em pouquíssimos metros quadrados de um quarto onde vivem Joy (Brie Larson) e seu filho Jack (Jacob Tremblay). 

O Quarto de Jack relata a história de uma jovem que está trancafiada há sete anos em um quartinho. Seu sequestrador, Velho Nick (Sean Bridgers) a visita todos os domingos para levar mantimentos, roupas e vitaminas. Nestes longos anos, Joy deu à luz a Jack, que aos cinco anos nunca saiu do local. Presos em um espaço minúsculo, embarcamos na mente de um garotinho que consegue imaginar um mundo muito além da claraboia do quarto. Suas influências, além dos relatos de sua mãe sobre a vida externa, são a televisão – que transmite desenhos animados – e livros. Jack é uma criança peculiar, curiosa e que está à salvo de toda e qualquer influência humana que uma criança normal recebe aos crescer. Joy está desesperada para sair de lá e aposta suas chances de fuga em seu filho. 

O longa tem dois ambientes muito bem definidos: o quarto e o mundo externo. Enquanto sofremos enclausurados com os sentimentos da mãe e do filho, a audiência é impactada por uma visão muito atordoante de como seria criar uma criança em ambiente recluso. O comportamento de Jack, sua “maturidade” e imaginação são verdadeiras aulas de psicologia que enriquecem qualquer um por tamanha sensibilidade e humanização não recorrentes. Após a primeira incontrolável emoção com a cena de fuga dos dois, o expectador retorna para uma ambientação presente na zona de conforto: a casa dos pais de Joy. 

É neste momento que a narrativa dá uma volta gigantesca e impacta por uma nova experiência: o mundo continua claustrofóbico do ponto de vista de Jack e sofremos a cada instante enquanto ele tenta – e muitas vezes é forçado – a ser um garoto normal. Jack pode ter saído do quarto, mas o quarto não saiu de Jack. Os esforços para que ele aprenda a lidar com a realidade retorna para a audiência como um chute no saco: é assim que educamos nossas crianças? A forma como sua postura infantil se transforma e reage ao mundo real é ainda mais emocionante. Jacob Tremblay é o coração deste filme. Jack proporciona uma enxurrada de valores desprezados pelas pessoas. 

Brie Larson dá um show à parte. Sendo seu primeiro papel dramático na carreira, sua atuação como uma mãe que precisa educar, amar, ensinar e orientar uma criança enquanto presa dentro de um quarto é uma inspiração para quem já é mãe ou pai – e um frio na barriga perturbador. Já do lado de fora, sua personagem também sofre com as expectativas vindas do “mundo real” e cobranças de seus pais e da imprensa por ser uma mulher adulta, mas vale relembrar que foram sete anos presa e oprimida pela presença do Velho Nick e Joy não só precisa reaprender a ser mãe e filha, mas também mulher.

O Quarto de Jack é uma película aflitiva e com um enredo que poderia ser realidade, o que contribui ainda mais com o resultado emocional em quem assiste. A violência existente em um sequestro deixa marcas eternas no psicológico que não é preparado diariamente para tal conflito. Não convivemos com este tipo de perda – do ponto de vista de quem fica – e na loucura não experimentada – no ponto de vista de quem é trancafiado, e a maestria deste roteiro é que eleva O Quarto de Jack como um dos mais especiais do gênero. 

O longa estreia dia 18 de fevereiro no Brasil e merece toda a sua atenção. Completam o elenco Joan Allen (The Family) como a avó e William H. Macy (A Vida em Preto e Branco) como o avô.  Não esqueça de levar lencinhos na bolsa. Desejamos a todos um excelente momento introspectivo após a saída do cinema. 

Küsses, 

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Tatá Snow

“Crítica” de cinema – prefiro ‘analista de entretenimento’, fanática por comédias românticas e viciada em Sex and The City. Ah…#TeamCap

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