O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos

CRÍTICA | O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos

Já está em exibição nos cinemas!

O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos é mais que familiar, é o mesmo filme

Como eu imagino que o pitch desse filme foi feito:

– E aí? O que você tem para gente hoje?

– Seguinte. Imagina uma história de uma garota inteligente e rebelde que não se conforma com os padrões sociais da Inglaterra vitoriana. Ela vai parar num mundo mágico inspirado em um conto infantil clássico onde descobre que neste mundo ela é uma figura escolhida e precisa intervir numa guerra entre reinos. Ao seu lado, ela vai ser apoiada por um personagem que vai servir de protetor dela.

– Então, a gente fez esse filme já. A gente lançou uns anos atrás. Lembra de Alice no País das Maravilhas?

– Hm. Que tal se a gente fizer  uma história de uma garota inteligente e rebelde que não se conforma com os padrões sociais da Inglaterra vitoriana. Ela vai parar num mundo mágico inspirado em um conto infantil clássico onde descobre que neste mundo ela é uma figura escolhida e precisa intervir numa guerra entre reinos. Ao seu lado, ela vai ser apoiada por um personagem que vai servir de protetor dela. E ela é morena?

O Quebra-Noses e os Quatro Reinos

É quase um evento inusitado imaginar uma produção da Disney hoje em dia que não seja um estrondoso sucesso de audiência e crítica. O camundongo no topo de seu castelo da Cinderela tem emplacado sucesso atrás de sucesso com seu invejável catálogo de propriedades intelectuais. Entre Star Wars, Marvel, remakes live-action de seus clássicos, e novas animações – é bizarro ver algo como O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos.

Clara (Mackenzie Foy) acaba de perder sua mãe  e vai passar o natal com sua família no baile de seu padrinho Drosselmeyer (Morgan Freeman). Um mecanismo misterioso deixado por sua mãe leva Clara a uma terra mágica e descobre que lá, sua mãe era a rainha de quatro reinos. Uma das regentes, a Fada Plum (Keira Knightley) informa que um dos reinos foi banido da aliança e sua líder, a Mamãe Ginger (Helen Mirren) é inimiga pública número 1. Clara precisa descobrir a localização de um artefato deixado pela sua mãe e impedir a guerra dos quatro reinos, para tal, é acompanhada por Phillip Hoffman (Jayden Fowora-Knight), o quebra-nozes – que apesar de estar no título do filme, é um personagem completamente descartável.

Sabemos todas estas informações porque no lugar de contar uma história, os dois primeiros atos do filme se interessam em apenas explicar toda a mitologia complexa que foi criada para o que deveria ser uma adaptação de um conto infantil (lembra quando isso deu “super certo” em O Hobbit?). É claro que no meio do que é basicamente um letreiro de Star Wars que não acaba, o filme também homenageia o balé homônimo com uma apresentação de balé extremamente longa e completamente desconexa da narrativa e também comenta sobre o segmento de Fantasia que usa a música do Quebra-Nozes.

Visual interessante, mas só

Joe Johnston, que dirigiu Capitão America: O Primeiro Vingador, é um dos diretores do projeto, e trabalha bem o visual rico dos cenários. Entre os diferentes ambientes e o figurino criativo, pelo menos O Quebra-Nozes e o Quarto Reino tem um visual interessante, apesar de ser derivativo e inevitavelmente, outro ponto de comparação com Alice no País das Maravilhas e Oz: Mágico e Poderoso.

No final, trata-se de um projeto frio. Um filme desconexo demais para contar uma história cativante e com visual familiar demais para se destacar dos inúmeros contos infantis transformados em saga épica que tentam emplacar uma nova franquia para os estúdios.

Apesar do elenco de peso e do estúdio por trás, não tem muito que faça valer a pena ir até o cinema para ver O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos.

Até a próxima!

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Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

Nota
5
Nota
O bom
  • O terceiro ato tem alguns momentos que vão divertir a criançada.
O ruim
  • É um problema sério de roteiro quando 90% dos personagens são desnecessários porque o filme não tem trama;
  • Direção
    8
  • Roteiro
    4
  • Elenco
    5
  • Enredo
    3
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CriticasFilmes

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