CRÍTICA | O Rastro – O Brasil mostra que sabe aterrorizar tão bem quanto os coreanos

O Rastro cria uma experiência aterradora e mostra que Brasileiro também sabe meter medo A frase “nem parece que é brasileiro” evoca um certo senso de qualidade, apesar de...
O Rastro

O Rastro cria uma experiência aterradora e mostra
que Brasileiro também sabe meter medo

A frase “nem parece que é brasileiro” evoca um certo senso de qualidade, apesar de reforçar nosso eterno complexo de vira-lata quando comparado com outros países. Tipicamente, associamos o cinema nacional com dramas maniqueístas sobre desigualdade social ou comédias de mínimo denominador sobre algum comediante popular gritando bordões por 1h30 com premissa preguiçosa. Entra O Rastro, o primeiro projeto recente no Brasil para criar um terror digno.

O Rastro de um Rio de Janeiro em frangalhos…

João (Rafael Cardoso) é um médico que trabalha para a secretaria de saúde do Rio de Janeiro. Em meio à crise da saúde pública do estado, ele é incumbido de desativar o hospital que sue mentor Heitor (Jonas Bloch) ainda gerencia. O hospital é uma verdadeira ruína, que mal consegue oferecer cuidados para seus míseros 40 pacientes. Durante a transferência dos enfermos para novos leitos, uma garota adolescente desaparece.

Obcecado por desvendar o caso, João aos poucos começa a enlouquecer enquanto desvenda uma conspiração sobrenatural e vira um verdadeiro fardo para sua esposa Leila (Leandra Leal) que está grávida.

Terror Tupiniquim

Parte do que torna O Rastro um filme fascinante é como a realidade do país é tecida em seu DNA. A premissa envolvendo elementos sobrenaturais e conspiração funcionaria em praticamente qualquer país, mas a cenografia e os elementos de contexto únicos ao Brasil, tornam a narrativa especial. O roteiro de André Pereira e Beatriz Manela causa um certo anseio, não só pelas cenas horripilantes, mas pela forma orgânica como a situação atual do país alimenta o medo.

A direção de JC Feyer ajuda a manter todo mundo devidamente se borrando. Parte de O Rastro foi filmado nas ruínas do hospital da Beneficência Portuguesa no Rio, antes da demolição, e filmado apenas com a luz de celular do protagonista, uma técnica simples, porém brilhante. Pontos para os atores também, Rafael Cardoso entrega alguém à beira da loucura e é perturbador.

Vale a pena? Como falamos, O Rastro não fica para trás de filmes de terror consagrados. Existe uma grande reviravolta no filme que é tão fascinante quanto imprevisível, então corra logo para ver! O longa estreia dia 18 de maio no Brasil.

Confira abaixo nossas entrevistas exclusivas com o elenco e diretor de O Rastro:

Até a próxima!

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Criticas

Editor-chefe da Freakpop. Adora cinema, mas odeia a palavra cinéfilo. Leu quadrinhos demais na vida e tem uma capacidade muito limitada de entender a realidade. Tudo que não explica com Máquina Mortífera, explica com Highlander. Sabe tudo sobre Soul Reaver e Crônicas de Gelo e Fogo. Seu signo é estegossauro.

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